Síndrome de Peter-Pan

0 Comments

Acordei essa manhã com saudade do que eu era. Saudade de acordar de madrugada e ir dormir na cama da minha mãe. De esperar ansiosamente os finais de semana para ir ao cinema. Saudade de fazer birra para não comer. De receber um abraço apertado toda noite em que eu chegava da escola. Mas com o tempo, isso vai se afastando da gente. A gente vai crescendo. Mãe, eu não quero crescer.
Tenho problemas. E eu tenho que resolve-los sozinha. Tenho amores não resolvidos, e não tenho os amigos de antigamente. Tirei nota baixa em uma prova, tenho que estudar mais. Antigamente era bem mais fácil.
E por que a gente cresce? E por que quando a gente cresce, tudo muda? Eu sou capaz disso tudo, eu sei. Mas não quero enfrentar esse mundo cruel sozinha.
Me dê a mão e vamos voar. Vou te levar para um lugar onde a gente nunca crescerá. Feche seus olhos e sonhe com esse lugar. Sereias, rios, crianças. Mas tem uns piratas que querem acabar com essa terra. O nome deles é realidade.
"Ponha os pés no chão, menina. Que sonho impossível!". Desistir? É. Já pesei nisso. O suficiente para aprender que desistir não nos leva a lugar nenhum. Poderia ter uma estação de trem escondida que nos levassem para um lugar mágico. Ou poderia existir um anel, que ao ser encostado, nos levaria para outra realidade. Longe desses piradas malvados que não nos querem nas nuvens
Você consegue imaginar? Eu consigo. É tão lindo, eu tenho que te levar lá. Vamos, acorde! Quanto mais rápido chegarmos, mais tempo podemos ficar.
Você não sente falta do cheiro de café toda manhã? Não sente falta de maquiar sua mãe e fingir que está arrasando? Eu sinto. Se você não quer ir, eu quero.
O trem já vai partir. Tenho que correr. Não quero ficar nessa realidade mais um segundo. Ela me assunta. Ela me dá medo. Ela não me deixa dormir. Tenho medo de acordar e lembrar que tenho problemas para resolver. Contas pra pagar. Pessoas à enfrentar. Lágrimas para chorar.
Medrosa? Posso até ser. Mas prefiro ser chamada de conservadora. Conservo minha felicidade, minhas memórias e lembranças. Deveria seguir em frente, eu sei. Mas eu não quero. Quero ficar criança pra sempre. Poder me sujar sem ser julgada. Pular feito louca em todas os lugares. Quero não me preocupar com o que vestir no casamento da minha irmã. Só quero me preocupar em qual será o final da minha história.
Eu quero voar. Sair da gaiola que me prende e bater as minhas asas. Voar para longe, onde a realidade não me alcance. Crescer? Quem é esse cara?


~Bá



You may also like

Nenhum comentário: