Papel em branco

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Vamos começar do início. Eu vou apagar essas palavras e começar de novo. Na verdade, eu vou pegar um papel novo e escrever em cima dele. O que estava escrito vai continuar manchado, como tudo na vida. Você pode apagar as marcas que não tem mais importância, mas acredite, elas sempre vão estar em uma mancha na nossa alma, como memórias. E cada memória tem um significado. A minha memória com você é uma das melhores. Não faz tanto efeito quanto escrita a caneta, mas até um corretivo pode ser lavável. Fiquei sentada na cama, com o notebook no colo, encarando a minha tela que tem um unicórnio como plano de fundo.Lembrei que tinha uma prova super importante naquele dia, mas não dei a mínima. Deitei e coloquei Red Band Society pra ver e esperei cair no sono, como sempre acontece.
Engraçado que, naquele mesmo dia, eu tive que mandar uma carta.Uma carta tão complexa quanto a Fórmula de Bhaskara. E naquela carta, tinha escrito tudo o que sentia e o que não sentia. Utilizei um caderno inteiro, sem arrancar nenhuma folha, até conseguir escrever a carta inteira. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que começo a achar que sou uma bomba-relógio: cedo ou tarde eu vou explodir. E, acredite em mim, você não vai querer estar perto de mim quando isso acontecer.
Eu sou um copo d'água. De gota em gota, eu vou enchendo. Mas chega uma hora, que não cabe tanta água em 1,57 de altura. E a água que estava no copo, acaba derramando. Mas falar que sou água é tão clichê... Ok, eu sou um copo de vodka. Um copo de vodka bem grande e puro. E a medida que vou bebendo, vou caindo aos poucos, até estar totalmente no chão. E ninguém se importa, já que essa cena é tão normal quanto o azul do céu.
E daquela carta e desse copo de vodka, caíram minhas memórias. E entre memórias, papeis em branco e os bares da madrugada, me bateu uma saudade de você... Mas foi momentânea, depois passou. Passou igual o verão de maio, e aquele nosso tempo de mudança. Mas passou, e eu não estou nem aí.
Eu tive um pouco de vontade de te ligar, mas com mais um copo de vodka passou. Passou tão rápido quanto chegou. E eu só me lembro daquelas últimas palavras que eu disse: "Eu não tô bem, não." E apaguei.
Acordei, já em casa, com uma toalha na testa e minha melhor amiga do lado dizendo que eu sou maluca. Já ouvi essa frase todos os dias da minha vida, durante 21 anos. Acredite, maluquice não é meu maior problema.
Você estava do lado dela, mexendo no celular e pouco se importando se eu estava morrendo. Mas descobri que querer sua atenção é pedir demais. Ela sentou na beira da cama e disse: "Clara, você está bem?" Não. Eu não estava bem. Mas menti, dizendo que era só a dor de cabeça e que um chazinho de camomila ia melhorar. Alguém devia te avisar que a sua presença me faz passar mal. Se é que você já não sabe.
Peguei mais um papel e escrevi tudo o que aconteceu nessa vida e todas as maluquices de 21 anos. Mais um caderno foi embora e junto com ela, tudo o que planejei para 3 anos dali. Rasguei umas quatro folhas, reescrevi umas 7 vezes, até encontrar as palavras ideais para definir aquele momento: Intoxicada com a loucura, estou apaixonada com minha tristeza.
E entre papéis em braco, vodka, memórias e maluquices, encontrei você perdido no meio disso tudo. E desculpe se fiz errado, mas eu não dou a mínima. Como eu disse, eu sou maluca de natureza. E maluquice leva a tristeza. E para ser triste, precisa-se de muitos papéis e canetas.


-B



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6 comentários:

  1. Amei <3 , me fez refletir e olha que isso é raro ultimamente.

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  2. Eu AMO seus textos! É como se eu conseguisse ver como é ser você em poucas linhas. Pode ter certeza que se algum dia isso tudo virar um livro vou ser o primeiro a comprar!

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    1. Ai Josh, falando assim fico até sem graça <3 Muito obrigada e que se Deus quiser vire um livro mesmo haha

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