Sei lá

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Olhe em volta. É sábado a noite. Você está tentando esconder as suas dores com uma bebida forte, em algum bar no centro da cidade. As caras novas que você encontra, ou os traços conhecidos.Você só tenta se esconder. Afinal, ninguém pode saber que você tem sentimentos, não é?
Você também ama.
O seu orgulho deveria ser congelado por um momento. O que você faria? Me ligaria? Diria que desperdiçou tempo precioso tentando me esquecer? Apareceria na minha varanda, me ofereceria rum e o que mais? Você conhece minha janela, e não é tarde ainda.
Não. Está tudo de cabeça pra baixo. De repente, o jeito que o sol brilha segunda à tarde não tem relação nenhuma com os meus olhos quando recebia uma mensagem sua. Ou quando eu te beijava.As noites que eu passava acordada contando minhas histórias, parecem idiotas. E tudo que você me disse uma vez, parece mentira. Você tem a mania de pensar no lado ruim das coisas. Não te culpo. Eu poderia te provar que eu mudei, e tenho certeza absoluta que calaria a merda da sua boca. Mas e depois? Vai ver você só não quer tentar, e fica achando uma desculpa pra cobrir o que você realmente sente.
E de repente, você virou uma memória pra mim. De novo.
Mas até quando? Quanto tempo vai demorar até você me mandar outra carta, me confundir toda e depois partir, se defendendo que queria ser só meu amigo? Você age como se eu não tivesse mais nada dentro de mim. E de fato, eu gostaria de te apagar de todos os meus registros que incluem. Mas o que eu faço quando você é uma cicatriz, profunda e gritante, bem no meio do peito?
Olhe ao seu redor. Você não me vê. Sim, você me perdeu há muito tempo. Você não pareceu ligar pra isso. Eu deveria ter entendido isso antes de persistir tanto em um problema. Tanto em você.
Eu não sei o que fazer. O que eu sinto por você é complicado demais para tentar entender. Eu tenho raiva, que ferve meu sangue que cai sobre meus braços cansados de correr atrás. Não é uma raiva explicável, como aquela que eu senti quando meu personagem favorito morreu no último livro que li. Mas eu sinto como se... Ah, deixa pra lá.
Me desculpa por ter falado aquilo. Tudo aquilo. Eu não quero que você suma da minha vida, mas parece que é isso o que você quer. Ainda não entendo porque as coisas sempre tem que ser do seu jeito, mas tudo bem. Eu cansei de tentar. Vai ver você não vale tanta pena assim.
Dói, entende? Sei que vai doer mais um pouquinho. Minhas lágrimas caem enquanto escrevo esse texto, mas meu coração tenta me acalmar dizendo que vai dar tudo certo. Está tudo certo. Mas eu não queria que as coisas fossem assim, acho que nós não merecíamos isso. Devia ser mais fácil dizer adeus. Mas então... Não é.
E eu não quero dizer adeus. Ainda temos uns anos pela frente, e o futuro tá aí pra a gente ver no que dá. Ele ainda não foi escrito. Mas é uma pena, você não querer fazer parte do meu presente. Sinto muito não poder ficar do jeito que você quer. Mas eu não quero me machucar mais e, consequentemente, te machucar também.
Acho engraçado como as palavras fluem quando falo de você. Parece que elas realmente querem ser escritas.
Ei. Você ainda tá aí? Queria pedir pra você ficar. Talvez começar do zero não seja tão ruim assim. Aproveita que eu tô bêbada de sono, não vou lembrar disso quando acordar. Não tem ninguém olhando, pode me chamar. Ainda guardo as cartas, as promessas, os eternos. Não vou jogar fora tão cedo.
Não precisa voltar. Talvez eu não esteja mais aqui. Mas só pra resumir essa história toda: Eu sei lá.
Acho que o mundo todo tá de cabeça pra baixo, e só eu percebi.





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