cabeça bagunçada

Lisboa

13:22



Fiquei me segurando por  meses evitando colocar para fora algumas das perturbações que corroíam as minhas portas. Sempre arrumava desculpas do tipo: "só escrevo com caneta preta", "estou muito cansada", "quem sabe outro dia". Mas hoje eu pedi socorro. Depois de tanto reprimir minhas lágrimas atrás de taças de vinho, eu desabei em um táxi -sim, táxi, não uber- em Lisboa e não consegui me esconder mais.

Agora estou aqui, escrevendo com caneta azul em frente ao espelho reparando como meu cabelo fica mais bonito atrás da orelha e que talvez eu deveria fazer um tratamento para evitar manchas vermelhas no rosto. Não, eu gosto assim. Minhas manchas são histórias que nem a melhor caneta preta do mundo conseguiria contar. Pensando bem, tenho traumas que não quero decifrar. Não quero entender, não quero falar e não quero que meus cadernos saibam dessa minha parte que existe. 

Até quando me esconderei atrás de desculpas? Não suporto ficar sozinha, nunca mais li um livro nem consegui ver um filme até ao final. Não sei se me reconheço, mas até que gosto do que vejo no espelho. Auto-estima até que tenho mas ainda me sinto um lixo de pessoa. Contraditório, eu sei, mas pelo menos reconheço que sou assim. Insuficiente. Incapaz. Acabo destruindo tudo que toco e possuo um histórico enorme de abandono. Finjo que está tudo bem, afinal, não sou eu sentir falta de ninguém.



Mas quando foi que eu me perdi de mim mesma? Quando foi que pegar um voo de nove horas se tornou motivo de roer as unhas? Quando foi que a tão bendita solidão se tornou minha inimiga? Tantas linhas tortas, letras cursivas, entrelinhas enroladas para desenhar uma lágrima que insiste em perpetuar no canto interno do olho esquerdo. Eu preciso urgentemente de mim mesma. Preciso viver a vida que eu arquitetei sozinha e preciso dividir essa garrafa de vinho com minhas próprias desgraças, mas que pelo menos são minhas.

Eu tenho tantas coisas para me dizer  mas onde eu estou? Preciso contar para mim mesma todas as minhas conquistas, as minhas paixões, os meus sonhos. Em alguma dessas estradas cruzadas eu devo ter perdido o caminho de volta para casa. Isso não é fase, crise ou revolta que acontece de tempos em tempos na minha vida. É só mais uma lição de casa para ver se eu deixo para trás o peso desnecessário que eu carrego comigo há uns bons séculos -levando em consideração que não sou desse mundo.

Mas de qualquer maneira, Lisboa me ensinou coisas. Coisas  que ,talvez. eu só perceba quando voltar para cá ou quando eu beber  daquele vinho de novo, com um gosto tão único e característico que é impossível esquecer. Mas por enquanto, eu só agradeço os espelhos pela reflexão e a água do mar pela limpeza. Eu sei que hora outra eu vou voltar a acreditar que eu tenho salvação. Mas isso já é texto para escrever com caneta preta.




Leia ouvindo: Long way from home - The Lumineers

cabeça bagunçada

Carta Aberta

14:08



Faz tempo que eu venho tentando organizar os arquivos perdidos que existem dentro da minha cabeça. Quando crescemos, vamos percebendo e perdendo coisas que antes pareciam certas. Mas agora, eu aprendi que não dá pra confiar tanto assim nas certezas. Enquanto o tempo não passa e eu rezo para o mundo acabar amanhã de manhã, os ponteiros do relógio coincidem com minha caneta e escrevem no ar todos os traumas que eu ainda não vivi, mas estão com data marcada para acontecerem.

Influenciável. Você diz que eu sou louca, eu acredito. Me chama de incapaz, eu questiono, mas acredito. Minha costela dói a dor de quatro existências e não para de doer para me lembrar de um erro que eu não cometi. Nem tudo precisa ser culpa minha, nem tudo precisa de uma verdade concreta e absoluta.Alguns laço precisam ser rompidos com urgência, antes que eu me torne apenas mais um fruto dessa loucura que não é minha.

A sensação de não ter pra onde ir me faz direcionar meu futuro à algo que não é uma opção. Às vezes, eu só preciso confiar mais (em que? Eu não sei) e entender que, no final, todo mundo é inimigo de todo mundo, não importa se vocês moram na mesma casa ou trocam duas palavras por semana. Ou os dois. Ou se vocês são uma pessoa só. Ou se você só conhece o espelho. No final, a desgraça é a mesma para todos e, quando você vai ver, há pratos quebrados pela casa, lençóis rasgados, ossos estraçalhados.

No fundo esperava que esse desencanto chegasse, mas me surpreendi ao perceber que chegou tão cedo. Não queria que essa desconfiança se tornasse parte do meu dia-a-dia, mas eu deixei de ter controle da minha vida há muito tempo. E pra quem eu me entreguei? Desiludi-me da ideia de Deus, mas também não acho que Darwin explicaria minha evolução. Me tornei a razão frustrada com medo de assumir o que sente. Talvez não medo, talvez não. Mas depois de tantos tombos, comecei a selecionar melhor quais caminhos percorrer.



E por que eu sou assim? Agressiva, intensa, vazia e ingrata. É o que você diz. Uma merda. Ingrata pra caralho. Orgulhosa e hipócrita. Mas espero que você saiba que não é culpa minha. Desculpe se minha versão não te agrada mas essa é a única história que eu tenho pra contar. Não vivo e nunca vivi para alimentar seu ego ou para repetir frases que tem a função de se transformarem na sua verdade. Meu caos interno já me destrói todos os dias, quando o despertador toca, e eu não preciso de mais um egoísmo para agradar. Esse espaço é meu. Enquanto eu tiver autonomia sobre ele e sobre a minha mente, você jamais chegará mais perto do que está.

Antes que você diga o contrário e venha com um dicionário lotado de negações, eu posso. Eu posso tomar minhas decisões e controlar quem eu quero ser. Talvez eu sofra um pouco mais, te ligue de madrugada chorando, mas hora ou outra, eu não vou precisar mais de você. E talvez eu seja só mais uma poeta maldita, sem a parte das drogas ou do rock n' roll. Mas essa sou eu e eu me orgulho de falar que eu tenho a mente mais confusa que eu conheço e que eu posso ser triste, sim. Não vou deixar minha identidade se perder dentro dos seus padrões e religiões, até eu me internar por loucura. Ou falsa loucura. Ou ansiedade. Ou sanidade. 

Me desculpa a agressividade ou se eu disse algo que lhe ofendeu, me desculpe. Mas do fundo do meu coração, eu estou cagando para o que você pensa. E isso não significa que, ao tomar posse de mim mesma eu seja obrigada a te amar menos. Não que eu saiba se eu amo ou não, já que minha energia está péssima de tanto ódio e rancor que eu venho comendo com angu de uns tempos pra cá. Mas seja lá o que for que esteja acontecendo aqui dentro, eu sei que eu vou ficar bem pois eu me conheço melhor do que ninguém. E a melhor parte de crescer é que nada disso é da sua conta. 

"Amor"

Por onde você anda?

14:35


Isso não foi uma pergunta retórica. Eu realmente quero saber como você está. Quero saber o que aconteceu com esse seu cabelo que você nunca mais cortou. Quero ouvir sua voz contando todos os casos que aconteceram nesse tempo em que você esteve ausente. Quero saber dos seus planos pro futuro. Você ainda os tem? E eu nem estava pensando tanto assim em você, sabia? Nem sei, ao certo, o porquê de eu estar atormentando minha mente com isso. Mas sei lá, acho que linhas tênues e flexíveis são difíceis de quebrar, ainda mais quando ficaram tanto tempo amarradas.

 Algumas vezes, a rádio do carro toca uma música que você odeia. Eu aumento o volume. Dei apenas uma estrela para aquele filme da Netflix que você amou. Não consegui terminar de ler o livro que você deixou. Não passei da segunda música do álbum que você indicou. E eu não consegui desviar um dia se quer do seu olhar, que insiste em cruzar com os meus de maneiras tão frias e cruéis. Talvez eu os procure. Talvez eu tenha acostumado a te olhar e pensar em você como um refúgio fixo onde, agora, o forte desabou. E você não está lá. Mas já que não está, porque esses olhares continuam perturbando minha retina como se fossem parte da melanina que preenche os meus olhos castanhos e grossos?

Isso não é sobre você. Isso não é sobre mim, muito menos sobre a gente. Isso é sobre tudo o que eu deixo guardado há tanto tempo, esperando sei lá o que, que vai acontecer com sei la quem em sei lá quando. Mas a verdade é que palavras são muito fáceis de serem escritas quando a dor é que inspira o papel e a caneta. Nunca escrevi sobre seu romance, sobre seu tato, sobre seu sexo. Nunca gostei do jeito que me abraçava porque recuava tão rapidamente que era impossível de criar raiz alguma ali. 

Talvez seja isso que você queria. Me florescer e me deixar murchar, esquecendo de regar-me com a saliva dos beijos molhados que nós nunca trocamos da maneira correta. Isso é sobre as reticências que você deixou na última mensagem que me enviou. Aquela em que você dizia, tão claramente, que não via motivo algum em me manter na sua vida. Concordei plenamente. Sempre fui aquele item de decoração, meio feio, meio cinza, que não combina com seu sofá. E por isso, você esconde atrás da televisão, junto com as outras coisas das mesmas cores, sabores, curvas. E tudo bem, eu entendi. Hoje eu entendo que fui inconsequente demais em me apaixonar pelo coração mais verde da região. Não que não tenha valido a pena. Mas sim, que certas coisas a gente poderia evitar.

Eu poderia escrever mais setecentas linhas sobre você, mas não sobre o seu lado bom. Vou economizar palavras para a próxima vez que eu te encontrar, sentado no fundo do bar, bebendo a cerveja mais barata por lá - ouvi dizer que você começou a gostar. E se eu nunca te encontrar, melhor pra mim. Bom que eu não desgasto minha sanidade com um passado tão esdrúxulo assim.  

Leia ouvindo: Cold Cold Cold - Cage The Elephant

Amor

Ele é de peixes

13:14



É difícil descrever em linhas simples e retas toda a profundidade de um pisciano. É complexo ter que viajar sangue à fora para entender o que se passa dentro de um coração desses. Como colocar em sílabas e assentos a sensação de tocar seus dedos, de ver seus olhos se cruzando com os meus, de sentir o cheiro do seu perfume quando eu beijo seu pescoço? Algumas coisas parecem impossíveis. Mas ele me ensinou que isso é mentira.


Comparamos um pisciano a uma lerdeza leve, viajada e até um pouco romantizada. Isso até tem uma explicação. Acontece que ele vê beleza em tudo, vê sentido em tudo e sempre procura a raiz de seus questionamentos. Gosta de observar as montanhas durante a viagem, arquear as sobrancelhas como se perguntasse algo internamente, de se fazer perguntas idiotas. Anote: Se um dia ele expressou alguma dúvida que, de primeiro momento, lhe pareceu sem sentido, você deveria guardar esse instante pois, agora, você não é mais qualquer um.

Eu gosto de piscianos pelo simples fato de que eles são verdadeiros. Nunca vi sorriso mais sincero, nunca vi lágrimas tão tocáveis, nunca vi um beijo mais apaixonado. O mundo que eles criam dentro de si é incrível, você tem que conhecer. Os Jardins Suspensos da Babilônia têm inveja. Deus não teria sido capaz de inventar paz maior. E, por mais que essa calmaria extrema possa irritar de vez em quando -se não te irrita ainda, vai irritar-, você sempre vai agradecer por ele estar por perto para te enfiar dentro do seu colo quente, aconchegante e macio.

E esse mundo que eles criaram? Puts... É cheio mãos dadas, de sorriso entre os beijos, de abraços apertados. Mas também é cheio de sussurros no ouvido, de arranhões nas costas, mãos no cabelo. Não importa seu signo, seu ascendente, seu Vênus, o que for. Você, com certeza, quer fazer parte do mundo de um pisciano. Entrar nesse mundo não é só uma aventura. É uma viagem intergalática, interespacial, que desafia as leis da física e que você vai precisar de uma toalha para continuar viajando -fiz essa referência graças à um dos primeiros filmes que não vimos juntos. 

E sem querer generalizar - porém, já fazendo isso - olhos bonitos são uma característica comum. Dizem que é o reflexo da alma, né? É o que dizem. Não que a alma seja lá as das mais belas, mas sim, que as portas estão sempre abertas. Não vou mentir dizendo que lidar com gente de peixes é fácil, que vocês vão dar mega bem, porque não. Não é isso, e está longe disso. Mas o que eu estou querendo dizer (ou escrever) é que eles são realmente especiais, que eles merecem um pouco mais dos seus ouvidos e que eles podem fazer muito bem pro seu coração de água.

Ele se preocupa tanto com você que, uma hora, pode sufocar. No final, é sempre você quem vai decidir onde vão comer porque ele é meio incapaz de tomar uma decisão sozinho. E tudo bem em seguir suas vontades, ele parece não ligar. Te ver feliz faz ele feliz e ele sempre vai procurar saber qual sua flor favorita, qual seu prato favorito, desde que isso resulte num simples sorriso que ocupe toda a dimensão do seu rosto - e que ele seja o motivo.

Entender corações em geral sempre é uma tarefa difícil, mas nem sempre você precisa fazer isso. E é bom entender a si próprio antes de entrar numa confusão nova. A verdade é que piscianos gostam de se entregar, gostam de arriscar, gostam de apostar tudo o que tem e por muita fé naquela mísera chance de ver algo dando certo. Enquanto eu, essa canceriana dramática e rabugenta, tenho a mania de desistir no primeiro passo. E por questão de sorte ou não, eu não estou mais tão sozinha.

Leia ouvindo: Home - Gabrielle Aplin

Texto

O blog mudou (e eu também)!

14:30


Acho que você já notou que tem coisa nova por aqui, né? Pois é. O Doce Como Limão está de cara nova e isso vai muito além de apenas criar um identidade visual nova pro Blog. Vai além de mudar o layout, a cor, as fotos ou até começar a investir em conteúdos mais diferentes. É clichê, mas clichês precisam ser ditos: quando eu criei o blog em 2014 jamais imaginei que eu iria conquistar tantas coisas fantásticas que eu só consegui graças à toda a inspiração e força que esse pequeno site me proporcionou. De pouco em pouco fomos crescendo e, quando fui ver, eu estava na Galera Capricho 2015/2016, ganhando concursos e até publicando livros.

Mas essa fase toda, felizmente, passou. E eu digo felizmente pois, naquela época, eu escrevia e sentia coisa que hoje já não fazem parte de mim. Algumas coisas persistem, outras sempre podem voltar, mas a minha visão sobre a vida e sobre tudo o que eu já passei jamais voltará a ser a mesma. Eu jamais voltarei a ser a mesma. E, obviamente, isso reflete diretamente na minha maneira de me expressar através das palavras. É muito improvável que eu volte a escrever sobre corações partidos, já que agora meus problemas maiores fogem disso. Mas isso não significa que minha escrita perdeu a função ou o sentido; ela apenas mudou um pouquinho, sendo consequência de um amadurecimento fodido que eu fui obrigada a me submeter para crescer como pessoa, como mulher e, claro, como escritora.


Isso me inaugura uma nova fase. E como em todas novas fases eu faço e refaço coisas para redescobrir minha identidade, como mudar o cabelo (estou no sexto mês da transição capilar), procuro novas distrações, escrevo um livro novo e às vezes eu faço uma tatuagem (mas o dinheiro complica). Mas agora, mais do que nunca, eu tenho feito todas as coisas que me fazem bem. E, macacos me mordam! Eu amo esse blog pra caralho.

O que eu estou querendo dizer é que eu cresci. Não sou mais a menina adolescente que acreditava em amor verdadeiro e escrevia sobre decepções amorosas. Não que eu deixei de acreditar, mas meus conceitos mudaram um pouco. Um pouco demais para escrever sobre isso, então eu prefiro manter na pasta escondida que tem dentro da minha cabeça. E pra falar a verdade, nem eu sei exatamente sobre o que eu ando escrevendo, mas eu sei que gosto e espero de coração que pelo menos uma parte sua se identifique e goste também.

Estou muito ansiosa para descobrir o que vai surgir dessa nova fase, mas pela primeira vez na vida eu estou realmente afim de curtir e aproveitar todo o processo. Desde a mudança do layout, até às novas conquistas. E esse mapa azul novinho que você viu serve para representar um pouco dessa minha ambição por aventuras novas. Não só de conhecer o mundo, mas sim, de viajar para dentro de mim.


Resumindo um pouco, você pode esperar uma chuva de conteúdos legais a partir de hoje, mas nada igual ao que era antes. Vai demorar um pouco para que eu me acostume e me entregue integralmente (ou quase) a esse novo meio e essas novas ideias que estão frescas demais dentro de mim, ainda não sei como colocar tudo isso em prática. Mas eu não estou com pressa alguma. Você está?

Além disso, quero agradecer profundamente a todos os leitores que estão me acompanhando nessa fase nova e me dando tanta força de vontade para continuar. Ver que meus textos fazem algum impacto em alguém faz tudo valer a pena. E, obviamente, um "obrigada" recheado de lanches pro namorado mais incrível do mundo, que foi o responsável por concretizar tudo o que eu tinha em mente e tornar mais um sonho meu em realidade. Matheus Cardoso, eu te amo.

Bem... Acho que eu já falei tudo o que eu precisava falar. Obrigada pela paciência e por ler quase 3 páginas de vários nadas, mas é bom colocar pra fora tudo o que minha mente grita de vez em quando. E por mais que possa acontecer de ninguém ler isso aqui, o DCL é e sempre será o meu diário favorito. E não se esqueça de me acompanhar nas redes sociais para ficar pro dentro de todas as novidades da minha vida de pessoa normal e lembrem-se de que eu SEMPRE estou aqui para ajudar, seja lá qual for o seu problema.

E só pra reforçar o óbvio: eu não sou blogueira, eu apenas tenho um blog.



 photos: Lívia Bastos

cabeça bagunçada

O mar e a paz

16:28

A grande onda - Kanagawa

Eu gosto do mar. Acho que ele (ou ela) é uma das poucas coisas que eu realmente gosto no mundo. Gosto de todo seu universo particular e todo o ecossistema desconhecido que existe lá dentro. A ideia de existir um lugar onde não exista barulho, não exista gritos diários nem reclamações me conforta. E essa distância entre a paz e a realidade tem me incomodado muito. Minha mente grita constantemente por silêncio, mas ninguém se esforça para me escutar. É tão contraditório, e eu não sou nem um pouco acostumada com paradoxos.

Já escrevi 3 livros inteiros sobre a solidão e as palavras bonitas que eu uso para falar sobre o assunto, eventualmente, vão acabar. E sobre o que eu vou escrever quando isso acontecer? Como é possível, um ser tão pequeno como eu guardar tantas lágrimas espalhadas pela corrente sanguínea? Sei que eu sinto demais e que, às vezes, tudo parece muito distorcido por trás dos meus olhos castanhos. Mas não me culpa. Não me culpe por absorver cada vírgula e cada exclamação que o universo pronuncia. E, infelizmente, por algum motivo, eu sou a única que está ouvindo (não que isso seja um mérito, até porque, é bem chato).

Talvez eu goste tanto do azul do oceano porque a paz que lá existe é inerente a paz do meu espírito. E talvez, mas só talvez, eu seja um pedaço desse azul que criou pernas para descobrir como funciona as coisas aqui do lado de fora. E desde que Talles de Mileto escreveu, eu acredito plenamente que, tudo o que conhecemos, um dia foi da mais pura transparente água.

E por falar em paz, eu acabei descobrindo que não dá para reconhecer algo que você nunca sentiu. E, por isso, minha ambição pelo sossego e pela alma aumentou significativamente. Não sei se vocês sabem, mas as coisas impossíveis me atraem de uma maneira inexplicável. E às vezes, eu me encontro tão perdida e tão sozinha que chego a me imaginar no fundo mar, onde minhas lágrimas se misturam como todo aquele azul celeste e, no final, tudo vira uma coisa só.

Em resumo, eu vivo uma utopia eterna em que eu quero o que não tenho e sonho com uma realidade completamente alternativa que só existe nos meus cadernos, na minha cabeça e na minha cama. E nessa realidade, quem sabe, eu possa ser um simples porífero ou um cnidário ou, se eu der sorte, um equinodermo. Não reclamaria. Seria tudo bem mais fácil. Mas enquanto eu não posso me regenerar e reproduzir por brotamento, eu tento trazer um pouquinho mar para meus cabelos, para dentro de minha e para todas as minhas metáforas apaixonadas.

"Eu te amo mais que o mar", eu disse.

Leia ouvindo: Oceans - Seafret

Viagens

6 destinos (brasileiros) para fazer uma road trip!

14:02

Não é segredo pra ninguém que eu amo viajar, até porquê, não existe ser humano que não tem esse desejo de conhecer um pedacinho diferente do mundo. Com tanta confusão acontecendo na minha vida (shh, isso é segredo, não conta pra ninguém) eu comecei a desejar muito fortemente uma viagem dessas pra fazer e refletir sobre tudo ao mesmo tempo. Uma dessas bem explorativa, bem reflexiva e beeem demorada mesmo. Tipo um mochilão. Mas sem um mochilão. Deu pra entender? Enfim... Sei que, talvez, demore um tempo pra isso acontecer, mas não custa sonhar, não é? E antes de pensar em uma eurotrip ou um rolê pela América Latina, eu tive a ideia de conhecer um pouco mais sobre as belezuras desse país tropical e me aprofundar um pouco mais sobre as culturas e tudo que contribuí para que o Brasil seja um dos países mais diversificados do mundo. E é exatamente por isso que o post de hoje será sobre os lugares mais lindos que eu pretendo conhecer aqui dentro. Vem comigo!



1- Gramado - RS

Essa cidade, que mais parece um pedacinho da Europa, é perfeita para quem está afim de curtir uns dias no frio. O cenário de lá é tão lindo e aconchegante que você vai se sentir em um filme de conto de fadas em que você é o protagonista. Com muita comida gostosa, hotéis fofissímos e até estão de ski, é um ótimo destino pra quem quer conhecer uma cultura nova. E ah! É ainda mais gostoso de visitar na época de Natal.


2- Jalapão - TO

Esse é um destino pra quem curte umas paradas mais natural em contato com a natureza, etc. Não sei porquê, mas ninguém nunca deu atenção pro Tocantis, sendo que ele abriga uma paisagem maravilhosa. Rios e cachoeiras, um deserto que vai você se sentir dançando Sua Cara do ladinho da Anitta e, claro, muito mato! É perfeito para os aventureiros de plantão, que gostam de acampar e experimentar coisas novas. Para saber mais sobre o Jalapão, clique aqui.



3- Itatiaia - RJ

Itatiaia é uma espécie de mistura de Gramado de Jalapão. É loucura? Vou explicar. Lá, também parece um cenário de filme europeu do século passado, mas também abriga maravilhas naturais e cachoeiras incríveis. Além disso, é repleto de montanhas para quem também gosta de aventuras mais "radicais". Se você for pro Rio de Janeiro, não deixe de dar uma passadinha em Itatiaia, viu?


4- Serra da Bela Adormecida - AM

Gente, fala sério. Olha essa praia. Não é POSSÍVEL que eu nunca tinha ouvido falar desse lugar antes. Localizada na Amazonias, no município de São Gabriel das Cachoeiras, tem esse nome por causa do seu formato, que lembra a nossa Aurora deitada. Não é lindo?! Ainda em São Gabriel das Cachoeiras, você pode curtir praias, cachoeiras (óbvio rsrs) e ainda assistir esse lindo pôr-do-sol!


5- Boipeba - BA

Sabe quando você entra no insta e vê um tanto daquelas praias de águas clarinhas? Então. Boipeba é um ótimo lugar pra tirar essas fotos pinterest super cool (credo, não acredito que eu disse isso). Como qualquer coisa na Baiha, Boipeba é uma ilha linda e cheia de cenários e oportunidades incríveis de passeios, pousadas, resorts e, claro, para dar uma bela relaada também.


6- Ilha do Mel - PR

Localizada na cidade de Paranaguá, a Ilha do Mel guarda paisagens de suspirar. O Farol das Conchas, que é o ponto turístico mais visitado, é o melhor lugar para visualizar a paisagem da maneira mais ampla, de tirar o folego mesmo. Com praias, vilas e pousadas, é um destino incrível principalmente pra quem quer dar um passeio com a família.



 E aí? Qual foi o seu destino favorito? Conta pra mim!!