Bomba

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Já faz algum tempo que eu estou oficialmente solteira. Depois de sete meses, estou experimentando a solidão entre um coração e outro. Me disseram para aproveitar isso e até me deram uma lista de caras para eu "ficar". Mas comigo, não é assim que funciona. Não gosto de compartilhar o meu "eu", me entregar de corpo e alma, com todas essas manias e defeitos, para qualquer um. Não. Tem que merecer, e mostrar que quer lidar com isso tudo. Sei que eu não sou aroma da manhã, o primeiro raio de Sol do dia ou flor cheirosinha. Sei lá o que eu sou, na verdade. Mas acho que quero descobrir.

Cometi meus erros, sim, beijando bocas aleatórias e desmerecedoras. E outras, talvez, não aleatórias. Mas, às vezes, eu esqueço que eu sou meio diferente, e não no bom sentido. Não gosto de perder, e tem vez que eu vou até o topo no Everest para ganhar (perdi).

Eu andei pensando e escrevendo. Por quem devo me apaixonar agora? Por alguém que me completa? Ou por alguém que eu devo completar? Às vezes, um completa o outro. Mas isso não acontece de primeira. São dois corações, muitas vezes quebrados, tentando se juntar um com o outro. É fogo contra fogo. Até essas chamas se acalmarem, tem toda uma confusão. O amor não nasce de um ovo. Ele se constrói. Com muita treta, tiro, porrada e bomba.

Nós, seres humanos, temos a tal tendência de fugir de tudo que é dificuldade. Mas o que ninguém te avisa quando você é criança, é que são as dificuldades que fazem a gente crescer. A gente aprende é quebrando a cara, mesmo. Nós ignoramos a dor, sem pensar que o curativo pode ser uma renovação. Nós esquecemos que no final, tudo está conectado.

Eu estava disposta a continuar. Não foi pro falta de argumentos, tentativas e arrependimento. Queria muito fazer aquilo dar certo. Por algum tempo, minha ficha não caía e eu tentava criar aquelas esperanças malvadas dentro de mim, que não nos levam a lugar nenhum. Eu erro, eu assumo, eu concerto. Sempre tentando crescer, e não apenas me deixar feliz. Temos, todos nós, nossos defeitos. É normal. Mas não podemos deixar que eles ofusquem as qualidades.

Talvez, eu ainda não saiba o que é amor. É tudo muito novo pra mim, eu tenho só 15 anos. Esses dias me perguntaram o que é, e eu não soube responder. Tá, eu realmente não sei o que é amor. Mas sabe o que é o divertido? O divertido é poder buscar o significado disso com quem a gente quiser. Mas nunca disse que seria fácil.

Enfim, isso tudo está doendo demais em mim. Fazia um tempinho que meu coração não implorava por perdão, por remédio e por abraços. Aqui estou eu. Desci do barco, numa praia deserta. Areia, mar e ar. Talvez eu esteja sozinha. De vez. Não sei se vou esperar ele voltar, não sei se devo. Mas sabe? Meu coração está quebrado, judiado. Se voltar, que fique. Se ficar, não brinque. Mas se partir, leve todas as suas coisas. Seus livros, suas roupas, suas músicas. Todas as palavras e promessas que a gente teve, mas nunca levamos nada pra frente. Leve tudo isso.

As lembranças acabam nos relembrando de algo que nunca será história.





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