Liberdade

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Pra quem não sabe, eu fiz uma cirurgia. E durante anos eu fiquei esperando pra faze-la, até que quando chegou a hora, eu fiquei me perguntando se era isso mesmo que eu queria. Fiquei pensando sobre como as pessoas reagiriam ao me ver diferente e como ficaria depois de algum tempo. Mesmo com tanto questionamentos, eu fui lá fazer a tal cirurgia.
Eu já estava no hospital, lendo aquelas revistas chatas e desinteressantes sobre famosos que pessoas da nossa geração não fazem nem ideia de quem sejam, e morrendo de fome por ter ficado 12 horas sem comer. O meu telefone estava conectado ao wi-fi do lugar e eu recebi uma mensagem. Meu pai dizia: "Filha, seu avô faleceu hoje de manhã..."
Aquele dia a.k.a ontem, foi um dia cheio. Foi a primeira vez (que eu me lembre) que tomei uma anestesia e fiz uma viagem astral. Foi o dia em que eu vomitei no supermercado e foi o dia em que eu chorei, sem saber porque estava chorando.
E eu estou mal. Tanto fisicamente, quanto emocionalmente. Fisicamente porque... bem, eu fiz uma cirurgia. E essas coisas doem. Mas emocionalmente, eu não sei dizer. Talvez seja por essa sensação de estar presa em casa, sentindo dor e tomando remédios horríveis. Sem poder ver minhas amigas, meu namorado e sem poder ouvir música no fone de ouvido.
Além dessa dor de cabeça, eu quero sair. Descobri, nessa prisão chamada minha casa, que sou um pássaro e que eu preciso muito voar. Mas as vezes, quando nossas asas são cortadas, um pedacinho de você morre.
Eu preciso da liberdade. Preciso que se preocupem comigo, preciso de ter alguma coisa a qual me apegar.
E o que mais me prende, não é só a dor. Não é só o mal estar ou o enjoo. É que eu preciso aprender a viver sozinha, solitária e totalmente presa. Pra que? Eu ainda não sei. Mas eu também aprendi a não questionar a vida, e parar de perguntar qual o sentido dela.
Desde que deitei na minha cama e comecei a reclamar de dor, eu to me sentindo um encosto pra minha família. Sei que isso não é verdade, mas não há nada que eu possa fazer.
Nos próximos quatro dias, estarei presa. Não só meu corpo, mas minha alma. É o que dizem por aí, que alma presa, é corpo preso.
Essa faixa no meu rosto, não é a minha grade. A minha grade, é, na verdade, essas paredes azuis, que não me permitem visualizar o mundo, do jeito que eu quero ver. O meu mundo. E mostram uma realidade muito real, da qual eu estou me escondendo a anos.
Mas tirando isso tudo, eu tô bem.
Eu sempre fico.




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