Explodi

08:52


Ah... onde será que eu devo te encaixar na minha vida? Meu coração foi tomado, invadido, dominado. E foi um movimento tão sútil que eu nem fui capaz de perceber. Começou com alguns sorrisos entre os beijos, a respiração ofegante que ocupava o silêncio, as palavras que saíam da minha boca involuntariamente. E quando eu fui ver, eu estava rabiscando suas iniciais na terra, na areia, no canto do caderno, nas paredes do meu quarto. Começou com um simples toque, e terminou em uma explosão.
Ouviu-se um estouro que se assemelhava com o barulho do meu choro. Foi-se pedaços de amor espalhados por todos os lados. As memórias caíam do céu como se fossem gotas de chuva. Havia manchas da nossa história presas nas paredes. A intensidade da explosão foi tão grande que tirou os móveis do lugar. O quadro que ficava pendurado em cima do sofá caiu e se quebrou, e seus cacos de vidro cortaram algumas partes do meu corpo. Como se eu fosse um papel em branco.
A explosão fez uma bagunça imensa... Demorou um tempão para arrumar. As feridas que se dividiam uniformemente pelo meu corpo curaram depois de tanto doer de madrugada e sangrar sempre que nossos olhares se cruzavam eventualmente. As cicatrizes foram profundas. Até que de tantas doses e remédios, eu me curei. Arrumei a bagunça, limpei as paredes, comprei um quadro novo e o suspendi em cima do sofá novamente.
Então, um dia, você tocou a campainha, e eu te deixei entrar. Seu sorriso veio na frente e logo atrás, você por inteiro. Seu beijo delicado que eu tanto senti falta, tomou conta dos meus lábios, e na minha cabeça, só passava o filme que nós dois dirigimos juntos. Nossas mãos se tocaram, os olhos ainda fechados conseguiam enxergar a verdade que permaneceu escondida por tanto tempo.
A gente sabe, a gente sangra. Um nunca vai ir embora do outro. Por mais tempo que passemos longe, há uma linha reta que sempre irá nos conectar novamente. Muito tempo para te amar, e muito pouco tempo para te esquecer. Não será possível, sinto em lhe dizer. Porém, porque eu deveria? Já estamos aqui, caminhamos tanto tempo até nos reencontrar. Não, não vá embora. Não agora, não aqui.
Vamos começar do início, dessa vez vai dar certo. Até o dia em que eu me explodir de novo, e não conseguir mais me arrumar.

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