Que história é essa?

04:37


Hoje é dia 3. Faltam 18 dias para o meu aniversário, mas quem está contando? Eu parei de contar datas desde que eu perdi todos os meus motivos para esperar. Esperar o que? Algo dar certo? Há 15 anos eu espero um motivo para contar datas. Até então, eu só encontrei o meu envelhecimento precoce, onde minha cabeça tem 99% de preocupações de adultos, enquanto eu deveria me preocupar só com notas ou com corações partidos. E então, eu percebi que corações partidos não dão conta de preocupações adultas. 
Já fazia um tempo que eu não conseguia escrever. Um, talvez dois meses. Meus livros continuam parados nos mesmos capítulos. A minha história perdeu a personagem principal. Ela meio que saiu pra tirar ferias, e não está muito afim de voltar. Afinal, quem quer voltar pro mundo real?. Eu queria poder fazer isso, entende? Fugir da minha própria história. Mas é complicado fazer isso quando você nem ao menos sabe que história é essa.
Eu achava que isso de não conseguir escrever era porque eu estava feliz. Estava tudo bem, organizado. Achava que as coisas iam, enfim, darem certo. Mas então eu descobri que essa dificuldade de escrever vem da minha sensação de ser preenchida por um grande vazio. Não saber o que realmente há dentro de mim. Estava tudo bem. Mas aí chegou uma tempestade e bagunçou tudo de novo. Os sentimentos voltaram, alguns se revoltaram. E onde está minha razão nisso tudo? 
É, eu voltei. Voltei a ficar perdida, confusa, sem saber o que fazer da vida. E agora, nesse momento, eu só quero que as coisas voltem ao normal. Só quero voltar a poder sentir o que eu realmente quero sentir, sem nenhum obstáculo no meio. Sem orgulho, preocupações. Futuro? Se futuro fosse bom, se chamaria presente. Oh, espera. Acho que não é esse o ditado. 
Volta. Sentimentos recíprocos, momentos bons, risadas, sorrisos sinceros, música boa. Onde clica pra isso tudo voltar? Onde clica para eu acordar e perceber que essa história não passa de um pesadelo horrível? 
Eu preciso tomar uma decisão. Eu preciso lutar pelo o que eu quero. Mas e se o que eu quero nem sempre é a melhor escolha? São tantas perguntas e ninguém pra me dar uma resposta! Estou sozinha de novo. De novo, de novo e mais uma vez. 
É muito fácil escrever um texto sobre minha desgraça. É fácil falar disso ou aquilo, sendo que meu coração parece um carvão. Queimado, preto, duro. Não que eu não consiga sentir mais. Eu sinto, até demais. Esse é o problema. 
A conclusão é que eu só quero sumir. Quero desaparecer e não avisar pra ninguém disso. Pegar o trem das onze, com meus fones de ouvido, meu livro favorito do Machado de Assis e nunca mais olhar pra trás. Já tentei começar do zero umas quinhentas e quatro vezes. Vai ver é por isso que eu nunca vou pra frente. Eu estou sempre recomeçando. Pode parecer drama de canceriana, mas do que adianta ficar se sou mais uma figurante nessa história? E que história? A minha, a dele, a nossa (não sei se ainda existe "nós"). Sou uma figurante na minha própria história. 
E olha que eu nem sei que história é essa. 


You Might Also Like

1 comentários

  1. Eu te entendo um pouco...mês passado eu decidi "recomeçar" novamente,e essa não foi a primeira vez,rs já até perdi a conta de quantas vezes eu tentei me mudar as coisas e tudo desmoronou,mas agora eu achei que daria certo...mas não deu,parece que as coisas nunca podem ficar certas para mim,e isso é uma sensação estranha,e mais uma vez a droga do vazio tomou conta de mim e me deixou assim,totalmente desnorteada,é um saco isso,e eu te entendo pelo menos um pouco,boa sorte moça

    ResponderExcluir