Mais uma dose, por favor

08:54


Eu sinto como se eu andasse meio bêbada, entende? Uma troca de palavras aqui, um tombinho ali. Uma atitude mal feita por lá... É como se eu estivesse enxergando tudo embasado, mas agisse como se estive tudo bem, tudo nítido. Mas de certa forma, eu compreendo que tudo está do jeitinho que deveria estar. Eu vivo dizendo que o mundo está de cabeça pra baixo. E se estiver mesmo? Qual é o problema? O mundo já esteve assim outras vezes e ele sempre voltou ao normal. Tenho a fé de que ele vai voltar dessa vez também.
O problema é que o "dar certo" na nossa mente nem sempre corresponde ao "dar certo" da nossa vida. Insistimos em erros e passados que julgamos melhores, mas talvez naquele momento (e apenas naquele momento), aquela foi a melhor saída. Mas as coisas mudam, não é o que ele dizem?
Quem me conhece sabe que eu sou um poço de ansiedade, de vacilo. Pra lidar comigo tem que entender que eu vou cometer vários erros por ser ansiosa, mas eu nunca cometo o mesmo erro duas vezes. Tá, talvez três. Mas não passa disso.
Pra lidar comigo tem que ver que eu sou confusa, que eu prefiro não saber o que estou sentindo do que me sentir péssima. Meu coração é tipo um balão cheio de água, que quando estoura, fica em pedaços. Sentimentos demais também machucam, entende? E eu não estou romantizando, isso é realmente um fato. A gente tem que aprender a amar na medida certa. Mas com o tempo a gente aprende que a medida do amor é amar sem medidas. Percebe a confusão?
E depois me pedem para deixar de ser dramática...
Eu não estou me sentindo perdida. Eu só não sei onde eu estou. Sei exatamente o que estou fazendo, mas não sei pra que. Eu amo. Só que ainda não sei quem. É tudo tão vazio/cheio dentro de mim que eu acabo me transbordando. O resultado? Ah, não queira saber.
Eu estou tentando entender quem eu sou ou o que eu quero ser. Isso não tem nada a ver com profissão até porque eu estou bem certa da minha carreira. Mas eu digo em questão de mim mesma. Essas paradas filosóficas que nunca caem em prova, porque eles insistem que você decore coisas que aconteceram à milhões de anos atrás. Do que importa, não é mesmo? É passado!
De qualquer maneira, eu admito que queria estar muito bêbada, mas eu estou incrivelmente sóbria. Talvez seja mais fácil enxergar o mundo embriagada. A gente pode pelo menos colocar a culpa na cachaça.
Acho que se eu estivesse tonta, veria o mundo da melhor maneira: onde tudo tá errado, e só eu estou certa.


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