O Adeus

16:25


É uma palavra tão pequena, mas que diz tantas coisas. Uma palavra que, ao mesmo tempo que destrói momentos e futuros, começa com outros. Uma palavra que com com cinco letras, é capaz de destruir corações.
O que dizer sobre o "adeus"? Essa coisa que chega nas nossas vidas. Que nos faz pensar demais, tomar banhos demorados, escrever poemas horríveis e chorar com filmes bobos. O adeus só não é pior que o amor.
Eu sei que o fim é uma coisa péssima. Mas mais difícil ainda, é o começo. É no começo que tudo se forma. Coisas que não eram para acontecer, acontecem. Gente que não era se apegar, se apega. Coisas que não eram para começarem, começam.
Um dos piores problemas do jovens corações de hoje em dia (isso me inclui), é que eles acham que nada tem um fim. Que tudo é eterno e que são imortais. E na medida em que crescem, se decepcionam e ficam encarando o fim, eles descobrem que o fim pode até ser bom.
Quando eu era menor, eu custava para gostar das pessoas (eita, tempo bom!). E quando eu gostava muito de alguém, eu falava: "Gostei de você. Espero que você morra." E quando eu conto essa história, todo mundo ri. Mas bem, tem todo um sentido por trás disso.
Eu sempre vi a vida como algo péssima. Desde cedo eu vi vários fins, separações e crises. E eu mal sabia o que estava acontecendo. Eu aprendi a viver em um ambiente confuso e cheio de gritaria. Eu imaginava que o resto do mundo era assim. Viver ficou sem graça pra mim. E imaginava que era sem graça para os outros, também. E por isso eu desejava a morte de quem eu gosto. Porque viver é muito complicado.
Hoje, eu ainda acho. Mas eu vejo a maior graça em viver. Viver é como um jogo, sabe? Um jogo que quanto mais você joga, mais você que jogar. Viver é uma droga, e eu digo isso em todos os sentidos.
O mais interessante de tudo isso, é como acabou.
Tenho uma cena na minha cabeça. Que toda vez que eu lembro dela, eu me pego encarando o céu e parada no meio da rua.
Eu costumava morar em uma casa grande aqui em Nova Lima quando eu era menor. E como meus pais são separados, meu pai ia lá me ver de vez em quando. Um dia, eu fui despedir dele no portão e disse:
-O que quer dizer "goodbye"?
E ele disse:
-Adeus.
E eu fiquei me perguntando o significado da tal palavra, e não achei sentido.
- O que quer dizer "adeus"?
-É quando não veremos mais a pessoa.
-Ah, sendo assim... Tchau.
-Adeus. - ele disse
Ele entrou no quarto e fechou a porta. Na época, aquilo não me fez sentido. Mas alguns anos depois, com muita terapia, papel e caneta, eu entendi.
Na real, eu nunca mais vi o meu real pai. Nunca mais vi ele como herói ou como meu príncipe encantado. Eu perdi todo esse encanto que eu tinha. E foi aí que eu me apaixonei com a palavra "adeus."
Depois desse dia, eu comecei a escrever a palavra em todos os lugares que eu podia. Sonhava com aquela cena e nunca mais falei "Tchau", por medo de receber um "Adeus." Nunca mais despedi do meu pai num portão. Na realidade, nunca mais despedi do meu pai. Porque eu nunca vi que ele havia chegado.
Esse é o Adeus. O Adeus que a maioria das pessoas temem. O Adeus que não tem nada haver com Deus. O Adeus que acaba e começa com tantas coisas. O Adeus que coleciona momentos.
Eu tenho a mania de terminar com tudo o que começo.
E não vejo isso como uma qualidade.





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