Os livros que nunca li por medo de me descobrir

09:00



O que eu faço da vida? Ah, eu faço uma porrada de coisa. Eu estudo, respiro, faço amor, faço guerra, brigo, discuto, apanho, bato, escrevo. É, pois é. Eu escrevo. Engraçado que isso de colocar palavras num papel nunca foi meu plano. Na verdade, eu nunca tive planos. Mas tudo isso mudou quando eu criei uma pasta no computador e comecei a escrever umas palavras bonitas com fontes e cores divertidas.

Desde criança eu gosto de ler. Sempre gostei de misturar as realidades, sair por aí em falsas aventuras e me vestir de imaginação para enfrentar a solidão de uma criança. Nossa... Como eu sou uma pessoa obscura.
Sendo assim, eu aprendi a enfrentar os problemas do meu jeitinho. Colocava as músicas que meus pais ouviam e de tabela eu gostava pra caramba, comprei umas tintas e uns quadros e comecei nesse mundo de criar. Artista? É, pode se dizer que sou sim. Acho que a verdadeira arte que eu faço é só sentir.

E sentir é bastante complicado, sabe? É dolorido, é gostosinho. É momentâneo, é eterno. Poxa... Que treta. Sentimento é essa coisa que não deve guardar na gaveta. "E lá vem ela com ela essa parada de sentir de novo. Vende na esquina, menina. Ninguém quer seu coração de graça. Ninguém vê graça nessas coisas. Amor? Que coisa absurda! Para de ser assim que você não vai a lugar nenhum. Sentimentos nunca me deram nada. Só angústia, tristeza e solidão."

Caramba... Que mundinho cruel. Criou as palavras para serem ditas mas tem gente que faz um baita mal uso delas. E essas que economizam palavras? Triste é você que guarda frases bonitas e reais por medo do que pode vir. E o que vir, meu amigo, são só mais palavras pro seu vocabulário.

É. Desde moleca eu sou meio artista. Não paro quieta, falo o dia inteiro, canto no chuveiro e escrevo pelas paredes. Misturando o real e o irreal, transformando tudo em uma coisa só.

Não. Eu nunca acreditei em conto de fadas. Nunca quis ser princesa, rainha, rica, bonita. Meus sonhos eram outros. Eu era magrinha, cabelo claro e enrolado, que observava tudo e falava o que pensava. Ganhou uma agendinha uma vez, um lápis e uma borracha. Lá, eu escrevia todos os meus planos de querer ir para o espaço, de querer ser adulta e ajudar as pessoas.

E então, escrever virou obrigação. Dever de casa, tarefas, listas... Eu não reclamava. Desde que aprendi a escrever, percebi que tudo isso valia a pena. Comecei a pensar em novos sonhos, novas histórias. Me apaixonei pela primeira vez e... Ah! Que azar.

Escrevi cartas e cartas, fazia planos e planos, tinha sonhos e sonhos. Como era de se esperar, nada foi pra frente. Hoje, a gente se esbarra por aí. A gente lembra de como foi engraçado aquela época e dá boas risadas. Conto como foi minha vida depois dele e ele me conta como ele nem lembrava de mim. Maldade.

Teve vários outros amores depois dele. Talvez tenha ainda mais. Não foi o amor que me fez começar a escrever. Não foi a solidão, não foi a raiva nem a alegria. Foi só a curiosidade e a vontade de poder criar um mundo onde as palavras fiquem apenas onde elas devem ficar, e não voar por aí para quem quiser pegar.

Nem todos sabem a importância das palavras. Acham que palavras são só palavras. Que nada! Eu sou escritora, meus queridos. As palavras são borboletas que não precisam de casulos. São nuvens que não precisam de um céu. São sentimentos, que encontraram abrigo no meio do papel.




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1 comentários

  1. Escrever é poesia para a vida. Que seja um estímulo para você e todos os aspirantes a escritores. Grande beijo!

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