Tempo de mudança

12:45


O Sol já não brilha tanto. As estrelas já não conversam comigo. O mar está muito agitado. E você continua o mesmo. Mesmo depois de tanto tempo. Depois de tantos problemas. Tantas mudanças. Você não mudou nadinha. Meu maior medo sempre foi você voltar. Você voltar e ter se esquecido de tudo. Das nossas brincadeiras. Das nossas brigas. Do que nós costumávamos ser. Mas não. Você se lembra. E seu abraço nunca esteve tão gostoso. Seu beijo nunca esteve tão doce. E seus olhos, estão mais bonitos.
Passei na frente da sua casa agora. Mas não quis bater. Talvez você não estivesse lá. Talvez sua mãe atendesse e eu ficaria sem graça. Preferi não arriscar. Fiquei na porta, encarando o número 50 por alguns minutos, até várias imagens passarem pela minha cabeça. Passado. Passado. Passado. E agora, presente. Futuro. Futuro. Futuro. E nosso futuro, já virou passado. Saí correndo. O mais rápido que eu pude. Para eu não me lembrar daquele passado traumático e um futuro que nunca vai acontecer.
Mas quem se importa, afinal? Eu não. Está tudo bem novamente, certo? Errado. Você voltou. Se lembra de tudo. Mas decidiu esquecer. Por que, meu amor? A culpa foi minha? Não faz assim. Me desculpa qualquer coisa, não foi a intenção. Te esperei por 2 anos. E quando você voltou, você quer ir embora de dentro de mim. Injusto. Egoismo. Idiotice. Ilusão.
Não consigo te ofender, por mais que eu queira. Não consigo te esquecer, por mais eu precise. Não consigo implorar o seu amor, por mais que necessite. Mas consigo imaginar. Imagino você feliz agora. Sem mim. Tendo um presente. Que no passado, foi um futuro. Idêntico ao meu. Só que sem mim.
Desculpa ter gritado com você. Não queria ter te batido. Tomara que um dia você entenda. Sofra o que eu sofri. Não. Mentira. Eu te amo. Bobagem desejar seu sofrimento. Vá. Siga o seu caminho. E o meu vai se desmanchando cada vez mais.
Abri mão de várias coisas que eu queria ter feito. Te esperei. Não dormi por dias. Chorei mais do que eu tinha direito. E você não foi digno das minhas lágrimas, muito menos do meu sangue. Não te culpo, eu que fui ingênua mesmo. Jamais te culparei. Olha só pra mim. Pequena iludida. Grande desconhecida. Idiota o suficiente de não perceber que o destino é cruel. E que a vida sempre ganha de você.


~Bá

You Might Also Like

0 comentários