Fanfic: De volta ao Filme - Primeira Parte

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Todo mundo já sabe que o passado se repete. Mas eu mal sabia que eu faria parte do meu passado, de novo. Já estava com 30 anos e estava tudo dando errado na minha vida. Não tinha o emprego que eu gostava, eu era sempre comparada com a minha irmã e eu ainda não tinha ninguém para amar, além da minha gata.
Parecia que o dia seria normal: meus pais super felizes com o casamento da minha irmã, eu iria ficar sozinha maior parte do tempo, etc. Mas por causa de uma descoberta na vida da minha prima, tudo o que tinha para ser mais um dia ruim, se tornou um dia péssimo.
Depois do meu desmaio, eu acordei e vi a tela do meu computador acesa. Entrei nos meus e-mails e vi tinha um, da minha melhor amiga, com o endereço do blog que eu criei com 15 anos. Aquela época era boa, tirando os sofrimentos na escola e os desaforos que eu tinha que aguentar como irmã caçula.
Quando entrei no blog, vi o meu primeiro post e tudo começou a girar. Fiquei tonta, minha cabeça doía, e minha cabeça parecia não pertencer ao meu corpo. Mas de repente, tudo pareceu bem outra vez. Eu acordei na cama, parecia descansada e notei algo de estranho no quarto aonde estava. Eu estava no meu quarto de 15 anos atrás. Me levantei, olhei no espelho e estava tudo embaçado. Ainda não usava lentes de contato naquela época, então coloquei meus óculos. Me olhei no espelho novamente, e me vi. Com 15 anos!
Meu pensamentos ilógicos foram interrompidos pela minha mãe entrando no meu quarto me dizendo:
_Vai rápido, Anita. Você não vai querer se atrasar no seu primeiro dia de aula, né?
Primeiro dia de aula? Bem, talvez eu esteja sonhando. Ignorei esse fato e decidi agir normalmente. Desci as escadas e fui tomar café. Fui para a escola com a minha irmã em total silêncio já que qualquer palavra seria fatal.
Chegando na escola, eu me lembrei que era o dia do trote. E para evitar a repetição daquele decepcionante dia, eu me escondi no coreto junto com uma menina, que me apresentou o seu primo Leo. Ele tinha cabelos levemente longos, olhos muito bonitos e usava uma camisa azul.
_Oi, meu nome é Leo.
_Anita.
_Tá se escondendo do trote?
_Aparentemente, sim.
_Então passe essas tintas no teu corpo. Vão estranhar se te verem limpa.
_Obrigada.
_Então...
_Então?
_Quer fazer alguma coisa hoje?
_Acabei de te conhecer, menino. Você pode muito bem ser um estuprador ou um assassino de aluguel barato.
_Calma. É que a menina que eu gosto acabou de ir para um intercâmbio, e eu estou querendo me distrair.
_Dando em cima de mim?
_Calma, não farei nada que você não queira. A gente pode ir na praça tomar sorvete de milho verde.
_Como você sabe que eu gosto de sorvete de milho verde?
_Especulei.
_Ok, você venceu. E como chama a menina que você gosta?
_Fani.
Eu não conhecia a menina, mas como tudo era um sonho, eu não precisava saber. Era um sonho, afinal. Se eu recusasse ou não, não iria fazer diferença na minha vida. Eu, pelo menos, esperava isso.
Mais a tarde, eu avisei a minha mãe que iria para a praça. Ela aceitou super bem e me deixou ir. Chegando lá, o Leo estava com um CD azul na mão e ficava encarando o mesmo com um olhar triste. Cheguei a me preocupar, mas logo depois ele sorriu pra mim. Se levantou, me abraçou e me deu um beijo na bochecha. Ele era incrivelmente mais alto do que eu, mas isso era irrelevante.
_Vai querer o sorvete? – ele perguntou
_Claro. Tome aqui o dinheiro.
_Não não, eu pago.
_Menino, me deixa pagar.
_Para com isso, toma. – disse ele, me entregando o dinheiro de volta
Ele tinha um andar muito sedutor. O cabelo dele voava com o vento. Ele era o cara na qual qualquer uma se apaixonaria com um simples piscar de olhos. Mas eu nunca fui assim. Para me conquistar, tem que ter muito mais que um cabelo bom e me pagar sorvete.
Ele estava voltando com os dois sorvetes de casquinha na mão e me entregou um.
_Então, qual é a sua história? – ele perguntou, chupando um pouco do sorvete.
Minha história? Tenho várias histórias. Talvez, a história que eu tenho como uma péssima secretária. Ou quem sabe, o fato do meu universo ser totalmente diferente dos outros. Mas eu tinha 15 anos, minha história era simplesmente sonhar com o marido perfeito e ser rico.
_Nasci aqui em Leopoldina, mas meu sonho é trabalhar em São Paulo. E a sua história? – eu disse
_Saudade. Essa é a minha história.
Depois de alguns papos, chegou a minha hora de ir embora. Ele me deixou na porta de casa e se despediu de mim com um abraço. O sorvete estava ótimo, e eu sentia a dor dele. Mesmo sendo a garota de coração partido, sempre senti saudades do tempo em que eu fui amada.
Eu cheguei em casa, me deitei e percebi que a tela do meu computador estava acesa. Eu me sentei na cadeira e quando mexi o mouse, senti meu mundo girar como na primeira vez. Mas dessa vez, foi menos intenso.
Acordei, no meu antigo quarto e ele estava vazio dessa vez. Eu enxergava normal, mesmo sem óculos. Então, eu já tinha 30 anos. Olhei pela janela do quarto e a festa ainda estava acontecendo. Não me lembrava de muita coisa, mas lembro que eu estraguei o casamento da minha irmã.
Olhando pela janela, um homem me chamou atenção. Alto, cabelos lisos e cumpridos e olhos muito bonitos. Parecia muito com o Leo, porém mais adulto. Eu decidi não descer até lá, para evitar mais vergonhas. Mas não preciso isso para perceber, que aquilo não foi um sonho.
Antes dele ir embora, eu o parei na frente do carro e gritei:
_Leo!
_Sim? – ele disse
_Você é o Leo?
_Sim, e você se parece muito com a...
_Anita?
_Sim mas... a Anita foi simplesmente um...
_Sonho?
_É. Como sabe?
_E nele, a Fani foi para um intercâmbio e nós fomos para a praça tomar sorvete de milho verde?
_Tá legal, você está me assustando.
_Eu também tive esse sonho. E eu acho que...
_Nós dois voltamos no tempo. – ele disse, com os olhos arregalados. 

Continua...


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