Hoje

16:33



Hoje é dia 9 de janeiro de 2016. São exatamente 22:14 da noite. Um dia de sábado. Já dei boa noite para todos da minha família e agora, eu estou no meu quarto, com todas as portas e janelas abertas. Uma tentativa falha de convidar as estrelas para se abitarem nesse pequeno e humilde recinto que tenho orgulho em falar que eu durmo, vivo, escrevo, amo, e todas essas coisas. Ouço músicas que me fazem lembrar de um passado mútuo que tenho vontade de apagar, e outras músicas que me lembram de um futuro, que talvez, nunca terei. Acontece uma festa de um amigo meu na casa em frente à minha. Não fui convidada. Eles nem lembraram de mim. Amigos estão lá. E eu?
Hoje foi um dia intenso. Eu fiquei nervosa pelos motivos mais bobos e estúpidos que eu poderia pensar. Perdi minha cabeça em tentativas de ficar em paz. Mas isso só trouxe mais para guerra dentro de mim. Minha cabeça começou a girar, minhas lágrimas começaram a encontrar com o chão. Quando eu fui ver, eu fazia companhia para a minha doce solidão.
Nada deu muito certo hoje. Nem esse texto, que era pra falar sobre um vazio que sinto (calma, vou chegar lá) e acabou virando uma nota de falecimento. Das minhas esperanças.
Sobre esse vazio, eu sinto desde pequena, pelo o que eu posso me lembrar. É como se todo o meu corpo fosse um quebra-cabeça, e falta uma única peça, que fica no lugar do meu coração. E há quase 16 anos, eu procuro um jeito de preencher esse vazio. Já fiz buscas sábias, mas também procurei em lugares estúpidos. E de uns tempos pra cá, eu sinto que quanto mais eu procuro essa peça, mais ela se distancia de mim. Na verdade, tudo vem se distanciando de mim. Eu sinto como se esse quebra-cabeça todo fosse se desabar. E como eu vou ficar?
Notem, que nenhuma dessas perguntas tem - de fato - umas resposta. Porque se formos parar para pensar, nada tem. Principalmente as coisas que mais precisamos saber. É sempre assim. É uma língua que não conhecemos. E sinceramente, eu tenho medo de respostas. Elas sempre podem trazer mais perguntas.
Hoje, eu conversei com minha mãe. Coisa que raramente acontece devido à correria. Mas hoje, especificamente hoje, ela conversou comigo. Eu contei a história desse vazio, que chega até a doer fisicamente, e ela me disse: "Filha, mas esse vazio nunca será preenchido. Por nada, ninguém". É, mãe. Eu sempre soube disso.
Por isso, aqui fica meu relato de desistência. A partir de hoje, eu não vou procurar mais a peça que me falta. Não vou mais tentar me encontrar, como tantos poetas e intelectuais dizem por aí. Não vale a pena. É perda de tempo. Na realidade, esse vazio dentro da gente nem existe. Entende? É só uma desculpa, para não termos que lidar com os problemas e a dura realidade de ter que enfrentar de peito aberto os desafios da vida. Viver é fácil com os olhos fechados.
Hoje, dia 9 de janeiro de 2016, eu desisto.
De mim mesma.


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1 comentários

  1. Desistir de si mesma é a pior opção que você pode tomar (na minha opnião), aposto que essa decisão é momentânea, as vezes quando tudo que você mais precisa da errado a coisa mais fácil a se fazer é chorar, ficar triste e desabar (não que chorar não seja bom, pra mim as vezes é a melhor coisa a se fazer)mas amanha ou daqui 3 dias vai acontecer alguma coisa boa, você vai acordar com a autoestima la em cima e vai conseguir superar tudo isso.
    Então, eu espero que tudo já tenha melhorado um pouquinho.
    Uma pergunta:esses textos são baseados na sua vida?

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