Me desculpa incomodar, mas esse é pra você. Você vivia reclamando que não entendia os textos que te escrevi, ou que nunca sabia que era pra você. Então, finalmente, aqui está. E estou avisando que é pra você, para você não pegar indireta errada, ou até mesmo, outra pessoa receber o que nem é pra ela. Portanto, sente-se, pegue um café, ascenda um cigarro e não leve tão à sério assim o que eu vou falar. Pode demorar um pouco.
Primeiramente, eu quero saber: O que aconteceu entre a gente? Quero entender alguns fatores que contribuíram para nossa suposta separação (digo suposta porque não acho que a gente chegou a ficar junto). Eu sei, fui eu que terminei. Mas o que você não entende é que eu sou a pessoa mais inconsequente do mundo, e isso nunca vai mudar porque eu não quero mudar.
Eu gosto de me arriscar, e é assim que eu sou. Eu vou errar, vou acertar até eu aprender a não colocar a mão no fogo mais. Sei que você não entende isso, já que as coisas sempre aconteceram do seu jeito. E infelizmente, eu errei muito com você e isso não tem volta. Mas o que eu posso fazer? Não me arrependo de nada. Acabei aprendendo, de erro em erro, que se arrepender não adianta. Fiz, nunca mais vou fazer de novo. Seria muito bom se você acreditasse nisso.
Sinto muito por ter ido embora. E por mais que a gente iva se despedindo, você sabe como a gente termina. Dançando Daft Punk em algum lugar da cidade, e rezando para que aquele momento não acabe. Pelo menos, é assim que eu me sinto. A gente briga, beija e briga de novo. Fala adeus, fala "oi, saudade". Sei que você está cansado dessa história, e acredite, eu também estou. Cansada de te procurar em cada canto, pensar em você toda hora, chorar no meio da aula por saber que você não me merece o suficiente. Não vou mentir, sinto sua falta o tempo todo, todos os dias. Não queria que as coisas acabassem assim. A gente ainda tinha muita coisa pra viver.
Lembra a nossa casa em Santos? Nossa viagem pra Fernando de Noronha? É, era um sonho. Talvez ele nunca irá se realizar, ou talvez se realize com outra pessoa. Mas o que você não pode tirar de mim, é o que eu guardo de você. Tem coisas boas, coisas ruim. Mas tem você, entende? É tudo o que eu preciso daqui pra frente.
Sei que, provavelmente, você não vai ler isso aqui, até porque você mesmo disse inúmeras vezes que vai me esquecer. E eu também vou me esforçar ao máximo pra isso. Vou me procurar em bares, lugares, abraços, risadas, sorrisos alheios que não me pertencem, até encontrar o caminho para mim mesma. É difícil te esquecer, sendo que o gosto do seu beijo persegue meu dia-a-dia sempre que minha mente se esvazia. Mas mesmo sem querer, terei que dizer adeus para isso que a gente nem quis dar um nome. Eu e você?
É. Era só isso.
Me desculpa por não ter te amado na hora certa. Você me conheceu em uma época estranha da minha vida, onde eu não fazia ideia de onde eu estava. Desculpa por ter te amado tarde demais. Quem sabe um dia, a gente volte a se encontrar nessas festas estranhas com gente esquisita que você tanto parece gostar.
Nossa música tocou no rádio. Me peguei cantando em silêncio e um sorriso era claramente visto no meu rosto. Me imaginei no banco de trás do seu carro, me despedindo do passado e começando tudo de novo. Mas quando acordei, estava indo para casa, esperando o próximo ônibus chegar. Talvez ele chegue, talvez ele já estava lá.
A partir de hoje, eu não sei mais o que vai ser.
Mas a certeza eu guardo no coração, de que nós nunca vamos envelhecer.

The Chainsmokers - Closer ft. Halsey





                         

Não é tão simples, ou tão rápido quanto pronunciar a própria palavra. "Esquecer". Deixar de guardar as memórias, na nossa típica caixinhas de segredos, é como tirar um pedaço da nossa carne frágil. Da nossa alma frágil. Quer dizer, a gente pode até continuar mantendo as lembranças, guardando-as dentro da gente. Mas pode ser que machuque ainda mais. Pode custar um futuro inteiro.
A vida tem sido uma tremenda confusão (para não dizer "puta") desde que tranquei meu coração. Tirei o último vestígio do meu passado lá de dentro e nunca mais deixei ninguém entrar. Não foi uma escolha. Por mais que eu tente, o escudo que protege meu coração está bem rígido, e não é qualquer um que conhece os segredos para entrar nele. Não, isso não é tão bom assim. Mas devido as circunstâncias, essa deve ser a melhor solução no momento.
Tinha esquecido o que significa esquecer, e pude entender que é uma tarefa árdua. Aprendi que, por mais que eu tenha uma memória horrível, meu coração ainda insiste em me lembrar todos os dias, que sim, os sentimentos ainda estão lá, e vão continuar lá até que eu faça uma faxina e elimine o que não presta mais. E eu vou ter que deixar esses sentimentos de lado, para começar uma história nova. A história que eu sempre sonhei em viver.
As raras fotos, eu tive que queimar. As milhares de cartas que eu guardava na última gaveta da minha cômoda, eu rasguei junto com os pedacinhos que restaram de mim. Eu estou completamente perdida no meio dos sentimentos que eu guardo, e que são tanto que eu nem consigo identifica-los.
O amor é a arte que nos preenche, e ter que esquecer disso faz parte. Já passei da idade de acreditar que o infinito existe mesmo e ficar esperando que o "felizes para sempre" saia dos contos de fadas. Mas vou ter que deixar meu príncipe encantado partir, para descobrir a verdadeira rainha que sou. Às vezes dói, arde, corrói. A lágrima chega acair, e quando você percebe, você está desmoronando entre as palavras que nunca foram ditar. Ou até mesmo, as que foram ditas, mas não correspondidas.
Sei que algumas coisas não tem volta. Sei que o passado pode nos confortar às vezes. Mas chega em uma hora, que precisamos acordar do nosso sonho profundo, e transforma-lo em realidade. A realidade dói. E não se engane quando te disserem que amar é simples. Amar contém outras coisas no pacote. E quando você aprende isso... Pode ser tarde demais.
Mas um dia você vai acordar e perceber que você simplesmente esqueceu.
Já faz um tempo que encaro o papel em branco, com essas linhas azuis e a caneta preta tampada, esperando alguma palavra surgir no meio do museu que acabou ocupando grande parte da minha cabeça. Eu fechei meus olhos, coloquei uma música para tocar e deixei o som entrar pelos meus ouvidos, como se quisesse reocupar algum lugar dentro de mim, já que grande parte do meu corpo foi tomado pela indecisão.
Decidi escrever sobre você. De repente, o shuffle começou a tocar a nossa música. Quero dizer, a música que costumava ser nossa. Uma lágrima caiu em cima da minha bochecha, mas isso tem sido normal desde que você foi embora. Fiquei alguns meses sem lembrar seu nome, sua identidade, seu endereço. Mas você me conhece, eu não consigo ficar muito tempo longe. É complicado, até porque eu quero ir embora para bem longe de você, mas eu acabo voltando no meio do caminho.
Uma vez eu li a definição de amor: "Querer muito matar uma pessoa mas não fazer isso porque sabe que vai sentir a falta dela". E nesse momento, o seu rosto apareceu nos meus pensamentos como um flashback, e acabei lembrando de um dia. Um dia em especial, mas prefiro não falar que dia foi esse. Mas foi um dia muito especial para o meu coração e claro, para os textos ruins que sempre acabo escrevendo sobre você.
Não que eu te ame. Quer dizer, não sei se devo admitir isso agora ou espero você admitir primeiro para ver quem ganha o joguinho do orgulho (que eu, particularmente, detesto). Mas acho que agora, nesse momento, nós não precisamos de um sentimento em comum para rotular o que a gente tem. Amor? Gostar? Um sentimento intenso baseado em música, filmes e beijos? Não me importa, não interessa. Eu só não gosto de guardar coisas tão boas como a gente, em segredo. Mesmo sabendo que felicidade oculta dura mais, mas eu não quero mais ter que segurar esse meu sorriso frouxo toda vez que te vejo. Não quero mais ter que segurar minha vontade de te abraçar, não quero mais ter que dizer: "Não, somos só amigos."
Qual é! Todo mundo sabe que não somos só amigos.
Tudo bem, eu espero. A gente não precisa namorar, casar ou simplesmente "ficar sério". A gente não precisa de mais nada. A única coisa que me machuca é saber que o meu coração ainda é tão distante do seu, e que eu ainda acabo sentindo pelos dois. Mas tudo bem. Desejo coragem para quem nasceu para sentir demais.
Bom... Parece que eu consegui escrever alguma coisa. As palavras fluem quando falo de você, parece que elas gostam de ser escritas. Só te peço um favor, pode ser? Não vai embora não. Ainda tem muita coisa para a gente viver. Mas deixando bem claro, que eu não amo você.
Ainda não.


Nova Lima, 8 de Julho de 2016
Caro Fulano (a identidade do sujeito será oculta devido ao orgulho e o pingo de dignidade que ainda me resta)
Sinto que não tenho mais intimidade o suficiente para te chamar do seu famoso apelido, por mais que eu queira muito (é um apelido bacana). Estamos ocupando o mesmo espaço, mas meu coração sufoca e preenche o vazio do quarto. Que quarto, afinal?
Engraçado que, por mais que o tempo passe, sempre que voltamos a nos falar, sinto que nada mudou. E sinceramente, isso é uma bosta. Fico achando que quando você está longe, eu estou mudando - para melhor. Mas quando você volta, os arquivos que eu mantinha na minha cabeça chamados "O que fazer e o que não fazer a partir de agora" são simplesmente queimados e esquecidos. E quando eu estou com você, a única coisa que eu sei é respirar e lembrar do que um dia já foi plural.
Não sei qual será o nosso futuro (quero dizer, ainda existe um "nós"). Mas eu detesto ter que admitir que depois desse tempo todo, eu ainda estou dentro de você. Não. Errado. Você está dentro de mim. Eu devo ter pego o primeiro trem para o lugar mais longe do seu coração, e pelo jeito, eu nunca mais vou voltar. Eu nunca quis partir, mas você me convenceu.
Isso não é uma carta de amor. Não existe amor entre a gente. Existe um coração que pulsa, que pesquisou significado para essa palavra, mas só encontrou portas trancadas. E existe um segundo coração, que esconde um mistério debaixo dos discos, dos filmes, das histórias que a gente tinha para contar. As cartas que, um dia sim, foram de amor.
Talvez, ao ler essa carta, você ria em voz alta, de tal maneira que toda a vizinhança escute. Mas eu não consigo mais guardar tanta angústia e mentiras dentro de mim. É triste perceber que o tempo não espera o fim do seu orgulho, e eu também não. Entendo que não sabemos o que estamos fazendo e que eu preciso aprender a controlar minha ansiedade. Temos tempo, ainda é cedo. Mas vai ver, eu realmente mereça um amor melhor.
Você sabe bem do que estou falando. Você, assim como eu, conhece essa história como a palma da sua mão. E eu sinto muito por sempre apertar na mesma tecla, cometer os mesmos erros e insistir demais em algo que é completamente impossível. Eu queria te pedir pra voltar, mas eu preciso te deixar ir. Preciso que você abra suas asas que você esconde atrás do seu sorriso tímido que eu tanto amei um dia, ou atrás dos seus gostos peculiares que tanto se parem com os meus. Poderíamos voar juntos, mas eu entendo que agora temos rumos diferente à seguir. Norte e sul. Quente e frio. Queens of the Stone Age e Arctic Monkeys.
Sei que vai demorar pra tirar o gosto do seu beijo da minha boca. Sei que pode demorar até eu me apaixonar de novo, por alguém melhor que você. Você tinha razão, eu sou realmente incrível. Não deveria me contentar com tão pouco. Por isso, estou deixando você ir. Ainda vou - tentar - ser sua amiga, e estarei aqui sempre que precisar de mim. Mas por favor, não precise.
Querido Fulano. Daqui a pouco volta a esquentar e as flores começam a florescer novamente. Sei que minha presença não é lá a coisa mais indispensável do mundo pra você, portanto essa "despedida" vai ser só mais um detalhe na sua vida. Mas saiba que pra mim não é fácil dizer adeus, principalmente pra você. Você continua sendo o melhor cara no qual eu me apaixonei, e é uma pena não ouvir o mesmo como resposta. Um dia eu vou poder te mostrar o quanto eu mudei, e você vai perceber o tempo que perdemos. Mas tudo bem. Tanto faz.
Pode ser que eu suma por um tempo, mas pode ser que eu decida ficar. Tudo depende da sua resposta. Mas se eu ficar, por favor, não me faça ir embora de novo. Me faça ter algum valor dentro de você, e não brinque com meu coração como se ele fosse um iô-iô. E também, não vá embora por livre e espontânea vontade. Não sei o que farei com os meus restos que sobrarão.

Com amor,
Bárbara M.D.



É assim. É sempre assim. O tempo passa, as pessoas somem de repente, eu acabo me modificando. A gente apaga os sentimentos de dentro da gente ou apenas tenta esconde-los. Não, isso nunca dá certo. O relógio da cozinha estragou e por causa disso eu sempre chego atrasada nos lugares. Não que isso signifique alguma coisa, mas o tempo demora tanto para passar.
Eu espero. Tenho uma mania horrorosa de apressar as coisas e não deixar o tempo tomar conta da situação. Estou trabalhando nisso, controlando esse coração que não para de bater. Nunca vi um coração bater tanto quando o meu. É o tempo todo, toda hora. Estranho, né?
Acho que o meu problema é nunca saber o que fazer. Eu me esforço, eu tento, sempre dei o meu melhor. Mas parece que tudo isso está longe de ser o suficiente. Meu futuro continua distante (isso pode ser coisa da minha cabeça), meu presente está meio de cabeça pra baixo, e meu passado, ah, o meu passado...
Pode ser que a solução seja só esperar as coisas se resolverem, já que não há mais nada o que fazer. Ir com calma, assistir mais o pôr do Sol, ver menos documentários violentos. Dar tempo ao tempo, para ele mesmo se decidir. Não sei se tudo o que eu faço seja o melhor caminho a se seguir, mas eu cheguei num ponto onde eu não tenho mais escolhas.
Procuro as respostas, quando nem ao mesmo sei as perguntas. Percebem minha confusão? Não tenho culpa disso. Preciso de tempo para me organizar e me permitir começar essa história do zero. Talvez, quem sabe, do menos um. Mas eu espero. Não que seja fácil controlar um coração selvagem como o meu, que sai por aí "amando" o primeiro que estende a mão e diz: "Eu gosto de Arctic Monkeys, Wes Anderson e How I Met Your Mother". Meu coração é voraz, veloz, devorador.
Mas eu espero.
Nesses últimos seis meses, onde o mundo mais pareceu um tabuleiro de jogo da vida, eu tirei umas cartas ruins e acabei indo para trás. Voltei umas casa. Mas no fundo, eu só queria voltar para o começo. Jogar os dados de novo, ver se eu tenho sorte. Parece que estou em algum tipo de livro, esperando algo acontecer. E eu continuo na mesma merda de página.
No começo, esse texto era pra ser sobre o tempo. Mas parece que ele acabou se transformando num texto sobre a espera, e a minha ansiedade em ver as coisas darem certo. Enquanto eu peço aos céus paciência para aguentar isso tudo, a vida me dá oportunidades para treinar a espera. E além disso, nesse meio tempo, escrever vem sendo um desafio enorme, já que não consigo organizar o que eu penso, ou o que eu sinto. Ou os dois. Portanto, esperem até que eu me entenda de vez. Juro que não vai demorar muito. É só uma questão de tempo até tudo voltar ao "normal".
E eu? Ah, eu espero. Só ainda não o que.



Hoje é dia 3. Faltam 18 dias para o meu aniversário, mas quem está contando? Eu parei de contar datas desde que eu perdi todos os meus motivos para esperar. Esperar o que? Algo dar certo? Há 15 anos eu espero um motivo para contar datas. Até então, eu só encontrei o meu envelhecimento precoce, onde minha cabeça tem 99% de preocupações de adultos, enquanto eu deveria me preocupar só com notas ou com corações partidos. E então, eu percebi que corações partidos não dão conta de preocupações adultas. 
Já fazia um tempo que eu não conseguia escrever. Um, talvez dois meses. Meus livros continuam parados nos mesmos capítulos. A minha história perdeu a personagem principal. Ela meio que saiu pra tirar ferias, e não está muito afim de voltar. Afinal, quem quer voltar pro mundo real?. Eu queria poder fazer isso, entende? Fugir da minha própria história. Mas é complicado fazer isso quando você nem ao menos sabe que história é essa.
Eu achava que isso de não conseguir escrever era porque eu estava feliz. Estava tudo bem, organizado. Achava que as coisas iam, enfim, darem certo. Mas então eu descobri que essa dificuldade de escrever vem da minha sensação de ser preenchida por um grande vazio. Não saber o que realmente há dentro de mim. Estava tudo bem. Mas aí chegou uma tempestade e bagunçou tudo de novo. Os sentimentos voltaram, alguns se revoltaram. E onde está minha razão nisso tudo? 
É, eu voltei. Voltei a ficar perdida, confusa, sem saber o que fazer da vida. E agora, nesse momento, eu só quero que as coisas voltem ao normal. Só quero voltar a poder sentir o que eu realmente quero sentir, sem nenhum obstáculo no meio. Sem orgulho, preocupações. Futuro? Se futuro fosse bom, se chamaria presente. Oh, espera. Acho que não é esse o ditado. 
Volta. Sentimentos recíprocos, momentos bons, risadas, sorrisos sinceros, música boa. Onde clica pra isso tudo voltar? Onde clica para eu acordar e perceber que essa história não passa de um pesadelo horrível? 
Eu preciso tomar uma decisão. Eu preciso lutar pelo o que eu quero. Mas e se o que eu quero nem sempre é a melhor escolha? São tantas perguntas e ninguém pra me dar uma resposta! Estou sozinha de novo. De novo, de novo e mais uma vez. 
É muito fácil escrever um texto sobre minha desgraça. É fácil falar disso ou aquilo, sendo que meu coração parece um carvão. Queimado, preto, duro. Não que eu não consiga sentir mais. Eu sinto, até demais. Esse é o problema. 
A conclusão é que eu só quero sumir. Quero desaparecer e não avisar pra ninguém disso. Pegar o trem das onze, com meus fones de ouvido, meu livro favorito do Machado de Assis e nunca mais olhar pra trás. Já tentei começar do zero umas quinhentas e quatro vezes. Vai ver é por isso que eu nunca vou pra frente. Eu estou sempre recomeçando. Pode parecer drama de canceriana, mas do que adianta ficar se sou mais uma figurante nessa história? E que história? A minha, a dele, a nossa (não sei se ainda existe "nós"). Sou uma figurante na minha própria história. 
E olha que eu nem sei que história é essa. 



Parece que, de fato, os tempos estão mudando. Está frio, aquela árvore lá perto de casa finalmente floresceu, meu coração respira novos ares. Nem parece que existe um futuro me esperando ou que meu presente é temporário.Tudo parece eterno. As risadas, os choros, as dores. Eu não paro pra pensar que daqui a pouco eu vou completar 16 anos (não que eu me orgulhe disso), e eu não faço a menor ideia do que eu estou fazendo com minha vida.
A sensação de estar perdida acabou indo embora. Sei onde estou, o que está acontecendo e que não há nada mais que eu possa fazer. Eu só não ligo mais pro que vai acontecer daqui pra frente. Não consigo escrever aquelas textos cheios de emoção que me fazem chorar ao escreve-los. Mas vai ver, eu estou tão ocupada não sentindo nada, que acabei esquecendo de expressar isso com palavras.
Mas afinal, não sentir nada também é sentir alguma coisa, né? Por exemplo, eu não sinto mais a mesma emoção que sentia quando olhava o pôr do Sol, quando pensava nas águas do mar ou ouvia uma música do Seafret. Não sei se isso significa que estou abandonando os sentimentos imaturos que eu carregava dentro de mim (mais conhecido como "esperança"), ou se alguma parte minha acabou morrendo, de tanto se machucar.
Meu coração está calejando, crescendo. É uma pena ter que abandonar toda essa sina de adolescente apaixonada para começar a ter que usar mais a cabeça para tomar as decisões. Ir com calma, entende? Não sei fazer isso. Não viver tão intensamente. As responsabilidades acabam batendo na nossa porta e você não pode tentar resolve-los baseado só no que você está sentindo. Depois de um tempo, o amor passa a ser insuficiente.
Crescer dói. Deixar nossa casa, nossa família e amigos é o mais fácil do processo. Quer dizer, o menos difícil. O mais desafiador é ter que deixar quem a gente era. Jogar fora todo o rascunho e começar a escrever a história original. Claro, algumas coisas vão mudando. Mas com o tempo, a caneta escorrega no papel e viver começa a ser divertido. É complicado deixar nossas origens para trás, quando nem se sabe o caminho "certo" a seguir. Mas a gente sabe que tudo sempre dá certo no final. É um questão de tempo até o tempo se ajustar e se alojar direitinho dentro da gente.
E pelo jeito, vou ter que abandonar meu clichês se eu quiser chegar à algum lugar.