Conclusões

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É cedo. Eu fechei as cortinas para impedir que a luz do Sol de manhã queime o meu quarto e, consequentemente, o meu corpo enrolado nas cobertas. Mas não deu certo. Esqueci e fechar a porta da varanda ontem à noite, então a luz entrou de qualquer jeito. Não fiquei com raiva ou desejei dormir mais algumas horas. Até porque, hoje é sábado. Tive uma semana cansativa, dolorida. Mas eu apenas levantei e peguei um livro pra ler.
Era tarde. Não lembro mais como cheguei em casa ou quando foi que consegui dormir. Os restos de maquiagem preta ainda estão no meu rosto e meu batom que simplesmente desapareceu de um dia pro outro. Tem roupa espalhada pelo chão, dinheiro em cima da cama. Minha cabeça dói, mas isso não é de hoje. Meu corpo cambaleia como se acompanhasse uma melodia de música clássica. Beethoven, talvez? Não entendo disso.
Aos poucos, as lembranças da noite anterior começaram a chegar na minha cabeça. Vergonha, pensei. Não devia nem ter ido. Não foi lá a melhor festa do mundo, mas também não chega a ter sido a pior. Todo mundo já passou por situações dessas. Sei lá, alguém já?
Eu não enxergava nada. Meu cabelo que estava extremamente liso chegou em casa completamente cacheado. Mas isso é normal, chapinha não dura no meu cabelo. Minha voz desapareceu, junto com a minha vontade de respirar o mesmo ar. Meu coração não estava disparado, o que eu estranhei. Eu estava bonita. Muito bonita. Bonita o suficiente pra "conquistar" o coração do cara mais gato de lá. Eu não me orgulhei disso, e ainda não me orgulho.
Perdi minhas amigas de vista no meio daquela multidão de gente que parecia mais um bando de animais. Mas eu, infelizmente, gostava daquilo. Gostava de dançar, cantar. As minhas risadas eram sinceras, sim. Mas acho que chegou num ponto que eu não tinha mais motivos para rir.
Fui para o lado de fora, procurar alguém para conversar. Ninguém parecia interessante o suficiente para falar sobre as bandas que eu curto, os filmes que ando vendo e as séries que eu tô acumulando para ver. Então eu simplesmente sentei num banco, longe de todo mundo. Não. Não foi só isso.
Eu não estava bêbada. Nem um pouco. Eu estava cheia. Guardei coisas desnecessárias dentro de mim. Sabe, aquelas palavras que ninguém quer ouvir? É isso. Acabei me guardando demais e, mesmo sempre desabafando com pessoas diferentes, parece que a solidão nunca sai de perto de mim. Tenho saído todos os fins de semana, todos os dias. Mas o vazio ainda preenche meus membros, meus órgãos. E não é um vazio causado porque eu terminei meu namoro ou fui mal numa prova. É mais complexo, infelizmente.
Então, o que eu faço é simplesmente respirar. É meio difícil pra mim só fazer isso ainda, até porque eu sou impulsiva demais. Quero tudo agora, pra já. Não deixo as coisas tomarem seu devido rumo, sozinhas.
Mas tá sendo divertido. Imaginar um futuro novo, pensar em sair da cidade e conhecer gente nova. Ir me curando aos poucos. Muita coisa aconteceu em muito pouco tempo, ao mesmo tempo. É suicídio querer resolver tudo de uma vez só. O Sol em aries não ajuda nem um pouco.
Mas tudo bem. Tudo vai dar certo, eu sei. É só dar tempo para as coisas se acertarem, se ajustarem dentro de mim. Eu mudei, entende? Mudar dói um pouquinho.

Distraídos Venceremos - Vespas Mandarinas





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