Eu (de novo)

09:56



É, eu sei que eu não sou a pessoa mais fácil de se lidar, sei que meu humor varia muito com o clima, sei que eu choro por qualquer besteirinha, que de vez em quando o ciúme ataca a minha insegurança e eu brigo sem motivo algum. Mas dentro de mim, sempre fica aquela sensação de que o mundo inteiro está contra mim.
Abandono. Acho que essa é a palavra certa.
Sei que sou mais enrolada do que linha de crochê. Sei que tenho opiniões diferentes das do resto do mundo e muita vezes escondo elas pra mim (por medo, talvez). E que não é qualquer um (com qualquer gosto musical), de qualquer signo que consegue ganhar a minha atenção. É que eu cansei de dar a minha cara a tapa e me entregar de bandeja só para tentar preencher pedaços marcados.
Meus dias tem demorado muito para passar. Com tantas coisas para fazer e pensar, eu ainda preciso separar um tempinho para sofrer, digo, escrever. Chega de noite e eu, provavelmente, estarei exausta e coberta de dores. Feridas. Feridas essas que são expostas, mas eu consigo esconder muito bem todas elas. O motivo dessas feridas? Ah, são inúmeros. Demoraria anos para cita-los. Mas eu sei que, hora ou outra, esses machucados vão se curar e eu estarei pronta para me ralar toda novamente. Pois eu já aprendi, que não há crescimento sem um pouco de (muita) dor.
Eu sei que sou exagerada, dramática, desesperada. Gosto muito de carinho, ficar em casa vendo filmes de romance e comendo chocolate. Sei que minhas amigas são tudo na minha vida, logo atrás da minha família. Sou como lua, de fases. E sei que ela gosta muito de mim também.
Por mais que eu tente, eu não sei falar muito sobre mim. Não gosto de dar conceitos à variáveis. Sou mais da prática, de viver. Sentir. Sei fazer isso bem.
Não sei o que faço comigo, não sei para onde vou e se vou para algum lugar. Disso vocês já sabem. Mas eu insisto em continuar o meu caminho, olhando a paisagem e sentindo o vento no rosto. Eu gosto de surpresas e quero descobrir o que me espera no final. Se é que existe um final.
Tenho angústias, raiva, inveja. Assumo e admito. Sempre reclamo da vida, mas eu sei que ela está ótima! Adoro chorar as pitangas, ouvir os outros chorarem. Sou péssima para dar conselhos, porque eu não me sinto responsável o suficiente. Mas tudo bem, ninguém nunca me ouve.
Eu não sei o que eu sou. Nem faço questão de saber, por enquanto. Curto minhas dores, minha fossa. Tenho playlist para todos os momentos da minha vida e não sei o que vai ser de minha se o Spotify sair do ar (igual aconteceu com o Rdio).
Mas eu sei que meu coração não é mais aquele que costumava ser. Vazio, sofrido.
O que eu não sei, é o que vai ser de mim a partir de agora.


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6 comentários

  1. Só acho que as vezes tu para de escrever sobre você e começa a escrever sobre mim </3

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    1. Nossa, tenho a mesma sensação, agora não sei ainda se isso é bom ou ruim ):

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    2. Aí vai depender do tema do texto haha sometimes is good, but not always </3

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Amo tanto seus textos, sinto vontade de te abraçar, coisa linda!

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