Querido Diário

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Querido diário,
Hoje bateu um ventinho aqui dentro. Mexeu alguns pauzinhos e bagunçou outros. Me mostrou coisas que eu nem lembrava que estavam vivas e matou algumas outras. Eita, ventinho frio! Mas tá tudo bem agora. Aquele domingo foi meio chato de passar. Ficar vendo filmes, séries e comer sorvete o dia todo é meio ruim... Foi um domingo vazio. Foi um domingo tão cheio, que decidi sumir.
Eu tentei sumir de mim mesma. Tentei dormir, hibernar e acordar quando tudo tivesse ido embora. Mas meu celular apitava toda hora. Eu não consigo me desligar desse mundo. Eu preciso desse mundo "just like an eagle needs to fly".
O céu estava meio escuro. Estava um clima gostoso pra agarrar nele e só soltar no verão. Mas ele estava tão distante de mim. Eu estava distante de mim. Estava tudo desabando, mas só ia cair ar.
Me segurei mais um pouquinho. O tempo estava acabando. Ia desmoronar. Ia dar errado. Ô meu Deus, o que faço agora? Tento mais, ou encaro minha tristeza como 11 de setembro? Duas torres foram derrubadas naquele dia. Talvez, três.
Minha tristeza é uma ressaca, ou seja, só vem no dia seguinte. Fiquei meio bêbada de ilusão, meio perdida na multidão de duas pessoas. Lavei o rosto, chupei uma bala, liguei o rádio e disse "Está tudo bem".
Querido diário, posso lhe contar um segredo? Não estava tão bem assim. Aquele vazio me consumia. Eu sentia que estava sumindo e meu coração estava pendurada em minha garganta. Balançando de um lado para o outro, sem rumo ou direção. Esperando para cair. Desfalecer.
Eu dormi por volta das oito. Não queria mais ficar acordada. Meus sonhos sempre foram muito legais. Naquele dia, sonhei com o novo filme do Jurassic Park. Aquele que espero anos para poder ver. Pude fugir um pouco da solidão. Do meu Sol, então. Da Lua. Da solidão.
Eu perdi várias canetas naquele dia. Inclusive, a minha preta favorita. Escrevi uns poemas, uns trechos no meu livro de clichê adolescente que ninguém nunca vai ler. Comi muito e me escondi no cobertor, esperando ser encontrada por algum monstro.
Mas o que ninguém sabia, era que o monstro estava dentro de mim. O tempo todo.
Não precise de sal grosso, galinha preta ou pedras de Deus para tirar ele de mim. Precisei de um copo d'água, um abraço de mãe e um "Estou preocupado com você".
Está tudo bem, eu disse.
Eu estou bem. Sempre fico.




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Um comentário:

  1. Lembro do seus primeiros dias no Liceu Bárbara, vc smp mto especial. Pude viver alguns ótimos momentos ao seu lado e de sua mãe.
    Fico mto feliz em ver cada sucesso seu.
    Te desejo o melhor smp.
    Abraços da "Tia"Amanda.

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