Um monte de bobagens

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Eu nunca senti algo assim. Depois de quase quinze anos me sentindo tão sozinha e horrível, ficar bem e relativamente feliz é algo totalmente novo. É como pular de paraquedas pela primeira vez. É como perder a virgindade. É como se apaixonar.
Mas sabe de uma coisa? Minha insegurança continua intacta. O medo de ser abandonada e ser deixada sozinha, como sempre aconteceu. Eu acho que eu faço a analogia de que se alguém me abandonou, todos vão fazer o mesmo. Isso pode ser um fato, mas eu acho um absurdo pensar assim.
Esses dias me perguntaram por que eu sou tão sozinha. Bom... a solidão não é algo que se escolhe. Você pode até chama-la para entrar e tomar um café. Conversar sobre os velhos tempos e contar as novidades. Mas depois disso, ela vai embora quando quer. Mesmo que isso demore.
E eu acho que ela finalmente foi embora.
E eu tranquei a porta.
Mas sobre a insegurança...Ela nunca foi embora. Não quero dizer que isso é bom, mas acho que a insegurança é uma dor necessária. Ela me mantém avisada sobre qualquer risco e sobre qualquer ameaça de abandono. A solidão é só consequência da insegurança.
Desde que levantei da cama e decidi procurar uma vida útil para viver, percebi que o maior motivo da minha solidão era eu mesma. Eu sempre me isolei, nunca arrisquei, por medo de ficar sozinha. Entenderam o ciclo? O medo da solidão me deixa solitária.
E no meio das anotações da madrugada, percebi que fiz um monte de escolhas erradas. Quer dizer... não existem escolhas erradas. Mas existem as consequências indesejadas. E isso acontece comigo o tempo todo.
E aí está a minha amiga solidão mais uma vez.
Mas meu maior problema é que não consigo combate-la. Eu meio que gosto dessa dorzinha. Dessa sensação de que alguém, em algum lugar, vai acabar se preocupando comigo. O mundo gira. Sem parar. E mesmo que se uma porta se feche, outras vão abrir. A Terra é redonda. A gente sempre volta no mesmo lugar.
Eu notei que toda vez que eu vou me arrumar, eu tiro meia hora para decidir a roupa. E sempre escolho a primeira roupa que experimentei. Talvez, no final, tudo volte pro começo.
Eu não consigo tirar a solidão de mim. Não consigo fazer escolhas boas. Não consigo fazer nada.
A minha insegurança, me leva para o egoísmo, que me deixa chata e afasta as pessoas de mim.
Solidão.
Nunca achei resposta para nenhuma das minhas perguntas. Meus cadernos continuam cheio de pontos de interrogação. Acho que depois de questionar a solidão, passei a questionar a felicidade. Nunca encontrei um ponto final, mas espero que isso não faça eu perder meus valores.
E pela primeira vez na vida, fiquei doente de cansaço.




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