O Fogo

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Ah, o fogo. O fogo que queima as entranhas dos nossos corpos mortos e cheios de tristeza. O fogo que alimenta a a alma e aquece minhas mãos tão frias, que fazem companhia para o meu coração gelado. O fogo que com sua luz, ilumina meu caminho na escuridão da noite, com a ajuda das estrelas e da lua. Ah, o fogo. Que depois de tanto tempo achando que ele era uma coisa ruim, eu descobri que é a coisa mais maravilhosa do mundo. 
Acabei de chegar de uma viagem. Enquanto meus amigos estavam pulando Carnaval, ficando bêbados e beijando desconhecidos, eu estava no meio do mato, sem sinal de celular ou qualquer contato com o mundo externo. Além daquele sitiozinho que cada um lava seu prato, não come carne, e fazemos fogueiras todas as noites. Com a minha família, a minha psicóloga, que deixou de ser minha psicóloga e virou minha maior guia que existe nessa terra. 
Mas eu aprendi cada coisa nessa viagem... Conheci meus ancestrais. Eu me descobri ainda mais. Aprendi que de alguma forma, em algum lugar, em algum dia, tudo se conecta. Aprendi que, de fato, eu não estou sozinha. Que eu não preciso de um certo arroba pra viver. Que eu não preciso de um celular. Eu só preciso de uma rede, um bom livro e rapadura. 
Mas acima de tudo, eu aprendi que tudo está completamente certo. Tudo no final fica bem. E se nada está bem, é porque ainda não é o final.
E eu vou te falar, que eu purifiquei esse coração que estava congelado desde então. Com tanto amor e carinho que estavam lá, era impossível não se render aos seus propósitos e ao amor. 
Lá tinha uma pedra. Chamávamos de pedra da lua. Um dia antes de eu partir, fizemos uma fogueira lá. E ali, assistindo aquela fogueira queimar as madeiras e as folhas secas, eu me senti aquecida. 
Me disparei a chorar. Chorava e chorava (motivo vai continuar em segredo pra mim mesma, pois não é nada que vocês precisem saber). E então, quando me perguntaram se estava tudo bem, eu só respondi "não". E quando me perguntaram o motivo eu só respondi "passado". Não precisei de mais nenhuma palavra, para ser compreendida e acolhida.
O fogo? Estava lá. Ardendo de quente. Notei que quem preparava a fogueira, a soprava, e ela só crescia com sua chama. Achei irônico, pois o ar acaba com o fogo, não é? 
Não. O ar alimenta o fogo. É o que deixa o fogo crescer. Mas ao mesmo tempo em que ele o alimenta, se for usado em excesso, pode o matar. 
Então, foi assim que eu aprendi que eu sou uma planta em eterna transmutação. Hora eu preciso do ar, hora eu sou o ar. E no momento, eu sou um ar tão puro quanto aquele que respiramos no meio do mato. Aquele que fica depois que a chuva cai na grama na tarde nublada de domingo. Aquele de manhãzinha na praia. Aquele.
Eu sou tudo o que posso ser. Eu sou tudo o que quero ser. É só não deixar as coisas me matarem da próxima vez. 




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