Sei que às vezes tudo pode parecer perdido. Talvez, a sua cabeça esteja tão superlotada quanto seu coração e tudo o que você precisa fazer é deitar na cama e não sair nunca mais. Você se sente incapaz de continuar e tudo lá fora parece um grande obstáculo. Acordar é um desafio diário e sobreviver à um dia que seja parece impossível. Quando o relógio bate meia-noite e o encanto da Cinderela se desfaz, você precisa juntar seus caquinhos e lavar a máscara desgastada que você usou o dia todo, ou seja, voltar a ser quem você realmente é. Sei que às vezes tudo parece o fim do mundo e que essa dor que cutuca seu peito parece eterna.
Mas o texto de hoje é sobre fases. Ou sobre respeito. Ainda não sei.
De um tempo pra cá eu venho percebendo que sou uma pessoa bastante cíclica. Cada semana que entra vem junto com um questionamento diferente e de brinde, uma crise existencial fodida que não vai embora até eu ir no psicólogo e chegar à alguma conclusão sobre aquele assunto. Por esse e outros motivos eu vivo em um livro de filosofia constante, e piora sempre que a TPM chega ou eu vejo um filme novo muito complexo. Muitas vezes, esses questionamentos mexem muito com todas as minhas estruturas e minhas certezas, me fazendo acreditar que eu não sou suficiente para nada nesse mundo Eu acabo encontrando pessoas fazendo milhões de coisas incríveis e eu sempre penso que eu poderia ser melhor. "Se fulano consegue, por quê eu não conseguiria?" Mas sabe de uma coisa? Não conseguiria, não.
Carregamos o fardo que deveríamos estar sempre fazendo mais, sendo mais, mas ninguém nunca percebe o quanto já trabalhamos e ralamos pra fazer aquele pedacinho que é um grande tesouro pra gente. Carregamos em nós a culpa de ficar deitado o fim de semana inteiro, com a sensação de que estamos sendo inúteis para o mundo. Ultrapassamos nossas próprias limitações para chegar em algum lugar, sempre um passo à frente do outro. E quando chegamos lá, chegamos extremamente exaustos e sem muita saúde mental nem física. Chegamos num ponto onde nosso desgraçamento mental não parece ter tanta importância assim, desde que tiremos notas boas, consigamos dinheiro o bastante e pareçamos felizes o bastante para causar inveja alheia. É tanto desejo por coisas fúteis que acabamos não nos tornando fúteis, mas sim, coisas.
Não precisamos ser mais inteligente, mais bonitos ou sei lá. Precisamos entender que cada um é um universo diferente que apresenta determinados limites que precisam ser respeitados, e a única pessoa capaz de respeitar isso é você. E está tudo bem ser bom em uma matéria mas ser um fracasso na outra. Está tudo bem ser uma pessoa mediana, o mundo não vai cair se você não for o melhor. Afinal, nós nunca vamos ser o suficiente para todo mundo. A questão é sempre encontrar o meio termo pra tudo, para que nada fiquei leve demais ou pesado demais. Excessos ou restrições sempre fazem mal (menos o amor próprio, qualquer litro disso ainda é pouco).
Então, da próxima vez que você tiver vontade de deitar na cama e não sair nunca mais, faça isso. Ligue a TV, veja um filme, ouça o álbum novo daquela banda. Mas respeite a sua fase e não tente sair dela de modo algum. Assim como os momentos de indisposição, momentos ativos também vão surgir. Faça deles o que quiser, do modo mais produtivo possível. Mas lembre-se de que tempo é algo totalmente relativo, e que você não pode sair de você mesmo. Você não vai a lugar algum.
E eu te garanto, de pé juntinho e de dedinho, que vai ficar tudo bem. As coisas não precisam dar errado o tempo todo.

Leia ouvindo: FourFive seconds - Paul McCartney, Kanye West, Rihanna 

Dessa vez eu prometo de pé juntinho que esse não vai ser mais um quadro que eu começo e paro de fazer dois meses depois. Talvez isso de sempre começar algo e nunca terminar seja um defeito bem grande meu? Talvez seja, mas a gente guarda as partes pessoais e psicológicas para os textos que a gente posta outro dia, não é mesmo? Mas hoje, eu vim aqui apresentar pra vocês o próximo quadro que entra em cena esse ano (e quem sabe nos próximos) para ajudar vocês na hora de fazer uma seção da tarde com os migos ou um cafofo com o amorzinho.

Senhoras e senhores, com vocês, o Movielist 2017! essa palavra era muito mais legal na minha cabeça

O Movielist 2017 é um espaço que eu abri aqui no bloguinho para falar de uma coisa que eu amo de paixão: filmes. E não é porque eu tô no segundo ano do ensino médio que eu vou abrir mão de ver aquele filmezinho no final de semana agarradinha no cobertor bebendo uma xícara de café quente. Eu, como uma péssima escritora, prefiro muito mais ver um filme do que ler um livro. Julgue quem quiser, mas uma coisa não podemos negar: ver um bom filme é bom pra caralho.

Ok, de qualquer maneira, eu vou selecionar alguns dos filmes que eu vi no mês e fazer uma crítica aberta e nada profissional aos mesmos. É claro, não vou escolher apenas os mais tops, mas sim todos aqueles que eu acho digno de uma crítica. Lembrando que QUASE NENHUM DOS FILMES FORAM LANÇADOS NESSE MÊS, pode acontecer que eu selecione algum que ainda esteja passando no cinema, mas é bem raro já que eu não tenho nem dinheiro nem tempo pra isso ultimamente.

1- Lolita (1997) 


Dirigido por Stanley Kubrick em 1962 e por Adrian Lyne em 1977, Lolita é uma adaptação cinematográfica do romance de Vladimir Nabokov que leva o mesmo título, publico em 1955. O enredo da história gira em torno de um professor de literatura chamado Humbert Humbert que tem lá seus 50 e poucos anos, e que se apaixona perdidamente por Dolores Haze (posteriormente chamada de "Lolita" pelo protagonista). Estaria tudo bem se Dolores não tivesse apenas 12 anos de idade e os dois forem sexualmente envolvidos. Lolita foi uma obra bastante polemica para a época e ainda é considerada uma das maiores obras literárias do século XX, entrando pra lista dos 100 melhores romances da língua inglesa pela Times.

É uma obra bastante delicada de se analisar superficialmente pois há interpretações e interpretações. Ao meu ver, Lolita não é uma história de amor. A gente não está falando sobre um casal que se conhece e se apaixona e vivem felizes para sempre. Estamos falando de uma criança e sobre um homem que criam um vínculo abusivo e extremamente possessivo. A ingenuidade de Dolores é interrompida pela falta de bom senso de Humbert ao não finalizar a relação platônica que ele tinha com ela ao perceber que era loucura. E tudo bem, todos nós encontramos romances ao longo da vida que consideramos loucura, mas não de uma forma tão infantil (literalmente) e inconsequente. 


De qualquer maneira, Lolita é uma boa obra. Gosto de pensar que ela foi escrita mais como uma forma de crítica do que como um relato pessoal, até porque isso seria doentio. Esteticamente, a fotografia do filme de 1997 se aproxima bem ao contexto do enredo, abusando de tons pastéis o que remete à genuinidade e à infância de uma forma discreta. A trilha sonora também é leve e caracteriza bastante esse ar angelical de Dolores. Talvez essa estética tenha feito parecer que o "romance" que estava acontecendo ali não era tão errado. Mas acredite, está tudo errado. 

2 - Sing Street (2016)


Lançado em março do ano passado e dirigido por John Carney, Sing Street é um típico filme hipster dos anos 10 que faz você se apaixonar pela trilha sonora e pela personalidade dos personagens e provavelmente te fazer apaixonar pelo protagonista. Mas não, talvez Sing Street seja mais que isso. A história de Sing Street começa quando a família de Conor decide transferi-lo para uma escola tipicamente católica. Nem um pouco popular, ele já chega sofrendo bullying e ameaças de até mesmo do próprio diretor da escola, e o seus pais que vivem brigando não colaboram muito. Mas as coisas começam a melhorar quando ele conhece Raphina, uma modelo que vive esperando sei-lá-quem na porta do colégio de Conor. E então, para impressionar a garota, ele a convida para participar de um video clipe de sua banda. Só que existe um detalhe... Que banda? 

Começa então a história de Sing Street, a banda que só começou a existir por causa de uma garota. Ao longo do filme, as prioridades da banda vão mudando e eles realmente começam a respirar música. Conor sofre uma grande influencia musical de seu irmão mais velho, o que influenciou bastante na criação da personalidade acústica e lírica da banda. E também, seus conflitos com o diretor da escola não acabam e a revolta dentro de Conor só aumenta à medida que ele vai se encontrando em si mesmo e mudando a sua personalidade para algo não muito... comum, digamos.


O modo que o filme retrata o rigor existente dentro desses tipos de colégio é muito interessante, o que levou até o surgimento de um posterior protesto criado por Conor. Além de retratar explicitamente o bullying existente nas escolas, o filme mostra a melhor maneira que existe de como lidar com ele. O desenrolar do conflito é incrível e o final é chocante, sério. Não vou falar mais nada sobre a história porque vale muito a pena conferir de pertinho (mas se não for tudo isso, lembre-se de que foi você quem criou expectativas). Fotografia ótima, combinando bastante com o cenário punk-rock de Dublin e a trilha sonora igualmente linda, mas triste. É tudo triste. 

3- C'est Pas Moi, Je Le Jure! (2008)


Essa é a parte que eu confesso que pago bastante pau para filmes franceses. E como sempre aconteceu com os demais, com esse não ia ser diferente. Dirigido por Philippe Falardeau e lançado em 2008, o filme conta a história de Léon Dóre, de dez anos de idade mas já é cheio de problemas. Quando era menor, Léon sofreu um acidente que quase o matou enforcado e isso gerou muita culpa em sua. Sua mãe que, por sua vez, vive brigando com seu pai e coberta o filho nas tretas contra a vizinha quando ele jogo ovos na casa dela. Ela sempre o ensinou a mentir, porque talvez, isso seja o que ela saiba fazer de melhor. Anos depois, a mãe de Léon decide se divorciar e foge para a Grécia para tentar uma vida nova longe de toda essa confusão que ela chamava de "vida". Abandonou tudo: casa, emprego, marido e até o nosso Leónzinho...

Ao longo do filme, León revela ter um coração imenso. Coberto de saudade da mãe e apaixonado por uma garotinha que conhecera na escola, ambos tentam fugir. Mas é claro, não dá certo. Eles tem apenas dez anos. Mas isso foi o suficiente para revoltar a família de sua amada e o impedi-la de conviver com ele por um longo tempo. O coração de León fica ainda mais partido e, consequentemente, o nosso também. Mas calma, meus amigos, ainda não chegamos na parte boa. 


O filme relata bem os sentimentos de crianças que nem sempre os adultos dão atenção. É interessante perceber que existe um pedaço de León rejeitado em cada um de nós e talvez tenha sido isso que me fez chorar litros e litros. Tente reparar a curva de seus sentimentos durante o filme pois eles vão variar desde raiva até compaixão e acredite, está tudo bem ficar tão instável assim. O filme é uma verdadeira montanha-russa que, se pá foi criada para nós descobrirmos o pior e ao mesmo tempo o pior de nós mesmos. Cada trauma e cada conquista que a gente enxerga ali é algo que existe dentro da gente e que, de alguma forma, a gente tentou esconder até aquele momento. Obrigada, Léon! 


Acho que a partir de hoje podemos dividir Bárbara Morais em duas fases: antes de Girlboss e depois de Girlboss. Se você ainda não viu essa nova série original da Netflix, você deveria parar de fazer o que você está fazendo e dar o seu clique lá porque sério, é a melhor série que a Netflix já produziu. Sendo uma extensão do livro #Girlboss, a série conta a história de Sophia Amoruso, dona da marca de fast fashion Nasty Gal, oficialmente fundada em 2008. Podemos notar que, desde cedo, Sophia sempre foi uma garota de personalidade e emponderada. Por isso, ela quase nunca conseguia permanecer em um emprego fixo. Após ser demitida em uma dessas, Sophia decide usar o seu dom de transformar peças ordinárias em peças incríveis e funda a sua própria marca. Claro, depois de muito ralar duro e enfrentar um monte de loucura por aí.

Justamente por ser uma série cheia de personalidade, Girlboss exige uma playlist única, e é aí que eu entro na história. Ao longo da série, eu fui reconhecendo várias músicas e me apaixonando por outras novas. E como eu sou uma ótima pessoa que gosta de compartilhar coisas boas com meus leitores, cá estou eu para mostrar pra vocês que Girlboss é uma série da porra que merece toda a sua atenção, por conter tudo o que uma garota cheia de sonhos (mas sem dinheiro algum) precisa: inspiração e música boa. Claro, eu não separei TODAS as músicas da série, mas sim aquelas que eu mais gostei e que, se você não for ver a série, pelo menos ouve essas aqui que elas realmente valem a pena. 

1- Rebel Girl - Bikini Kill


2- Float on - Modest Mouse


3- Have Yourself a Merry Little Christmas - She & Him


4- Je veux te voir - Yelle


5- Teenage Dirtybag - Wheatus 











Ele.
Tá, tudo bem. Eu posso falar sobre ele. Posso falar sobre como seus cabelos loiros parecem refletir meu brilho interno ou sobre como o olho dele é a porta de entrada para toda sua áurea. Posso falar sobre sua voz, que não perdoa meu juízo de maneira alguma ou sobre toda sua essência que contamina todas os meus átomos, todas as minhas moléculas, todo fio de cabelo. 
Ele é tão bonito que deveria ser restrito. Parece uma obra de arte, algo incrivelmente raro que é protegido às sete chaves. E eu tenho essas chaves, talvez mais do que sete delas. Ele é um quadro do DaVinci, desses que seriam salvos se o mundo estivesse acabando. De alguma maneira, alguém confiou em mim o suficiente para tomar conta dessa peça tão incrível e enigmática que ele é. Eu deveria sentir medo de tanta responsabilidade, mas é como se eu soubesse que sou capaz de fazer isso. Como se eu já tivesse nascido pra exercer essa função que é cuidar dele. Não precisei fazer pós graduação, mestrado, ou doutorado para ama-lo, assim como eu achava que funcionava a vida à dois 

A gente só se completa de uma forma tão linda e tão única que dispensa qualquer tipo de formação ou conhecimento prévio. Há quem diga que nosso caso é de outras vidas, mas eu gosto de pensar que eu sou simplesmente sortuda. A gente só precisa do nosso amor, da nossa reciprocidade e de nossas mãos juntinhas nesse frio intenso que está chegando. Ok, essa última parte talvez não vai ser tão possível. Mas é que ele se faz tão presente que nem parece que estamos à um sonho de distância. 
O que mais eu posso falar sobre ele? Posso falar sobre como ele me inspira. Ele não me deixa desistir quando eu tô a um passo de jogar tudo pro alto e começar a chorar, desesperar (coisa que era bem frequente antes dele aparecer). Ele é meu orgulho, o segredo de todo o meu sorriso e toda minha risada. Ele é o mar, é o céu, é a terra. Ele é todo esse universo que ele mesmo criou em mim, e me mostrou que eu sou muito mais do que eu pensava. Ah, ele é tão tudo e eu tenho meus medos de não ser nada. Mas tudo bem, pois apenas um "eu te amo" que sai da boca dele quebra todos esses medos ao meio, mas também junta todas os cacos do meu coração que estava partido
. Ele me transborda, como se eu fosse uma taça e ele fosse o vinho (nunca fui moderada). A gente é tão clichê, mas não tem problema, porque talvez eu viva de clichê. Talvez eu viva de filmes de romance, autores do século passado e palavras que quase ninguém mais usa. Amor? Não chega nem aos pés do que a gente realmente sente um pelo outro. É muito mais profundo e muito mais bonito que o amor. Chega a não caber no peito de tanto que meu coração grita de vontade de contar pro mundo que algo aconteceu entre a gente. Que a gente aconteceu. 
Eu me pego agradecendo o universo por ser dele e ele ser meu, mas não existir nenhum sentimento de posse entre a gente. É tudo tão leve, tudo tao inteiro que, à primeira vista, achei ter encontrado o tesouro perdido que os piratas passaram anos procurando. E quem disse que eu não encontrei? Afinal, ele é tão rico e tão dourado quanto. Ele irradia positividade, boas vibes, flores brancas, paz e Iemanjá. Ele irradia todo esse plural que a gente criou um pelo outro e toda essa vida nova que ele me mostrou. 
 Ele é tudo isso que eu procurei. Talvez eu não tenha ficado procurando por muito tempo, mas foi tempo o suficiente pra saber que ele é exatamente o que eu procurava 

Leia ouvindo: Demorou pra ser - Vanguart
O medo, que entra pela janela no inverno de junho junto com o vento frio que bate a porta e estremece a casa. A casa que é meu corpo e meu corpo que guarda todos os sentimentos que eu tive vergonha de sentir. Vergonha de mostrar pro mundo que meu coração não pulsa apenas palavras bonitas que poetas românticos inventaram em meados do século 19 para descreverem mulheres jeitosas e perfeitas, com corações puros e sentimentos claros. E eu tenho medo de assumir meu lado escuro, obscuro e sujo, de não ser tão empoderada e tão nobre quanto a Aurélia, idealizada por José de Alencar. E é justamente nesse "esconder" luz e escuro que eu encontro todos os motivos de anteriores frustrações.
A aceitação de mim mesma tem sido o maior monstro que eu já tive que enfrentar. Não apenas aceitar meu peito pequeno, separado e caído, minha cicatriz na bunda ou meu cabelo cacheado. Não aceitar que eu não vivo sem um bom vinho, sem um chocolate depois do almoço e que eu sempre vou ter uma pancinha aqui e umas gordurinhas ali. Mas aceitar o meu próprio coração, que nunca vai bater no ritmo que eu quero, que nunca vai pulsar as palavras que eu quero, que nunca vai amar a pessoa que eu quero.
Desde que eu descobri o amor-próprio, eu percebi que não é tão simples e romântico quanto parece. Pode até ser síntese de crônicas de revistas de moda da atualidade, mas a parte que rasga ninguém te conta. Amar cada detalhe do seu corpo, ou amar a sua voz, ou amar o seu cabelo quando você acorda não é a parte mais difícil do processo. O amor-próprio é enxergar a inteireza do seu ser e se amar como um ser humano completo, não querendo romantizar os seus defeitos ou transforma-los em qualidades, mas sim, amar o seu lado mais ridículo e tosco pelo simples fato de que ele é seu.
Não estou escrevendo isso para que, a partir de hoje, a babaquice seja autorizada. Eu continuo defendendo que o estado de natureza do homem é a bondade e que a gente deve sempre procurar voltar para isso. Mas o que eu estou dizendo é que, para que a bondade seja mútua de coração pra coração, a empatia deve ser indispensável e o pensamento sempre direcionado no fato de que estamos todos na mesma missão: ir embora da Terra melhor do que chegamos.
Mas ok, onde está o medo?
Ora, meus amigos, o medo está em toda parte. O medo está no "eu te amo" não dito, no beijo não dado, na mensagem não enviada. Mas em síntese, o medo é a parte mais obscura da gente. E não adianta negar, até o melhor soldado de Esparta sentiu medo da sua primeira à sua última batalha. Mas a questão é saber até onde o medo é questão de sobrevivência ou questão de barreira de sentimentos. E é nessa barreira que a gente acaba escondendo o nosso pior lado. Lado esse que é tão importante quanto o bom. A gente não cresce com elogios. E eu vou te contar um segredo: ninguém é bom o tempo todo, você também não precisa ser.
Está com medo de que?
Aceitar a escuridão e não se entregar a ela pode ser o passo mais bem dado para o auto-conhecimento (o amor próprio é consequência). Tente não se amar da boca pra fora, mas de lixo pra dentro. Você não precisa ser de todo incrível para ser incrível, você não precisa ser feliz o tempo todo para ser feliz. Acho que impuseram uma cultura de eternidade muito forte nas nossas vidas de que qualquer coisa boa tem que durar pra sempre, e não é bem assim. Tudo dura o tempo necessário para você levar alguma coisa com isso.
E hoje, o medo ainda é o nosso maior obstáculo e talvez, o mal de todos os séculos. Mas também é a nossa melhor ferramenta para a plenitude.

Leia ouvindo: It's hard to get around the wind - Alex Turner 

Admito que já não me sinto mais tão confortável escrevendo sobre você. De alguma maneira, todas as palavras que dançavam no papel perderam o prazer de serem escritas. Serem escritas para você. Mas de certa forma, eu me sinto na obrigação de registrar em algum lugar (e de te deixar ciente disso) sobre o dia em que eu fui embora de você por completo.
Talvez você pense que, pelo simples fato de eu te dedicar um texto significa que eu ainda não me desganchei (verbo que eu mesma criei para definir o que estava acontecendo) completamente de você. Mas não é nada disso. É só uma simples necessidade de marcar no calendário que todo o desespero que eu acumulei por sua causa se transformou em uma paz que me consome dos pés à cabeça atualmente. E também, de compartilhar com todas as outras pessoas que sofreram com esse mesmo sentimento que toda dor tem seu fim, e que hora ou outra tudo vai começar a fazer sentido. Pode demorar um ano (ou dois, no meu caso). Mas sempre vai surgir algo -ou alguém- que vai fazer você perceber o tempo que você perdeu, e vai te ajudar a recupera-lo.
Vamos por partes.
Isso aqui não é mais uma das cartas de despedidas que eu escrevi e assinava com "adeus", porque eu fui embora há muito tempo. Tudo bem que eu sempre afirmei e reafirmei que você não faz parte da minha vida várias vezes, mas que sair da sua foi um exercício expressamente complicado. Entretanto, eu consegui. E quando eu me vi, eu estava confundindo sua voz, sua caligrafia, seus desenhos ou seu próprio rosto quando te encontro na rua (acho que já falei sobre isso por aqui).
Tudo bem, esse tempo que tivemos de não-relacionamento não foi um completo engano, não foi de todo ruim. Acho que aprendemos mais sobre um do outro quando estivemos separados do que quando estávamos propriamente juntos. E consequentemente, eu fui obrigada a me encontrar em uma mesa de bar num sábado a noite, com pessoas vazias e enchendo a cara de mentiras. Opa, pera lá. Não é aí onde eu quero chegar.
De qualquer maneira, a linha cônjuge que mantinha nossos corações selados em uma promessa que nunca foi verbalizada se rompeu, e finalmente agora eu posso te ver e pensar que você é nada mais e nada menos que o fruto de um passado. Um passado tão oblíquo, mas tão cheio de detalhes que poderia se tornar uma obra barroca com facilidade.
Não é indiferença, mas também não é questão. Não é raiva, mas também não é compaixão. Eu simplesmente te consigo enxergar como ser humano agora, já que antes eu te enxergava como Deus. Ò céus, me desculpe por isso... Me desculpe por ter te enxergado tão mais belo, tão mais inteligente, tão mais incrível do que você realmente é.
Eu nunca me senti tão bem em não sentir nada por alguém que foi meu motivo de respirar, mas que ao mesmo tempo, me tirava a vontade de viver. Pois, além de ter conseguido me livrar de uma dor imensa, eu percebi que sou capaz de enfrentar cada pedacinho de dificuldade que aparecer na minha vida. Eu estou calejada agora, e muito obrigada por ter me mostrado a força que eu tenho.
Enfim, o nosso fim chegou e agora sim eu posso sorrir para o universo, pois eu sei que ele sorrirá de volta. E mesmo se não sorrir, não tem problema! Agora eu consigo enxergar o lado bom da vida e agradecer por cada molécula de oxigênio que entra pelas minhas narinas e fazem meu corpo funcionar. Obrigada por ter me ensinado a dar tanto valor para a minha própria existência e que existem pessoas e pessoas nesse mundo.
Espero que tudo dê imensamente certo para você, assim como as coisas têm dado pra mim. E eu te desejo isso de coração, já que agora ele está preenchido o suficiente para não ter que completa-lo com sentimentos tão macabros como o rancor, como o orgulho ou como o ódio. Rogo para que seu coração se encontre na mesma situação de paz que um dia esteve, mas caso não se encontre, tudo bem.
Muita gente se diverte com o que tem.

Leia ouvindo: Escopo - Ana Muller 


Eu não tenho como te agradecer por ter me mostrado como viver vale a pena. De repente, tudo voltou a fazer sentido e hoje eu consigo sorrir verdadeiramente, sem ter nada escondido por trás disso. Depois de tanto tempo me guardando de tanto medo, de tanta solidão, você apareceu e me mostrou que a vida não é tão preto no branco assim.
Você me mostrou tantas coisas incríveis em tão pouco, que talvez apenas um blog esquecido na internet não seja o suficiente para escrever sobre isso tudo. Os filmes que você me mandou, as músicas que escutei, as histórias que você me contou... Tudo parece ter saído de um livro de contos de fadas, daqueles que nem a Disney - quem dirá a Pixar - ousaria produzir de tão clichê que é. Com direito a "Era uma vez" e o tão esperado "Felizes para sempre".
Você me deu motivos para continuar, mesmo quando tudo pareceu estar sem saída. Você foi minha luz no fim do túnel quando eu estava quase me entregando à escuridão. Os dias já não parecem tão longos, esse clima frio já não me desanima mais e eu comecei a apreciar o lado bom da vida, que sempre esteve por aí esperando que eu olhasse pra ela.
Eu tinha me esquecido de como era ser feliz. Não que eu tenha terceirizado minha felicidade, longe disso. Mas eu precisei de você pra segurar a minha mão e me levar até ela de novo. Me mostrar que sim, existe um sentido nisso tudo e que eu não preciso passar por isso tudo sozinha. Isso pode ser tão louco e tão errado, mas acho que eu já deixei bem claro que eu não ligo muito pra esteriótipos. Eu gosto de você e gosto do jeito que a gente tá erradamente certo. É pedir demais desejar ser sua até o fim da minha vida?
E então eu descobri que se apaixonar por alguém é muito mais do que se entregar inteiramente e idealizar realidades na cabeça. É sobre sentir. Só isso. É sobre romantizar a folha que cai da árvore no inicio do outono, ou gastar cinco páginas falando de como você é lindo. Vai ver é isso que torna a paixão uma coisa tão bonita, digna de clássicos do José de Alencar. É se permitir dar voz a um sentimento (tão louco) sem se preocupar com o final e ver o que ele tem pra te falar. Pode ser coisas que você nem imagina que existiam aí dentro...
 É como se o fim não importasse tanto mais. Quando você começa a ler um livro, você não pula para a última parte, certo? É isso que é se apaixonar. Aproveitar cada segundo, cada letra, cada palavra, e o que vier depois sempre vai ser lucro, porque eu tive a honra de passar cada pedacinho do meu tempo com você. Me diz se eu não ganhei na loteria por isso.
E também, não é sobre querer dar um nome a esse tal sentimento e tentar entende-lo. É dar a mão para o destino e sair dançando com ele por ai, para ver até onde ele te leva. Sem se preocupar com os passos errados, com a música desafinada ou qualquer outra coisa.
E eu juro pra você que eu nunca me senti tão livre para sentir o que eu quiser por quem eu quiser na vida. É como se eu estivesse esperando a vida toda por alguém, e agora que esse alguém apareceu, tudo começou a fazer mais sentido. E por Deus! Como eu sou sortuda por esse alguém ser você.

Leia ouvindo: For Emma - Bon Iver