Uma nova história

0 Comments

Talvez nós dois sejamos duas incógnitas. Dois pontos de interrogação procurando uma frase para completar, uma sentença para finalizar. Mas parece que nós somos as únicas incertezas cercadas de afirmações por aí. E por algum motivo bem desconhecido, a gente acabou formando um belo texto. Sem letras, sem palavras, sem gramática. A gente se leu e se entendeu, e talvez só a gente se entenda mesmo. Ele não tem um signo que combine com o meu ou tem o melhor gosto musical do mundo. Ele me manda músicas dos anos 80, eu mando músicas dos anos 10. Ele não gosta de terror, não gosta da minha banda favorita, não gosta de doces. Vai ver ele nem deve gostar de mim de verdade. Mas, diante de tantas diferenças, acabei descobrindo que somos incrivelmente iguais.
Fazia muito tempo que meu coração não batia tão forte por alguém. A vontade de passar a madrugada toda conversando sobre assuntos que não precisam de rumo para seguir - mas eu infelizmente sempre durmo antes das 22h e acabo com ele. Fazia muito tempo que ninguém me fazia perder o fôlego de tanto dar risada por alguma bobagem qualquer. Não, não é uma bobagem qualquer. É a sua bobagem.
Não é sobre o beijo dele, o abraço ou como ele fica incrível de baixo da luz do cinema. Mas é sobre o modo que ele me faz sentir segura e pronta pra ser eu mesma em qualquer lugar do mundo. Com ele, o tempo parece ser só mais um detalhe inventado pelo homem. E não importa onde vamos, é exatamente lá que devemos estar.
E aqui, sentada em frente ao mar e bebendo uma piña colada, penso que nada isso tem graça sozinha.
Merda, começou a chover. Isso não tem graça nenhuma também.
Em geral, a gente não tem muita história. Mas como eu disso, o tempo não é tão importante assim. Admito, tentei resistir ao óbvio e não cair nos encantos (posso chamar assim?) que ele guarda. Mas então eu percebi que era inútil, já que se apaixonar era a 8ª maravilha do mundo (é claro, depois de se apaixonar por ele).
E agora, estou aqui. Escrevendo sobre alguém que não só me transformou mas como também me reformou e me ajudou a encontrar todos os sorrisos que estavam trancados dentro de mim. Para nós, todo café do mundo é pouco e todos os filmes ruins sobre vampiros e lobisomens não serão o suficiente. Mas está tudo bem, pois se faltar alguma coisa a gente faz mais. Temos todos os recursos.
Talvez daqui um tempo eu esteja escrevendo um texto sobre como ele partiu meu coração e foi embora sem deixar rastros. Mas eu não me importo com o final - ainda -sendo que acabamos de começar. Ainda temos muita água para deixar correr, escorrer e trasbordar. Talvez a gente não passe de onde estamos e, sinceramente, não sei para onde quero ir. Mas eu me sinto tão confortável assim que qualquer movimento pode ser perigoso.
E por mais que não dê certo, e daí? A gente já criou tanta coisa, tantas linhas. Algumas coisas nascem para morrerem, não para existirem.
Isso não as tornam menos emocionantes.

Leia ouvindo: Cleopatra - The Lumineers 


You may also like

Nenhum comentário: