Dieta de você

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                      Charlotte by Jesse Herzog on 500px:

Não sei de onde surgiu essa minha necessidade compulsiva de pensar em você. Ultimamente, eu tenho até pensado menos. Na verdade, eu só evito pensar para não causar possíveis frustrações e criação de novas teorias. Se eu penso em você, eu penso que você foi embora e não se despediu. Sei que, na sua versão da história, eu sempre vou sair como a errada. A que sempre brigou demais, a que fazia pressão demais. Mas eu não tenho culpa se eu não sei me despedir das coisas.
Eu parei de escrever sobre você. Fiquei algumas semanas borrando seu nome do meu diário e da minha cabeça, e tudo o que eu  enxergava era um passado mal resolvido, cheio de espaços vazios. Mas eu estou escondendo demais o que eu sinto, e eu não sou assim. Eu preciso colocar pra fora o que eu sinto, nem que isso doa mais alguns meses.
Acho que você deve ter percebido que eu entrei em dieta, pois ultimamente eu só falo nisso nas minhas redes sociais. Oh-h, esqueci. Você me bloqueou em todas... Mas enfim, parei de comer doces, refrigerante, frituras. Tudo que me causava aquela gastrite gostosa que chegava nas manhãs de domingo, depois de me acabar no sábado à noite. Não foi fácil iniciar esse movimento, já que eu fui obrigada a cortar da minha vida coisas que faziam parte da minha rotina. Mas que, querendo ou não, me causavam um mal danado.
E com você foi exatamente a mesma coisa. Você era como um vicío, uma droga. Seu nome não começa com C, assim como as demais coisas viciantes (de acordo com a teoria). Mas bom... toda regra tem uma esseção. E seguir regras nunca foi seu passatempo favorito.
Eu entrei em dieta de você. Percebi o quão mal você realmente me faz, mas que isso não é culpa sua. Nem minha. É que somos as peças certas, no quebra-cabeça errado. Algo assim nunca iria dar certo. Eu deveria ter notado isso na primeira vez em que você me causou febre e eu fui parar no hospital de tanta hesteria, mas acabei aprendendo que a ficha cai só quando ela tem que cair.
Eu precisei de você. Precisei do seu carinho, da sua compainha, do seu apoio. Precisei do seu colo e das suas palavras arrastadas nas tardes de domingo enquanto a monotonia se tornava nossa melhor amiga. Isso nunca pareceu nos incomodar. Mas acho que cheguei em um ponto, em que tudo o que eu preciso de você, é distância.
Não pense que eu te odeio. Não estou correndo atrás de vingança ou tentando te atingir de alguma maneira. Eu só estou tentando me curar depois de ser tão contaminada pelo seu pseudo-amor. Cansei de procurar pela pessoa certa, na hora errada. Cansei se procurar a pessoa errada, na hora certa. E seja lá quem for, está por aí, em algum lugar, sendo incrível.
Pedir distância de você é meio inútil, já que temos os mesmos amigos e estudamos na mesma escola, praticamente na mesma sala. É mais difícil ainda quando a linha que conecta a gente ainda não se rompeu (não adianta negar, você sabe que é verdade), talvez por orgulho, talvez por questão de tempo. Mas não me preocupo mais com isso. No final, as coisas sempre se resolvem. Isso significa que não é o final ainda (admito que não me sinto mais confortável sabendo disso).
Desde que cortei você da minha rotina, eu me sinto a pessoa mais espetacular do mundo, e descobri que auto-estima não é lenda urbana criada por psicólogos. E enfim, aprendi a me dar o valor que você nunca me deu. Não foi a franja que eu cortei ou os quilos que eu perdi que me deixaram mais atraente, a ponto de até meu outro ex me querer de novo. Foi o amor que construi em mim, depois de tanto me desconstruir por você.
Talvez você não ligue pra isso, para nós. Para eu e você. Mas eu ligo, e tornei o tempo meu aliado, não meu inimigo. Talvez a gente tenha alguma coisa para se resolver, mas até meu coração emagracer, eu quero distância de você.

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