Adolescência

10:31


Vocês, adultos, conhecem aquela fase da vida onde a gente perde algo muito significante e a partir daí, passa a não se importar com mais nada? Começa a viver como se a vida fosse um jogo antigo de Atari. Pula, agacha, corre. Morre. Já parou pra pensar quantas vezes você morreu nesse fim de semana?
Andando pela rua da cidade em uma madrugada fria qualquer. Sem casa, um fone de ouvido estragado, um coração quebrado. "Para que tanta dor com tão pouca idade?" eu pensava. A maquiagem borrada pelas minhas respectivas lágrimas que já haviam se secado há algumas horas. Ando escrevendo muito sobre noites solitárias, nas raras vezes que consigo escrever.
Mas por que, eu me pergunto? De onde surgiu tanta vontade de fugir, de sumir? A vontade incontrolável de jogar tudo pro alto? São contáveis as coisas que eu ainda me importo. Ultimamente, quem diz que meus olhos brilham de tão castanhos, não imagina que eles só brilham de tanto chorar.
Não choro de dor. De raiva, rancor. Eu sou sensível, é natural eu desabar. Minhas paredes não duram pra sempre, entende? Mas tudo bem, as minhas máscaras me escondem bem. Nesse mundo onde ter sentimentos é sinal de fraqueza, eu estou pouco me fodendo em ser a pessoa mais fraca do mundo. Orgulho? É, acho que deixei de lado. Só acho mesmo.
Os questionamentos que permanecem na minha cabeça, quase sempre sem respostas, sem ninguém pra ouvir. Aprendi que no final, todos nós estamos sozinhos, mas que isso não é necessariamente ruim. Que a saudade é um sentimento rico, e que ás vezes ter saudade de algo não significa que ela deveria voltar. Estamos melhor sem ela, devemos sempre olhar pra frente. Será?
Tenho buscado me por no lugar das pessoas, e o resultado não tem sido muito agradável. Acolhemos dores que não nos pertencem. Isso é horrível. Mas bem, pelo menos eu consigo entender melhor a decisão dos outros e parar de questionar o que eles fazem. Sei que isso não é da minha conta, mas fazer o que? Eu também sou filha de Deus.
Como eu sempre figo, eu não me sinto perdida. Não é como se esqueci meus propósitos ou meu futuro não fosse tão importante. Eu só não sinto nada, e isso é exatamente o que eu deveria sentir. E também, não sentir nada é importante para construirmos nossos próprios sentimentos e não deixar que aconteça uma bola de neve, essa qual me encontro agora.
Onde estou? Ah, eu não sei, não me importo. Eu só quero ir embora.
"São só fases" eu repito. "As coisas vão melhorar"


Você pode ler esse texto ouvindo a minha nova playlist.

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