Enfim, o fim

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Eu tentei me esconder do fato de que tudo na vida é passageiro. Tirei as pilhas do relógio, me encolhi na cama e recusei a realidade até minha última gota de suor cair. Mas eu descobri que não dá pra se esconder da realidade por muito tempo.
Aprendi que sim, tudo tem um fim. E acabando bem ou não, outras novas vão começar. Querendo ou não, vou ter que lidar com o fato de que a felicidade é passageira, sentimentos não são recíprocos (nunca são) e que palavras, são só palavras. Eu devia ter aprendido isso antes.
As pessoas sentem dor. Algumas, mais do que as outras. E cada dor é relativa. Eu poderia descrever a dor que está dentro de mim agora, mas cada um vai pensar uma coisa. Eu estou presa nessa dor, já faz uns três anos.
Uma vez eu li que o fim faz a gente lembrar de com o começo era bom. E eu rezei muito para nunca sentar no ônibus e falar "nossa, aquela frase é verdade". E hoje aconteceu isso. Foi quando eu percebi que deveria escrever isso aqui.
Eu vou sentir saudade de tudo. Igual eu sinto da época de quando eu tocava violão na rua, e da época em que eu era amada por alguém. Vou sentir falta de não ser amada. Vou sentir falta de cada cor, cada clima, cada olhar. Mas a saudade, é só uma nostalgia mais forte. Você dá a intensidade que quiser pra ela.
Pode ser que essa saudade aperte mais nos dias de chuva, nos filmes, ou nas raras vezes que eu for no cinema de novo. Mas quando lembrar disso tudo, vou só sorrir. Porque lembrar do que foi bom, é melhor esquecer do que é ruim.
Eu decidi não sofrer. Toda vez que algo acaba, eu me desmancho inteira, mas é por opção. Eu decidi não sofrer. E isso é uma escolha, sim.
Amanhã, eu vou naquela festa. De salto alto, batom vermelho (eu nunca uso batom) e uma saia curta que eu sei que deixa minha perna fantástica. Vou me divertir, vou esquecer um pouco e vou abraçar minha melhor amiga e dizer "acho que acabou mesmo, amiga". Fazer algumas piadinhas, algumas ofensas e vou acabar rindo no final. Rir no final, é sempre o mais fácil.
Amanhã, tudo vai estar melhor. Hoje eu já estava melhor. Ri um monte com minhas amigas, até esqueci que uma parte de mim foi embora. Fiquei contando altos casos, rindo com cada um deles e tentando entender porque a vida tira tanta coisa da gente. Mas ela nunca erra. Já li também que se Deus te diz "Não!", você deve dizer "Obrigada".
Não sei se está na hora de agradecer ainda. Mas espero descobrir um pouco mais de mim com isso tudo. Espero aprender que tudo tem um fim. Espero parar de me importar com palavras e quero aprender a me amar, acima de tudo.
Então, depois das risadas, do rum, da mentira, da verdade, das escolhas, das brigas e dos sorrisos, enfim, o fim.
Acho que o melhor seja aceitar. Aceitar que ele se foi, que ele não volta e que eu devo me curtir um pouquinho. Criar novos amigos, escrever novas histórias e traçar novas metas. Talvez seja melhor o fim, do que toda essa parada de amor. É muito confuso pra mim. Parece mais fácil nos livros.
Não vou falar que estou bem. Mas eu vou ficar. Meu coração tá quebradinho, mas eu vou colar ele e esperar a cola secar, e talvez esse processo de secagem seja o mais difícil e demorado (obrigada, Carol).
Não sei se vou ficar inteira. Não sei se vou recolher os cacos. Não sei de nada. Mal sei quem sou eu. Só sei que depois dessa, toda minha decepção vai pra algum lugar. Todo o amor que eu dei em vão, foi dado de coração. Onde ele foi parar, não interessa. O que interessa é que eu dei tudo o que eu pude dar. Da minha sincera vontade.
Mas as vezes, as coisas acabam. Sem a gente querer, mesmo. E é com elas acabando que a gente aprende a dar a partida. E aperta o cinto, que a viagem vai ser longa.
Se cuida.
A gente se vê por aí.




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