cabeça bagunçada

Pensamentos de quarentena

08:18





Ouça ouvindo: Bem Que Se Quis - Marisa Monte

As lágrimas irritantes molham meus fones de ouvido porque a gravidade as fazem cair. Eu fecho os olhos, limpo o rosto com a manga da blusa dobrada, respiro fundo buscando o ar que falta pois meu nariz está entupido, e percebo que muito tempo já se passou desde que meu peito começou a doer. E dói, sempre, como se fosse a primeira vez. De tanto tentar esconder os motivos, ou, de tanto tentar esconder de mim mesma que dói, eu parei de tentar. Então não sei ao certo o que aconteceu: se foi Deus que me abandonou ou se eu o abandonei. Se abandonei Deus, fui burra pois não há eu sem Deus e agora até as coxas desistiram de funcionar. Mas se Deus me abandonou, o que exatamente eu deveria fazer? Continuar rezando na esperança de ser ouvida? Continuar pedindo respostas para perguntas que eu nem formulei? Às vezes imagino alguém lá em cima dando risadas de mim, como se eu fosse idiota o suficiente para acreditar nEle. E agora, aqui, expondo minhas feridas mais incuráveis e profundas, percebo que, no fim, o problema sou eu mesma.

Eu não vejo o fim disso tudo e, muito menos, vejo o início do fim. Eu gostaria de ser guiada por alguns segundos para sentir nem que seja um toque externo nessa minha mão gelada, mas nem isso. Cada dia que passa percebo que está cada vez mais escuro e eu estou cada vez mais sozinha - o que é triste mas é mais seguro. Acontece que eu nunca pedi por segurança. Nunca pedi por conforto ou realeza mas muito pelo contrário, sou tão entregue que não me vejo sendo instruída por qualquer outro sentimento que não a confiança. Eu confiava demais. Em tudo, em todos e em Deus. Mas agora, algo em mim morreu, o que me fez querer criar essa barreira mais que visível que faz com que eu quebre todos os elementos sólidos dentro de mim só para que ninguém se aproxime pois eu sei que se alguém entrar vai querer sair e isso vai doer como da primeira vez, de novo.

Entrei naquela parte da vida que a gente tem tanto medo de buscar, porque o novo pode ser muito pior do que já existe. E eu realmente não quero sair debaixo de onde estou, que não é bom, mas pelo menos é conhecido. E eu sinto fome de aventura. Sinto sede de paixão e de intensidade. Porém, eu morri. Uma parte minha foi entregue à tudo o que eu perdi e toda vez que eu fecho o olho só consigo ver um passado muito mais excitante do que meu presente monótono. Nunca fui tão apática. Nunca me odiei tanto. Nunca quis tanto ser mais nova e viver tudo o que eu me dispus a viver. Hoje, não sei se por medo ou por qualquer outra coisa, só quero meu conforto estático e algum plano confortável que me dê estabilidade por alguns anos.

É triste perceber que não consigo passar dos primeiros parágrafos pois eu me bloqueei completamente para sentir qualquer coisa. Ontem a noite, na penumbra do quase sono, lembrei tanto do que sonhei e acabou que foi um suspiro perceber que eu ainda sinto, nem que seja só dor. Fico tão desconfiada desse meu confinamento voluntário que qualquer sinal de qualquer coisa vira um alerta. Me pergunto se isso é coisa da idade - e concluo que não, pois aos 20 Patti Smith se mudou sozinha pra Nova York. Talvez sejam meus traumas, o que também não faz sentido porque não vivi o suficiente para ter traumas tão complexos. E concluo que é: Deus.

          E.P.O.C.H

A vingança divina finalmente se fez presente e não posso deixar de admitir que me sinto leve. Agora, finalmente, eu e Deus estamos quites e ele não tem mais nada a tirar de mim, já que tirou tudo o que eu tenho: meu coração e minhas palavras. Cada vez mais me murcho como o girassol que busca a luz debaixo da terra e, cada vez mais, as metáforas me fogem como se elas não me pertencessem. Vai ver, elas nunca me pertenceram mesmo e eu que sou soberba o suficiente para acreditar que algo me foi tirado. Eu nunca tive nada. Eu tinha esperança, mas isso ainda tenho. Não tenho visão, nem ambição, nem amo nada o suficiente para depositar minhas mais profundas poesias - que não, não escrevi. Mas tenho amianto, e tenho plantas e uma roupa de cama nova que parece me abraçar no fim do dia. A luta parece eterna e só existir me cansa.

É engraçado escrever e sentir raiva a cada palavra que digito. Sinto raiva do que penso e ainda mais de como isso é transformado em textos, em livros, em crônicas. É que se cada parte minha estivesse me puxando para um lado complexo da minha personalidade e eu nunca entendi muito bem como isso funciona. Gostava mais de quando eu me admirava e me sentia bem compartilhando meus sentimentos pro mundo. E agora eu sinto o quê, medo? Medo de ser vulnerável, de admitir que estou péssima, que a cada dia que passa sinto mais vontade de desistir? Percebi que ser adulto é assumir uma parte sua que te torna deplorável: meu ex-namorado virou fumante, grande parte dos meus parentes são alcoólatras, eu mesma estou viciada em remédios. O que me dói é pensar que isso nunca vai acabar porque depois de adulto, a gente morre.

Ainda me faltam muitos pensamentos avulsos para escrever sobre e eu não consigo organizar porque as gavetas estão todas trancadas. Em 2015 escrevi um poema que apontava a forma com que eu me guardo e, ironicamente, o poema se chama gavetas mesmo. Acontece que naquela época eu era a personificação da exposição em massa e amava ser quem eu era. Amava falar alto e amava pensar que várias pessoas estavam me lendo, simultaneamente, e pensando como eu conseguia espremer bem a sintonia adolescente. Analogamente, hoje, mais do que nunca, me tranquei. Poucas pessoas - e isso pode ser, literalmente, contados nos dedos - sabem os demônios que guardo. E agora vocês: vocês que estão lendo esse texto (que espero que não sejam muitos) sabem um pedaço dourado desse palito velho e mastigado que sou. Sabem que, por mais que eu não escreva muito sobre as minhas dores, vocês sabem que estou tentando, primeiramente, acessa-las.

Sei, por fim, que a tendência da curva é sempre diminuir. Hora ou outra, a gente enfrenta o monstro que nos faz sonhar por oito ou nove horas sem parar e, depois, enfrenta o monstro que não deixa a gente dormir. E esse é o ciclo. Por enquanto, o que me resta é, veja bem, manter a fé de que esses dois últimos anos: ou serão esquecidos ou serão lembrados o suficiente para não se repetirem. De agora em diante - digo isso mas a verdade é que não tenho plano algum -, pretendo ser um pouco menos minimalista e deixar os fones se molharem sempre que for preciso.

Uma parte minha que vocês não conhecem talvez seja essa: escrever nunca foi minha primeira opção.

cabeça bagunçada

Sem título

15:14

San Jose Rose Garden | Reading in the Park | California Aesthetic | golden hour | Shot on an iPhone | adventure | wander | wanderlust | aesthetic | California | NorCal | Santa Cruz | San Jose Photographer | VSCO | Friday Phone Dump — Mary O Photography | maryophoto.com



Leia ouvindo: Bitches Broken Heart - Billie Eilish

Está aqui. A página em branco. O tracinho insistente do computador que me avisa que nada está sendo escrito, quase que como uma afronta à minha criatividade que perdeu espaço para meus sentimentos que evoluíram ao estado de putrefação das palavras. Me tornei indescritível - eu não, meus sentimentos - e tentei justificar isso de várias formas possíveis mas a verdade é que eu tenho apenas vergonha e preguiça. Vergonha de enfrentar o oceano extenso de coisas que eu não quero acessar - e durante um tempo eu me culpabilizei por isso mas hoje eu entendo que quando a gente cresce a gente fica mais feio (e mais complexo) mesmo - e preguiça de ter que raciocinar demais coisas que, na minha cabeça, seriam resolvidas prontamente. Mas nunca foram. Eu deixei tudo se acumular e eu nunca resolvi nada e a torre que habitava em mim, que era rebocada com açúcar e gesso, desmoronou de um dia pro outro. Isso, por sua vez, me fez perceber que Aristóteles era fatal quanto sua fala sobre a essência: não importa o quão destruído você esteja, alguma parte sua continua a mesma.

Eu tinha perdido a minha vontade de morrer. Eu tinha me convencido de que a vida é isso e que pra sempre vai ser isso. Eu repeti pra mim mesma que nem tudo precisa de um sentido e que o sentido das coisas não era o motivo que me faria feliz. Fiquei uns meses assim, trabalhando mais pra fora do que pra dentro, e deu certo. Sobrevivi ao ano. Mas o que eu não contava era que, mais cedo ou mais tarde, meu coração ia pedir arrego e sentir falta de todo o drama, de toda a paixão, de toda a entrega - enfim, de quem eu realmente sou. A minha essência é bem escondida e eu demoraria umas duas, três vidas de terapia para que eu conseguisse acessar e não me confortar com as mudanças climáticas do meu humor. Mas eu não tenho duas vidas e tenho só dezenove anos. Eu tenho só um coração cheio de vontades e confusões demais para serem resolvidas em tão pouco tempo. Espero que Deus, se estiver lendo isso - tendo em vista que ele é um leitor ativo desse blog (talvez o único) - me dê bons anos de vida para que eu possa morrer grata. Em contrapartida, espero não viver muito pois eu estou cansadíssima.

De parágrafo em parágrafo, meu olho coça. Começo a entender que na verdade meu problema com a escrita é o começo. O que eu, francamente, acho estranho, pois eu sempre tenho a música perfeita para cada começo e, consequentemente, cada fim que se inicia na minha vida que mais se parece uma série da Netflix. Daquelas que todo mundo fala "eu gostei das primeiras temporadas, mas acho que se perdeu a partir da terceira". E é verdade, espectador; ninguém te julgaria pois eu realmente me perdi em algum momento desse mês que está durando um ano inteiro. Talvez seja o fato de eu não me lembrar muito bem do fim de semana. Talvez sejam as promessas de reencontros. Talvez sejam as mil e uma "bárbaras" que estão conflitando dentro de mim por um espacinho de atenção da minha essência. E talvez seja tudo isso junto atrelado ao fato de que eu não consigo parar de chorar um minuto desde que eu me sentei num ônibus, sem fone de ouvido, obrigada a ouvir minha própria mente. De repente, cheguei em casa e tudo o que eu consegui fazer era dormi - e eu dormi até hoje, quando acordei minimamente ciente de pequenas partes de coisas que eu sinto e decidi que está na hora de ficar mais confusa ainda.

           eva*

Esse ano, se Deus quiser, será um ano indiferente porém intenso. Será um ano sem muitas mudanças mas com mudanças o suficientemente comprometedoras para que eu tenha repertório na solidão. Desde que eu aprendi a falar sozinha, nunca mais fiquei sozinha, e é até meio que divertido minha relação com o espelho. A construção da própria vida é algo que ninguém te fala quando se está na escola e que nem você pensa nisso quando passa no vestibular - e em certo ponto, me sinto falhando como professora por estar no automatismo inerente da redação e por não deixar um post-it em cada nota 1000 que corrijo: "Muito bom! E o que você vai fazer depois?" Pois, afinal de contas, crescer é sobre se perguntar o tempo todo: e agora?

E agora eu espero uma resposta que só vem com o tempo, mas felizmente eu me encontro muito bem aqui nas palavras sempre que escrevo. Por algum motivo, elas são carregadas de futuro e de vez em quando eu gosto de olhar pra elas e pensar que muito do que sou hoje é por conta das linhas tortas que escrevi quando era pequena. Tudo o que faço aponta pra isso: ler e escrever e ensinar a ler e escrever. Não te parece poético? A poesia pra mim é outra coisa que eu gostaria que fosse menos presente, mas é muito. Brinquei outro dia com um amigo que no final da vida eu serei uma coletânea de "Melhores Artistas" de tantas frases que estarão tatuadas em meu corpo. Gosto daquela do Manoel de Barros, e gosto de tantas do Drummond. Mas veja bem, ainda não achei nenhuma da Clarice.

Acredito que, em breve, aparecerei aqui escrevendo sobre amor de novo e sobre todos os sintomas da paixão. Não quero que seja tão em breve assim pois eu estou com muitíssima coisa pra resolver e não sei se tenho tanta paciência assim para coisa-novíssimas. Mas eu não controlo nada e isso é sabido. É sabido também que as melhores respostas vêm quando nenhuma pergunta foi feita e olha só pra mim, o próprio Google Forms. Eu tenho esperança de que cedo ou tarde eu serei obrigada a me colocar no eixo e, enquanto isso não acontece, voltarei a chorar inconsistentemente, na frente do espelho, pelada, na esperança de que Deus (tenho questionado tanto isso, ultimamente) possa preencher esses vazios que reaparecem em todo ano par. Me esqueci que parei de contar em que ano estamos em 2017. Depois disso, tudo tem o nome de "hoje". Mas e agora?

cabeça bagunçada

de novo

07:27



EEDN // Our idea of HEAVEN!! Saturdays are for reconnecting with nature - a nice walk barefoot and a cup of green tea will do miracles! #barefoot #eedntea #eednisreal

Leia ouvindo: Mr. Blue Sky - Eletric Light Orchestra 

Hoje eu olhei pra lua e senti o que sentia quando eu era um feto invertebrado. Hoje eu entrei no mar e senti a fúria que sinto sempre quando preciso reivindicar meu tempo, pois eu sou isso: a luz, a velocidade, a vida. Foi bom sentir pertencimento depois de tanto tempo achando que a solidão é e não é minha aliada. E ela é e não é mesmo, mas depende do ano e depende da época e depende do clima tropical que habita a casa inóspita do meu sangue. Hoje, eu acho (ou achava) que essa pontada nervosa de "ai, ui!" que dá sempre que eu luto contra meus instintos naturais de "ser-quem-sou" se dá devido os longos meses de tentativa de obstruir o que sou. Lutei contra o sofrimento. Lutei contra a diferença. Hoje eu quero todos meus conflitos de volta, do jeitinho que eles são. E é aí que entra a lua: a lua sempre foi a porta de entrada para sentimentos inacessivelmente sóbrios, mas agora que é noite eu percebo o que eu sempre soube: que na verdade eu sou nada e faço aqui o suficiente não para me tornar alguém, mas para alguém se tornar alguém. 

Sou a catalisação e isso me faz pensar: pra onde vai o catalisador? A reação acontece e todo mundo se sente mais substrato, mas, por algum motivo, eu me sinto sempre... estática. A inércia não funciona comigo. Por mais que a lua, o céu, o mar e todos aqueles elementos citados em músicas do Natiruts me empurrem, eu não consigo me sentir mais funcional para o meu próprio propósito. Sou tão passageira quanto o vento (outro elemento), que destrói ou organiza o que toca (se é que toca) e depois, quando eu deixo a luta para aqueles terceirizados da própria vida, eu retorno ao que sempre fui: onda. Bebi um gole de cachaça da minha terra, pinguei duas gotas de colírio e roí todas as unhas que me restavam para eu poder perceber que, vai ano e volta ano, mas eu sempre vou continuar sendo a mesma extensão da natureza que grita, que arde, machuca, mas, acima de tudo, sente. 

Mas esses sentimentos são mais difíceis de serem acessados do que parece. Eu entro em uma roda-viva tão imersa que, quando vou ver, estou acelerada e constante e nada me para. E aí eu paro. E quando eu paro, olho ao redor e percebo que não estou sendo-quem-sou e aí recomeço tudo. Esses sentimentos, por sua vez, enfrentam uma corda bamba de linha de costura, finíssima, frágil, que a qualquer suspiro pode se tornar... dor. E se eu for dor? E se eu for feita para sentir continuamente o braço quebrado, o coração partido, a insistência do amor que nunca-fica? Eu sou feita de mundo, de restos de Terra, e os restos da Terra são feitos de mim mesma. Isso se tornou meu quase inferno, mas o "quase" entrega que existe um suspiro de vida e ah! tem mesmo. Gosto de viver. Viver é amarelo e amarelo lembra a pamonha da minha avó. 

                               midnight-charm: “  “Moonage Daydream” Rianne Van Rompaey photographed by Colin Dodgson for Vogue UK May 2016 Stylist: Francesca…

Esse ano faço 20 anos, redondo, junto com a década. Esse ano eu preciso voltar a ter 15 anos pois sinto uma saudade absurda de quem eu era nessa época - eu era apaixonada pelas formigas, você acredita? - e sinto saudade da delícia que é não saber o que fazer da vida. A dúvida não era amarga, o calor não significava indisposição e eu sentia fome. De manhã eu acordo e estou disfarçada de adulta, quando na verdade eu só sei ser adolescente mesmo. Quando foi que as palavras envelheceram? Não consigo ler Hamlet, não sinto mais tanto gosto pela Bruna Vieira, tudo o que eu queria era uma rede velha e um livro de suspense. Quando foi, Xango, que perdi meu coração pra lentidão? Quando foi que a preguiça de ser tomou conta da vontade de ser arte?

Demoro dias para escrever um texto. Demoro mais oito dias para achar que o escrevi presta minimamente para estar no mundo - tolice a minha pensar, e eu sei disso, que o que escrevo um dia foi meu. Tudo precisa ser tão teorizado e cientifico que me esqueci que o rosto de Deus é um conceito inalcançável. Estou me culpando de tantos poemas diferentes que, no final da vida, minha obra póstuma será meus erros em uma coletânea de capa azul sem título, apenas um carimbo dourado que simboliza a feitura manual de cada desarrependimento que fez de mim a ontologia mais paradoxal da filosofia: tão quente mas tão quente que congela. Fiquei congelada uns anos e agora gasto meu dinheiro com música. Com comida. Com alma. Falta tanta coisa que não coloquei na lista, mas ainda sim, gosto do calor que sobe do cóccix até a medula e sussurra, quando chega ali pertin do trapézio: "moça, tem um tempo ainda, viu?"

Viu. Tem jeito, não. Estou ocupada demais precisando de mim mesma pra aumentar a fila com mais e mais hifens e himens e eu estou tão corrompida de areia que sai água do mar pelo nariz (que delícia), mas eu vou te dizer: não tem, e não tem mesmo, espaço para vazios. Pretendo viver tão intensamente que a língua portuguesa terá vergonha de ser fascista. Vou voltar a ter sede e sentido e vou ser aquela que chora com o eclipse, acredita em todas as entidades possíveis e ama todas as pessoas que cruzam o caminho curto e pedregoso. Aquela criança boba que ninguém suporta pois é agitada ao extremo (mas que, quando para, todos acham que está doente). Estive doente durante esse período de despaixão e doeu, merda, como doeu. Mas agora eu aprendi mais ou menos como esconder isso  e pelo menos posso reconhecer a pequena tentativa de escolher alguma coisa: escolhi, enfim, ser feliz. 

Não tem, e não tem mesmo, espaço para orgulho. 


"Amor"

Quem nunca se foi

07:39

girodentado:  “-  ”



Leia ouvindo: Cananéia, Iguape e Ilha Comprida - Emicida

Fiquei alguns dias dizendo para mim mesma que eu não tenho nada para te falar. De certa forma, eu realmente não tenho - sempre quando começo a escrever, paro no meio pois sou tomada por uma certa insuficiência vocabular que não se aproxima ao que eu sinto, muito menos ao que eu quero sentir. É estranho assistir sua vida de fora e perceber que esse cenário é distante do que eu vivo. Frequentemente, fecho os olhos e me recordo de um presente-passado com uma cama que a gente compartilhava, com as doloridas caminhadas de domingo, com a delícia do anti-alérgico que me permitia dormir um pouco mais. Com você, do lado. Me sentia infinita.
Mas, acredite ou não, não é disso que eu sinto falta. Não sei se é a falta que eu sinto de verdade ou se é apenas o desacostume de viver a vida liberta. Sei que sempre fui uma pessoa muito livre - comigo mesma e até mesmo com os demônios que me habitam -, entretanto, a liberdade que descobri é nova. Como é estranho não estar presa e não estar doendo. É isso que mais me deixa boquiaberta: nada dói. Se doesse, talvez, seria mais fácil denominar todo esse fluxo de consciência e eu poderia falar: "você me machucou..." mas não. Sua ausência foi a luz branca que me abraçou durante todas as noites penumbradas e saber que você me vigia - e te vigiar - me faz querer te tocar apenas para ter certeza que você ainda existe.
Talvez, se você for embora e a gente se tratar apenas como um marca-páginas bonito, talvez, a gente se esqueça e não é isso que eu quero - quero a memória da diáspora e quero a esperança do futuro enquanto eu não conseguir te encaixar nos dois extremos do meu corpo. Meu corpo chora sempre que pensa em você. Admitir isso assim é fraco e eu cheguei muito longe para restabelecer as ladainhas que tanto ignorei todos esses meses. Mas isso fica de lição: não dá para ignorar o que é verdade. E a verdade é que me enfiei no labor de martelar coisas que inevitavelmente vieram a tona. Eu não quero ter que lidar com isso. Quem sabe a Bárbara do futuro encontre as maneiras de sair desse labirinto bem desenhado e enfrente, de uma forma que eu, hoje, não consigo enfrentar, os conflitos entre o céu e o mar que, inevitavelmente, são meus.
Quantos advérbios, meu Deus!
             A brincadeira da melhor perspectiva

Mas eu tenho muita coisa para te contar e, ao mesmo tempo, não quero desenvolver nada. Não quero colocar as palavras em uma ordem, não quero escrever nada que faça sentido. Eu gostaria de encarar a sua presença no ressinto e poder dançar a noite inteira te olhando e sabendo que você me olha também. Quero poder encontrar o sentido da chuva fora do seu quarto e quero apenas pegar na sua mão e me despedir temporariamente pois uma parte minha quer muito te reencontrar - enquanto a outra, revira os olhos sempre que você aparece.
É como se a calma tivesse encontrado um som . Finalmente posso deitar e ter a beatitude de quem vive e vive plenamente em prol da própria vida. Não busco pois cansei de buscar. Entretanto, é revelada a hora de acordar e percebo que ainda é noite, por volta das três. Muito tarde pra voltar a dormir e muito cedo para me levantar. O meio termo é o som do grilo que esqueceu o cobertor do lado de fora - deitada, propriamente acompanhada de mim, ouvindo aquelas vozes-sonoramente-nulas que ditam e ditam e ditam e eu sequer sei de onde vem isso tudo. Enfim, a paz não é a não existência do caos. A paz é o caos sendo resolvido mecanicamente e da forma mais calorosa possível.
Meus conflitos internos, que viraram cartas de amor, hoje, perseguem toda a pele e todo pêlo que tenho mas finalmente encontrei uma gota de resposta. É incrível ser átona. É perfeitamente belo viver em cima da corda bamba que balança para lá e para cá mas o peso nos meus pés e o peso do mundo são excelentemente paralelos e então: fico.
É saudade. É a combinação perfeita entre saudade (boa) e saudade (ruim). É a mensagem que digitei e não enviei (ou pensei e não digitei (ou nem cheguei a pensar)). É a surpresa que me faz sair pulando da aula de literatura. É o "sei lá" que faz, curiosamente, tudo fazer mais sentido. Encontrei, em mim, veja bem, tudo o que precisava para não me sentir afetada com o mundo em si: é o som. O tic tac. A leitura em voz alta que compõe o ritmo das batidas do meu seio cheio e repleto - quando eu achava que eu não seria mais capaz de amar, penso o contrário. Ao contrário, me aparece a fome e a cena de quem está crescendo como um camaleão ou um polvo que fica se adaptando de ambiente em ambiente mas em casa, descanso. Nunca dei tanto valor aos meus olhos fechados - mas como eu gosto de me abrir pro mundo! Seja bem vindo: apesar das mudanças, continuo a mesma.

Tema

12:19




Falar, ultimamente, tem sido mais fácil que escrever. Comecei a gostar da volatilidade que um som, um simples som, tem a descapacidade da permanência. Gosto da leveza dos barquinhos de papel e do poder que eles tem de tornar qualquer abismo mei calmo demais, até como se fosse uma maresia com brisa e tudo mais. Desenvolvo mais. Sou mais fluída e até mais lógica - a ironia, seria se, agora, você percebesse que estou escrevendo igual escrevo normalmente e não me assusta ser tão obstruínte no meu próprio padrão. A cabeça dói de lágrima - que não exigem de mim mais do que um olho aberto e o outro fechado -, estou suada como quem sua quando fala em público e veja, falo muito. Grito em público pois minha voz é alta por natureza e isso me causa uma rouquidão natural que, num passado antigo, resultou no salto de sopranno para contralto mas que agora é meu charme, um charme que quase ninguém percebe mas que eu gosto pois é meio misterioso, meio anasalado, eu falo em segredo o que eu falo em voz alta mas nada sempre é tão claro a ponto de ser óbvio. Eu não sou óbvia. Tanto não sou óbvia que até agora você não sabe do que é essa crônica - ou conto, ou poema-prosa, ou poesia-concreta. Tanto não sou óbvia que minhas indagações não possuem nem trilha sonora, não possuem tema, não possuem letras sequer. É inexistente. É tudo uma interrogação imensa de quem apenas curte a companhia da ladainha que rasteja e planta larvas e nascem insetos que brotam e falam e falam e falam. Possuo grilos de estimação atrás das orelhas quando, na verdade, eu deveria ter as borboletas que cultivei. Cultivei não: mantive em cativeiro pelo medo obscuro de ser o maior pesadelo da vida delas. As asas tão azuis, os brilhos tão ofuscantes, a estática tão emancipada que no fim... morreram de desgosto, assim como eu hei de morrer um dia. De desgosto. Mas continuo meu mistério sem falar de insetos pois minha relação com a biologia é dual pois me casei com ela (sou ser humano) e tenho um caso contínuo com o imaterial porque, como é sabido, eu gosto do que não existe. O inventado é divertido porque é mais correto. O imaginário corrompe a luta mas isso não impede que o estômago crie suas próprias borboletas. Isso não impede que esse texto seja sobre... bom, deixa pra lá.
Hoje, no almoço, comi batata baroa e farofa de couve enquanto conversava com uma amiga sobre Jesus. Depois tomei milk-shake de chocolate. Assisti uma palestra. Tomei uma cerveja gelada. Fui à terapia. Estou aqui. A solução está entre os pontos e conjunções que usei para descrever uma tarde simples e que, veja, me resultou em dores de cabeça, suor e um odor de gente quase desumano. Sinto nojo de mim mesma quando fico em Belo Horizonte até tarde da noite - as pessoas de lá são quase que desesperadas pelo descanso, o que é bom, ao contrário de outra-cidade-que-não-deve-ser-mencionada, onde as pessoas se desidratam pela não-paratitude. Estou esperando uma mensagem de alguém sendo que não há ninguém e, Deus, eu preciso de um banho. Preciso de uma praia. Preciso de querer algo que esteja ao meu alcance pois chega, chega de querer sempre mais e mais coisas que eu não controeo. Ai, cansada! Veja bem, a escoliose da mulher de 19 anos por carregar os próximos 80 anos nas costas é maior que a saudade que eu sinto de conseguir ser linear e mostrar um ponto que é tão simples mas talvez eu sinta tanta vergonha de admitir que prefiro não me comprometer com uma certa interpretação.
Esse texto é sobre parnasianismo? Sim, claro.
É uma crítica contemporânea à necessidade de estabelecimento de uma nova ordem mundial? Pode ser, com certeza. 
É sobre um monstro que habita os alvéolos do seu pulmão? Não garanto. Mas não fumo.
Percebe? É tudo muito misturado. Ao mesmo tempo que me emociono com a criança profundidade de Fernando Sabino, sinto labaredas estranhas e uma solidão repentina e irreal toma conta de todos os pelos de meu corpo. Escolhi pelo agramatical e pelo amatemático. São duas coisas opostas e igualmente erradas. Gosto muito do Arnaldo Antunes e sinto medo de morrer. Meu maior sonho é morrer de morte morrida e abrir o olho e sentir nada. 
Preciso descansar. As borboletas estão agitadas. 

"Amor"

A vidente

17:43

Foto com tule sobre o rosto


Leia ouvindo: Te vi - Tagua Tagua 

Há tempos não dou as caras às palavras. Faz dois meses, talvez três - quase três - que as palavras se tornaram meu objeto de estudo, distanciando ainda mais do que já era um refúgio penumbrado, esquecido, apagado. Mas às vezes me lembro de quem sou. E me lembrando de quem sou, acesso diversos botões que ficam inacessíveis na maior parte do tempo, mas que se envermelhidam quando abro o dicionário e me deparo com uma palavra nova na qual nunca ouvi falar. Minha matéria favorita na faculdade é a sintaxe porque a literatura me destrói - de escritor para me tornar miserável já basta eu.

Mas não irei falar de palavras. Estou cansada - realmente cansada, o que talvez seja o principal motivo para me fazer ter preguiça de escrever - desse pleonasmo, dessa metalinguagem constante que por mais prazerosa que seja, é óbvia. Palavras por palavras e a arte pela arte, mas e eu? Falarei, portanto, da dor constante que me assola e que andei escondendo por trás de pilhas e pilhas de teorias da narrativa e redações para corrigir (se em cada nota que eu dou acompanhasse meu mecanismo temporal e remoto, seria diretora daquela escola pois todos sabem que o que vale é a sua rapidez para falar a verdade). Contarei, por fim, do dia que fui em uma vidente em homenagem à minha personagem favorita da literatura, Macabea, responsável por todos os desastres e desencantos que tenho com a língua. 

Fui numa vidente pois estava infeliz. Essa dor já mencionada, que assola o peito e que costura automaticamente as maneiras de viver com essa dor, estava medicinalmente impossível de ser curada e freudianamente explicável mas sem resoluções concretas. O misticismo me pareceu autêntico, me pareceu certo. Não foi sequer físico. A psique, as onomatopeias, as formas de pensar e até mesmo a densidade do ar era a resposta que eu precisava para a dor que assolava o peito - um nome! um nome, um rosto, um endereço (se quiser eu lhe passo mas você precisa me prometer nunca aparecer lá).

Um dia eu escrevi tanto sobre isso que acabei solucionando o problema do trauma. Já não sentia. Não me lembro das cores, veja bem, das cores das casas, do barulho da rua, não me lembro qual era seu nome completo ou qual linha se pega para chegar naquele endereço (mentira. disso eu me lembro bem). Subi em tantos prédios e não consegui ver nada além de serras. Me senti na catapulta da corrente de convecção que não tem exatamente para onde ir, mas continua e continua e continua numa recursividade infinita sem ponto final. Que agonia! Dor é verbo? Doer é verbo, é sabido. Mas será que não existe um jeito de classificar essas coisas que se fingem de estado mas na verdade são parasitas que se disfarçam de lágrima para atacar de madrugada junto com aquele tesão inexplicável e a mensagem que você não deveria ter mandado?

                    - Grécia antiga -   #   - Milch - #antiga #Grécia #Milch

Eu poderia te classificar como algo recorrente e sólido, mas tenho medo que te padrozinar lhe dê mais importância do que você realmente tem. Você sabe que você é você, não sabe? O jeito como eu sinto e como eu vivo tem mudado tanto que eu não sei nem se eu sou eu mesma, espero que isso não lhe ocorra. Passei anos sendo alguém que não reconheço e talvez o que tenha ficado na escada da sua casa seja uma versão minha que não existe mais. E por mais que essa tatuagem nova grita para ser mostrada (olha pra mim, eu preciso ser amada, sou tão pós-moderna-quebradora-de-padrões!), por mais que cada âmago do meu ser pede por sua aclamação e um certo cheiro no ouvido, eu não sei ao certo quem você é também. Isso deveria me angustiar; mas me conforta - quer dizer que nenhum de nós existiu, então. Quer dizer que as noites que acordei com sede nada mais eram que a falta desesperada que eu sentia de mim mesma. Posso, finalmente, acordar

Não é como se essa descoberta fosse a eureka de minha vida - eu sempre soube que tinha algo errado com você quando eu tentava te tocar e minhas mãos atravessavam os seus braços e você parecia não responder. É mais complexo do que a inexistência - se fosse apenas isso, seria mais fácil, mas sabemos que existe muito mais. Algo não existiu, mas algo foi real e foi avassalador a ponto de fazer todo o resto, que era inexistente, passar a existir. Percebe como éramos fantásticos? Demos vida aos mortos. Fizemos nascer flor onde era puro sereno terroso. Um sufixo não nos limitou e tudo passou a existir. Eu só queria que você tivesse me avisado como é perigoso brincar de Deus, visto que eu sou apenas uma alma penada no seu cemitério de passados sem saber exatamente onde fui enterrada. 

Guimarães Rosa diz que narrar é resistir. E eu narro seus passos diariamente como uma forma de impedir que sua face se apague eternamente do meu subconsciente que assimila pequenas coisas à você (posso citá-las, mas posso deixa-las em branco). Já está se apagando. Sei disso porque outro dia, forçosamente, me induzi um pensamento nostálgico e saudoso e não consigo, juro por deus, não consigo lembrar de nada. A cena era nítida. Entretanto, nada mais que a narração me tocou. Eu sei e resisto, enquanto eu peço pra ir embora, enquanto tu pede para ir embora, enquanto todo o resto do universo espera que eu mande o Guimarães Rosa ir se foder para que, assim, a roda da fortuna passe a se movimentar e eu deixe de ser quem eu sempre achei que fui: e hoje eu estou presa demais nos meus corres para me preocupar em ter 16, 17 anos novamente. 

Escrevo mesmo sabendo que semana que vem voltarei naquela vidente por não ter gostado dos resultados e espero que um carro amarelo me bata com força mas, ao invés de matar, transforme a minha vida como Macabea não teve a chance - seria idiota dizer que eu devo uma boa vida à Maca? Seria inútil assumir que agredi minha própria autonomia em prol de uma realidade que não é minha mas que eu queria tão desesperadamente que fosse para que, assim, pelo menos, fosse escrita? Perdão, Maca, não posso te salvar mais. Daqui pra frente sou eu com meus demônios.

cabeça bagunçada

Texto de avião

14:08


F&O Fabforgottennobility



Leia ouvindo: Eu amo você - Tim Maia 

Não sou quem eu gostaria que fosse. Essa frase foi difícil de escrever não apenas pela estrutura sintática confusa e, talvez, até errada. Mas também porque não sou calvinista e não acredito em destino (mas sei que ele existe aqui e ali). Enquanto o Sol bate e descasca minha pele, sei que a vida é feita de escamas e a cada reza viro outra - algumas vezes gosto de mim e em outras não me aturo. Quem eu sou hoje? me perguntei ontem. Amanhã me perguntarei de novo e a resposta será nova, naturalmente. Eu, que sou eu, tento deixar o tempo passar na minha própria velocidade, mesmo sendo perdida de nascença (nasci e só depois fui ver o que fazer). Portanto, eu, que sou eu, percebo que é inevitável se sentir presa à uma linguagem que conta com 26 letras - amo a literatura, mas ela sozinha é depressiva. Talvez seja por isso que não sou boa em mais nada: pois sou triste. E ao contrário do que pensam, a solidão não faz o poeta. O poeta é feito de portas e a solidão cria janelas a serem puladas. Nem sei mais o que dizer! Me disseram, outro dia, que meus textos salvam vidas e que minha escrita é meu encanto - estão todos tão perdidos quanto eu, graças à Deus! Durante meus curtos surtos de inspiração, fico feliz que eu sou eu e eu encontrei, tão nova, os signos da própria vida. "Vida" não me remete à nada. Mas ontem, quando pensei em morrer - e hoje, que ainda penso -, logo dormi. Vai ver meu estado de natureza seja a inestação e viver seja só um estágio longínquo de experiência a ser adicionado ao currículo. Mas no fim, ninguém te pergunta se estas vivo. Acordei com a mensagem: "Amiga, viveste?" e eu não soube responder. Não respondi até agora. Sigo. Eu que lute. Abandonei, por fim - por gim - a ideia fabulosa de me jogar na janela do hotel e fiquei sozinha com meu próprio abandono. Se não existissem as linhas, talvez, eu seria mais feliz. As linhas são territórios que ultrapassam a minha própria imaginação e, se eu fosse concretista, escreveria um desenho sobre isso (mas como não sou poeta de um mundo caduco, deixo o meu desejo póstumo para Marcus Cardoso). Ouço Tim Maia demais e penso tanto em praia que duvido da liberdade, mesmo que tardia. Sou tão criança que me comparo à minha mãe e, ao mesmo tempo, aos filmes que vejo. Sou o reflexo de um espelho sobrenatural e extinto, talvez, extinto por mim mesma. Filosofo tanto que a cada interrogação morre algo novo em mim - perdi as contas de minhas desistências, inclusive, insisto em desistir de pessoas (iguais) todos domingo. É a saudade. Mas agora vai; acabou mesmo. Sou nova e até comprei um esfoliante para renovar as células pois se eu fosse esperar 7 anos para isso acontecer, morreria afogada na minha própria sujeira. Sou alguém que gosta de pontuação pois símbolos são necessários para afirmar o que a mente, sozinha, não entende. Por isso faço tantos rituais - queimo o literal do passado, realizo bruxarias, enfeitiço meu corpo com sal e água. Os pontos, portanto, marcam o que as palavras deixam soltas e eu, que sou eu, insisto em deixar a responsabilidade do fim para o próprio fim. Ele que se termine.

             Veja como fazer fotos sozinha em casa!! #fotos #inspiraçãotumblr #fotostumblr #tumblr