Eu não tenho como te agradecer por ter me mostrado como viver vale a pena. De repente, tudo voltou a fazer sentido e hoje eu consigo sorrir verdadeiramente, sem ter nada escondido por trás disso. Depois de tanto tempo me guardando de tanto medo, de tanta solidão, você apareceu e me mostrou que a vida não é tão preto no branco assim.
Você me mostrou tantas coisas incríveis em tão pouco, que talvez apenas um blog esquecido na internet não seja o suficiente para escrever sobre isso tudo. Os filmes que você me mandou, as músicas que escutei, as histórias que você me contou... Tudo parece ter saído de um livro de contos de fadas, daqueles que nem a Disney - quem dirá a Pixar - ousaria produzir de tão clichê que é. Com direito a "Era uma vez" e o tão esperado "Felizes para sempre".
Você me deu motivos para continuar, mesmo quando tudo pareceu estar sem saída. Você foi minha luz no fim do túnel quando eu estava quase me entregando à escuridão. Os dias já não parecem tão longos, esse clima frio já não me desanima mais e eu comecei a apreciar o lado bom da vida, que sempre esteve por aí esperando que eu olhasse pra ela.
Eu tinha me esquecido de como era ser feliz. Não que eu tenha terceirizado minha felicidade, longe disso. Mas eu precisei de você pra segurar a minha mão e me levar até ela de novo. Me mostrar que sim, existe um sentido nisso tudo e que eu não preciso passar por isso tudo sozinha. Isso pode ser tão louco e tão errado, mas acho que eu já deixei bem claro que eu não ligo muito pra esteriótipos. Eu gosto de você e gosto do jeito que a gente tá erradamente certo. É pedir demais desejar ser sua até o fim da minha vida?
E então eu descobri que se apaixonar por alguém é muito mais do que se entregar inteiramente e idealizar realidades na cabeça. É sobre sentir. Só isso. É sobre romantizar a folha que cai da árvore no inicio do outono, ou gastar cinco páginas falando de como você é lindo. Vai ver é isso que torna a paixão uma coisa tão bonita, digna de clássicos do José de Alencar. É se permitir dar voz a um sentimento (tão louco) sem se preocupar com o final e ver o que ele tem pra te falar. Pode ser coisas que você nem imagina que existiam aí dentro...
 É como se o fim não importasse tanto mais. Quando você começa a ler um livro, você não pula para a última parte, certo? É isso que é se apaixonar. Aproveitar cada segundo, cada letra, cada palavra, e o que vier depois sempre vai ser lucro, porque eu tive a honra de passar cada pedacinho do meu tempo com você. Me diz se eu não ganhei na loteria por isso.
E também, não é sobre querer dar um nome a esse tal sentimento e tentar entende-lo. É dar a mão para o destino e sair dançando com ele por ai, para ver até onde ele te leva. Sem se preocupar com os passos errados, com a música desafinada ou qualquer outra coisa.
E eu juro pra você que eu nunca me senti tão livre para sentir o que eu quiser por quem eu quiser na vida. É como se eu estivesse esperando a vida toda por alguém, e agora que esse alguém apareceu, tudo começou a fazer mais sentido. E por Deus! Como eu sou sortuda por esse alguém ser você.

Leia ouvindo: For Emma - Bon Iver

Eu tento entender qual parte de você se deixa entregar completamente a um sentimento tão vazio quanto o orgulho. Tento enxergar quais são as variáveis que te levam a pensar que orgulho é sinônimo de amor próprio ou dignidade. Orgulho não é nada disso. Orgulho é aquilo que te faz perder tudo, por te fazer achar que você vai ganhar alguma coisa com isso. Orgulho é querer ganhar sempre, é querer estar no topo a qualquer custo (a qualquer custo mesmo). Orgulho é essa redoma invisível que você mesmo cria, te impedindo de viver coisas incríveis no presente só porque você já se "arriscou demais" no passado. É aquilo que te faz acreditar que você está no melhor caminho, ou melhor dizendo, que você está no único caminho, sendo que a estrada é bem maior do que você pode enxergar.
Eu até tentei colocar isso na sua cabeça. Tentei te mostrar todas as coisas boas que você poderia ganhar se dissolvesse esse sentimento dentro de você. Mas eu acabei percebendo que não valia a pena. Uma cabeça tão retrocedida, tão inferior e tão pequena, não era de se esperar que acolhesse um sentimento tão puro quanto a compaixão. Em contra partida, você se encontra no orgulho. O sentimento mais primitivo que o ser humano já ousou sentir, já que se você parar pra pensar, todo lado ruim do universo é partidário do orgulho.
E a parte mais triste dessa história, é perceber que ainda há muitas pessoas que pensam como você.
Você me trocou pelo seu orgulho. Percebe quão ridículo isso é? Você deixou que o mal vencesse, a escuridão dominasse algo tão colorido como o que nós tínhamos. Você deixou o seu coração de lado para ouvir a parte mais gananciosa do seu ego. O orgulho pode até ser bom, ele pode te levar alto. Mas ele vai te deixar lá. E quando você olhar ao seu redor, você vai estar sozinho. Até o seu próprio orgulho irá te abandonar, e o que você vai fazer?
As pessoas vão se afastar porque elas cansam. Elas cansam de esperar você amadurecer, cansam de esperar que um dia um você se decida. Elas cansam de abrir mão de tudo que elas tem pra te dar a mão, exatamente assim como eu fiz. E não venha me procurar quando você perceber que não tem mais nada. Quando abrir o seu guarda-roupa de memórias e perceber que você jogou-as todas fora pela janela. Não venha me dizer que eu não avisei. Eu sempre estive do seu lado quando você precisou, sempre tentei te ajudar. Te confiei meu coração, te contei meus maiores segredos. Mas o seu orgulho só queria saber de se vingar. Você se sente melhor agora sabendo que estou completamente arrependida de ter deixado você entrar na minha vida?
É nisso que você pensa quando se olha no espelho? Que sua felicidade se constrói nas custas da dor do outro? Não adianta querer demonstrar indiferença, não adianta querer me machucar para preencher esse vazio e melhorar a sua auto-estima. Não adianta querer mentir pra si mesmo, porque eu sei que você sabe que quando sua cabeça encosta no travesseiro lá pras onze horas da noite, depois de um dia cansativo tentando sobreviver, você se sente incompleto. Não por minha causa, não porque eu fui embora, não porque sou eu; Mas porque você sabe que poderia ter feito diferente. Você sabe que, por mais que as coisas poderiam ter dado errado, nunca é tarde demais para tentar de novo. E de novo. E de novo. Enquanto nossos corações aguentarem e se sentir confortáveis um do lado do outro.
Esse jogo de forças eu vou deixar você jogar sozinho. Você puxa de um lado, enquanto eu já soltei há muito tempo. Eu estou muito bem por aqui, demonstrando o que eu sinto pra quem eu quero, pedindo desculpas quando eu sei que estou errada e sendo trouxa, sim. Mas eu prefiro ser uma trouxa sincera e inteira do que alguém que se alimenta da dor do outro, pois eu não quero saber o que vai acontecer quando esse seu combustível acabar.
E eu vou fazer um favor a mim mesma e sair da sua vida, já que a partir de agora eu vou deixar você se enrolar no seu próprio orgulho. E te ver morrendo enforcado

Leia ouvindo: Cold Cold Cold - Cage The Elephant

"Hoje é seu dia", eles disseram. Acordei como se fosse outro dia qualquer em que eu enfrento a realidade e volto para casa com os pedaços que sobraram de mim. No caminho da escola, tive que passar pelo lugar mais movimento pois se eu passasse pelo beco (que por sinal, era o caminho mais próximo para chegar ao meu destino) eu correria risco, assim como já aconteceu com várias amigas minhas. Isso às sete horas da manhã.
No caminho de volta, fiz a mesma observação. Num Sol rachando, de calça cumprida e eu tive que enfrentar os quatro longos morros até chegar na minha casa. E tudo isso, só para eu não sofrer algum tipo de violação ao meu próprio corpo. Para não levarem alguma coisa de mim.
E por que, exatamente, eu estou falando sobre isso?
Hoje, dia 8 de março (mais conhecido como Dia Internacional da Mulher), é um dia para ser lembrado. Lembrar de todas as mulheres que enfrentaram o impossível, lutaram até suas últimas gotas de suor e sofreram coisas horríveis apenas para as próximas gerações que haviam de chegar pudessem ter uma vida no mínimo confortável. Essa luta vai completar 100 anos. E até onde chegamos?
Desde o primeiro movimento feminista do mundo, eles tentam nos calar. Eles nos escondem, eles nos agredem, eles nos matam. Eles fazem isso pois sabem que juntas nós somos muito mais forte que o orgulho frágil deles. Eu não sou culpada da sua ignorância, do seu cérebro pequeno. Eu não tenho que me dar o respeito, mas você é obrigado a me respeitar.
Eles nos matam todos os dias, desde o dia em que nascemos. "É menina? Ihhh, vai dar trabalho!", eles diziam. Eles guardam nossos seios num pedaço de pano, eles dizem o que temos que fazer para não sermos agredidas. Nós temos direito à propriedade e a primeira propriedade que eu adquiri é o meu corpo. Quem diz o que eu posso fazer com ele ou não? (Isso foi uma pergunta retórica, se você não viu dessa maneira, leia o texto de novo até entender).
Hoje não é o meu dia. Hoje não é dia de ganhar rosa vermelha ou de ganhar parabéns pelo simples fato de que eu possuo uma vagina. Esse é o dia de lembrar que a luta das mulheres pode durar por mais quinhentos anos, mas ela vai existir até a última mulher dar o seu último suspiro. Até a última mulher sofrer violência doméstica. Até eu poder voltar da escola pelo caminho mais curto, porque está muito quente e eu não quero subir morro.
Não. Não é porque o dia 8 de março é o Dia da Mulher que o resto do ano é o dia do homem. Mas sim, o ano todo é o dia do respeito que deveria ser cultuado vinte e quatro horas por dia. Aprenda a valorizar a dor do outro, mesmo que essa dor não seja sua. Por esse motivo que o todos essas mensagens de força das mulheres não deveriam ser entregues às mesmas, mas sim para homens, para que eles aprendam que sem a gente, não existe ventre, não existe vida. Não existe amor algum.


Eu venho tentado escrever mais sobre o amor. Não sobre alguém específico, mas sim sobre o amor em si. A teoria, a prática, o conceito e todas as suas ramificações. Mas de alguma forma, eu perdi as palavras que antes me auxiliavam a falar sobre isso. O "amor" (aspas é sempre importante) já não é mais tão importante como era há um ano atrás. Engraçado pensar como as coisas mudam, não é?
Até tentei me apaixonar novamente, entrar em total delírio por alguém (igual eu fazia antigamente). O meu desespero por inspiração era tanto que qualquer vestígio de paixão era o suficiente. Mas minhas tentativas foram inúteis. E isso não significa que meu coração esfriou ou que meu mapa astral estava errado (Sol em câncer, Lua em peixes, você queria o quê?). Mas significa que eu acabei encontrando esse amor dentro de mim e parei de procura-lo em pessoas que não tem amor nenhum pra dar. A sensação de que eu me basto ainda é um software novo no meu coração e ainda é identificado como vírus algumas vezes. Por isso rola umas recaídas aqui, outras ali. Mas eu sempre percebo que puff, eu sou maravilhosa demais pra ficar triste.
A solidão era tão frequente no meu dia a dia que, agora que ela é só uma palavra, parece que existe um buraco dentro de mim. E de fato existe! Mas eu prefiro me sentir vazia do que cheia de escuridão, e digo isso com certeza pois já experimentei os dois lados. Preencher esse vazio com coisas que fazem sentido é meta para outra idade.
No momento, tudo o que eu preciso é aproveitar essa dose de amor próprio que tomei direto na veia, sem dó ou piedade. Foram meses longos até eu me curar. Até eu conseguir respirar novamente, sem querer desistir de existir.E agora que eu estou bem, eu preciso mostrar pro mundo o quão incrível eu sou. E é por isso que eu pintei meu cabelo de azul, saí da dieta, comprei roupas novas e experimentei algumas frutas (não, eu não gostei de nenhuma (nem de maçã(nem de morango))).
Afinal, o que pode dar errado? Já está tudo certo!
Faltam poucos anos para as coisas mudarem de direção (e por "coisas" eu digo coisas), e eu estou bem ansiosa para descobrir o rumo que elas vão tomar. Não que eu tenha algum controle sobre isso, mas o futuro tem gostinho de final de feliz.
Mas até a história chegar num fim, eu tenho muita estrada pra caminhar. Continuo me descobrindo como um livro de matemática: cheia de problemas, mas a resposta sempre chega no final. E eu estou bem feliz com isso. A felicidade tem gosto de sorvete.
Ei, garçom. Me dá mais uma dose de amor, por favor.
Essa não estava forte o suficiente.

Leia ouvindo: 1983 - Neon Trees

Não me lembro exatamente que dia era. Acho que era uma terça-feira, mas estávamos de férias. Estava ensolarado, quente. O dia e o horário não importam muito. Acho que nunca importou. O que eu estou querendo dizer é que cada segundo sempre pareceu eterno perto dele.
Sabe quando os relógios parecem não ter ponteiros?
Quando o pôr-do-Sol significa apenas a chegada da lua e não a hora de ir embora?
Quando o calendário parece não ter significado algum?
Se você nunca se sentiu assim, você "amou" a pessoa errada.
Talvez eu não tenha amado ele, do jeito que eu achei que amava de verdade. Por mais que eu escreva todos os dias da minha vida sobre o amor, ele me parece mais o final de um filme que eu espero ansiosamente para acabar.E exatamente assim como um filme, não é porque acabou que deu errado. Por mais que eu saiba o final, vale a pena viver cada pedacinho só pela aventura.
Ele me fez sentir assim. Como se o final não importasse tanto. Ele me fez sentir, por muito tempo, que eu estava dentro de um filme clichê do Wes Anderson. Um daqueles que tudo dá errado, mas de uma forma maravilhosa e poética, digna de filmes com fotografia e simetria perfeitas mesmo. Ele me fez sentir.
E talvez, ele tenha sido o erro mais maravilhoso que eu já cometi.
Gosto de falar sobre ele. Gosto de contar nossas histórias e de como ele ficou tão lindo ali, desenhando uma página de quadrinhos em cima da minha cama. Gosto de rir sozinha das vezes que fizemos algumas idiotices ao redor da cidade, e de como essas idiotices não eram tão idiotas assim. Gosto do jeito que eu me sentia infinita com ele, mesmo dentro de uma cidade tão limitada.
O abraço dele... Ah, abraço dele era a porta de entrada para a Babilônia. Era o gosto de um sorvete de caramelo salgado. Era a única coisa que fazia todas as minhas defesas irem para o espaço. Eu, literalmente, me desmontava e gostava disso. Ele me montava de novo, ele não ligava. O cheiro dele sempre ficou nos lençóis, todas as vezes que ele vinha na minha casa. E eu, obviamente, abraça os travesseiros e sorria sempre que isso acontecia.
Provavelmente, ele nunca vai saber disso. Nunca vai saber que eu guardo com tanto carinho cada olhar que ele direcionou à mim, ou cada palavra que meus ouvidos tiveram a honra de ouvir. Eu cheguei a acreditar que iriamos durar pra sempre. Mas ele acabou me ensinando que foi pra sempre enquanto durou.
Eu não o amo mais. Ele não me ama mais. Tudo o que eu sinto é gratidão por ter acrescentado tanta coisa boa na minha coleção de memórias. E tenho certeza que um dia eu vou contar sobre ele para os meus netos, e eles vão desejar uma história igual a nossa, mesmo sabendo que eles sempre vão me perguntar onde você está e eu nunca saberei responder.
E hoje, quando eu o vejo pela cidade usando uma camisa de banda (que eu provavelmente só conheço porque ele me mostrou) e uma bermuda preta, eu só tenho vontade de sentar e conversar com ele, por horas e horas, e voltar no tempo em que o tempo não existia. Será que ele se sente assim também?
Não me lembro exatamente que dia era. Acho que era uma terça-feira. Mas eu lembro que depois de alguns beijos e algumas doses a mais, ele foi embora. E me deixou de presente um arsenal de histórias, que agora, só precisa de alguém pra ouvi-las.

Leia ouvindo: Oceans - Seafret

Fiquei encarando-a por alguns minutos tentando imaginar como tanta beleza caberia em uma pessoa só. Não entendi se era o sorriso dela que deixava qualquer coisa mais feliz, se era seus olhos escuros e profundos que liam o que eu sentia e que, sem precisar dizer palavra alguma, deixava uma música nos meus ouvidos. Não sei se era o jeito que seus cabelos caiam sobre seus ombros, ou a sua boca desenhada gritava meu nome como uma forma de suplico.
Ok, ela não me gritava. Mas eu daria qualquer coisa para ouvir meu nome sair da boca dela.
Nunca toquei em suas mãos, mas tenho certeza que se um dia eu tocar, cada célula do meu corpo vai se juntar com as dela, até virarmos uma só. O perfume dela sempre acaba grudado no meu moletom azul, por menor que seja nosso contato. Minhas pernas sempre tremem quando eu converso com ela, e quando eu deito minha cabeça no travesseiro, é justamente nela que eu penso. Não precisa de ser algo especifico. Só precisa ter ela no meio.
Por incrível que pareça, nossa história não é muito longa. Tem algumas semanas, com sorte digo que tem alguns meses. E falando em sorte, posso dizer que sou a pessoa mais sortuda que eu já ousei conhecer, por já ter sentido o gosto doce dos seu lábios. Não sei se ela é tão apaixonada por mim quanto eu sou por ela, ou se a reciprocidade é um participante comum no que a gente tem.
Espera. A gente tem alguma coisa? Oh, merda, acho que fui longe demais.
Só sei que meu coração bate forte demais quando a vejo e sempre tenho que convence-lo de que o momento não é o certo para acelerar-se tanto assim, e que era para ele esperar chegarmos em casa para que ele pudesse chorar no meu próprio ombro. Mas não adianta, ele sempre se exalta. Grita, esperneia, treme. Às vezes acho que ele sapateia dentro de mim.
É isso. Ela faz meu coração sapatear.
A gente tem tudo para dar certo. Vontade, romance, história, mais vontade... Só falta a vontade. Bom, pelo menos da parte dela. Sei que nem sempre é bom apressar as coisas, mas devo admitir, que não existem regras ou conselhos quando estamos falando sobre ela. Todas as teorias caem por completo, todas as certezas viram dúvidas e eu? Ah... Eu sou dela já faz muito tempo.

Leia ouvindo: Riptide - Vance Joy

Talvez nós dois sejamos duas incógnitas. Dois pontos de interrogação procurando uma frase para completar, uma sentença para finalizar. Mas parece que nós somos as únicas incertezas cercadas de afirmações por aí. E por algum motivo bem desconhecido, a gente acabou formando um belo texto. Sem letras, sem palavras, sem gramática. A gente se leu e se entendeu, e talvez só a gente se entenda mesmo. Ele não tem um signo que combine com o meu ou tem o melhor gosto musical do mundo. Ele me manda músicas dos anos 80, eu mando músicas dos anos 10. Ele não gosta de terror, não gosta da minha banda favorita, não gosta de doces. Vai ver ele nem deve gostar de mim de verdade. Mas, diante de tantas diferenças, acabei descobrindo que somos incrivelmente iguais.
Fazia muito tempo que meu coração não batia tão forte por alguém. A vontade de passar a madrugada toda conversando sobre assuntos que não precisam de rumo para seguir - mas eu infelizmente sempre durmo antes das 22h e acabo com ele. Fazia muito tempo que ninguém me fazia perder o fôlego de tanto dar risada por alguma bobagem qualquer. Não, não é uma bobagem qualquer. É a sua bobagem.
Não é sobre o beijo dele, o abraço ou como ele fica incrível de baixo da luz do cinema. Mas é sobre o modo que ele me faz sentir segura e pronta pra ser eu mesma em qualquer lugar do mundo. Com ele, o tempo parece ser só mais um detalhe inventado pelo homem. E não importa onde vamos, é exatamente lá que devemos estar.
E aqui, sentada em frente ao mar e bebendo uma piña colada, penso que nada isso tem graça sozinha.
Merda, começou a chover. Isso não tem graça nenhuma também.
Em geral, a gente não tem muita história. Mas como eu disso, o tempo não é tão importante assim. Admito, tentei resistir ao óbvio e não cair nos encantos (posso chamar assim?) que ele guarda. Mas então eu percebi que era inútil, já que se apaixonar era a 8ª maravilha do mundo (é claro, depois de se apaixonar por ele).
E agora, estou aqui. Escrevendo sobre alguém que não só me transformou mas como também me reformou e me ajudou a encontrar todos os sorrisos que estavam trancados dentro de mim. Para nós, todo café do mundo é pouco e todos os filmes ruins sobre vampiros e lobisomens não serão o suficiente. Mas está tudo bem, pois se faltar alguma coisa a gente faz mais. Temos todos os recursos.
Talvez daqui um tempo eu esteja escrevendo um texto sobre como ele partiu meu coração e foi embora sem deixar rastros. Mas eu não me importo com o final - ainda -sendo que acabamos de começar. Ainda temos muita água para deixar correr, escorrer e trasbordar. Talvez a gente não passe de onde estamos e, sinceramente, não sei para onde quero ir. Mas eu me sinto tão confortável assim que qualquer movimento pode ser perigoso.
E por mais que não dê certo, e daí? A gente já criou tanta coisa, tantas linhas. Algumas coisas nascem para morrerem, não para existirem.
Isso não as tornam menos emocionantes.

Leia ouvindo: Cleopatra - The Lumineers