Se a felicidade é uma escolha, por que eu ando tão triste?

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Eu andei escrevendo muito sobre o amor. E eu andei pensando porquê, exatamente, ele tem me incomodado tanto. Quer dizer, eu sempre gostei de ver casais apaixonados se amando na rua. Sempre gostei de ver qualquer demonstração de afeto. Sempre gostei do amor, independente de qual seja, ou como seja.
Mas então, ultimamente, isso tudo começou a me irritar. Eu não aguento ver beijo na boca, mãos dadas, abraços, risadas. Eu viro a cara na hora, abaixo a cabeça e finjo que não vi. Antes não. Antes eu observava, sorria e desejava a maior felicidade do mundo para aquele casal.
Hoje é dia 29 de janeiro. Dia do bloco da taioba, aqui em Nova Lima. Esse bloco é bem perto da minha casa, então dá pra ouvir as músicas e o pessoal cantando. Sim, eu gosto muito de carnaval. Gosto de festa, de folia, de gandaia. Mas hoje eu estou em casa, escrevendo esse texto, meio doente e com o coração partido.
Ouvir esse pessoal feliz, me deixou enfurecida. "Que absurdo essa gritaria!", pensei. Mas logo eu notei, que se eu estivesse no lugar deles, eu estaria muito feliz. Estaria dançando, rindo e nem ia lembrar que existe alguém querendo dormir nesses prédios que ficam na rua.
Por quê a felicidade alheia nos irrita tanto? Acreditamos que apenas nós temos o direito de ser feliz e nos divertir. Eu tenho muita inveja desse povo que sai todo fim de semana, pois eu não tenho ânimo nem amigos para isso. Mas se eu pudesse, eu festejava todos os dias.
Nós temos inveja de tudo aquilo que queremos e não temos. Nós sempre queremos mais e mais. Já ouviu falar que pimenta nos olhos dos outros é refresco? É exatamente isso. Nós somos tão egoístas à ponto de querermos a felicidade só para a gente. Mas nós nos esquecemos que existe outras 7 bilhões de pessoas no mundo, que lutam diariamente,  para abrir um sorriso no rosto. Para uns isso é fácil, para outros, não é tão simples assim.
Por um momento, me bateu um ódio de todos meus amigos que foram nesse bloco e deixaram em casa sozinha. Mas depois eu pensei: "Deixa eles se divertirem. Isso não significa que eles gostam mais ou menos de mim". E de fato, não significa. A pessoa tem o direito de não fazer questão que você vá, ou de não querer conversar com você no dia. Mas isso não significa que ele goste menos de você. Já ouviu falar de humor? O meu, pelo menos, muda de uma hora pra outra.
Isso é libertação. Entender que a felicidade do outro (seus amigos, eu espero) não depende da sua infelicidade. Entender que todo mundo tem o direito de ser feliz, e que a gente não tem nada a ver com isso. São escolhas. E escolher a felicidade, é bom demais.
E eu? Eu estou bem! Estou aqui, jogando jogos no meu computador, ouvindo o álbum novo da Rihanna e planejando o dia de amanhã, que aí sim, vou descer um bloco e rebolar meu bundão. Vou rir com minhas amigas, cantar meus funks proibidos. Eu vou ser feliz. E isso não é da conta de ninguém.
Se você ainda se incomoda com a felicidade do outro, meu amigo, eu sinto muito. Acho uma boa ideia você fazer aulas de yoga, ir no psicólogo. Essa parada de auto-conhecimento, sabe? Eu fiz e recomendo bastante. Experimenta também.
Gente feliz não enche o saco.




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