Média

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Sei que às vezes tudo pode parecer perdido. Talvez, a sua cabeça esteja tão superlotada quanto seu coração e tudo o que você precisa fazer é deitar na cama e não sair nunca mais. Você se sente incapaz de continuar e tudo lá fora parece um grande obstáculo. Acordar é um desafio diário e sobreviver à um dia que seja parece impossível. Quando o relógio bate meia-noite e o encanto da Cinderela se desfaz, você precisa juntar seus caquinhos e lavar a máscara desgastada que você usou o dia todo, ou seja, voltar a ser quem você realmente é. Sei que às vezes tudo parece o fim do mundo e que essa dor que cutuca seu peito parece eterna.
Mas o texto de hoje é sobre fases. Ou sobre respeito. Ainda não sei.
De um tempo pra cá eu venho percebendo que sou uma pessoa bastante cíclica. Cada semana que entra vem junto com um questionamento diferente e de brinde, uma crise existencial fodida que não vai embora até eu ir no psicólogo e chegar à alguma conclusão sobre aquele assunto. Por esse e outros motivos eu vivo em um livro de filosofia constante, e piora sempre que a TPM chega ou eu vejo um filme novo muito complexo. Muitas vezes, esses questionamentos mexem muito com todas as minhas estruturas e minhas certezas, me fazendo acreditar que eu não sou suficiente para nada nesse mundo Eu acabo encontrando pessoas fazendo milhões de coisas incríveis e eu sempre penso que eu poderia ser melhor. "Se fulano consegue, por quê eu não conseguiria?" Mas sabe de uma coisa? Não conseguiria, não.
Carregamos o fardo que deveríamos estar sempre fazendo mais, sendo mais, mas ninguém nunca percebe o quanto já trabalhamos e ralamos pra fazer aquele pedacinho que é um grande tesouro pra gente. Carregamos em nós a culpa de ficar deitado o fim de semana inteiro, com a sensação de que estamos sendo inúteis para o mundo. Ultrapassamos nossas próprias limitações para chegar em algum lugar, sempre um passo à frente do outro. E quando chegamos lá, chegamos extremamente exaustos e sem muita saúde mental nem física. Chegamos num ponto onde nosso desgraçamento mental não parece ter tanta importância assim, desde que tiremos notas boas, consigamos dinheiro o bastante e pareçamos felizes o bastante para causar inveja alheia. É tanto desejo por coisas fúteis que acabamos não nos tornando fúteis, mas sim, coisas.
Não precisamos ser mais inteligente, mais bonitos ou sei lá. Precisamos entender que cada um é um universo diferente que apresenta determinados limites que precisam ser respeitados, e a única pessoa capaz de respeitar isso é você. E está tudo bem ser bom em uma matéria mas ser um fracasso na outra. Está tudo bem ser uma pessoa mediana, o mundo não vai cair se você não for o melhor. Afinal, nós nunca vamos ser o suficiente para todo mundo. A questão é sempre encontrar o meio termo pra tudo, para que nada fiquei leve demais ou pesado demais. Excessos ou restrições sempre fazem mal (menos o amor próprio, qualquer litro disso ainda é pouco).
Então, da próxima vez que você tiver vontade de deitar na cama e não sair nunca mais, faça isso. Ligue a TV, veja um filme, ouça o álbum novo daquela banda. Mas respeite a sua fase e não tente sair dela de modo algum. Assim como os momentos de indisposição, momentos ativos também vão surgir. Faça deles o que quiser, do modo mais produtivo possível. Mas lembre-se de que tempo é algo totalmente relativo, e que você não pode sair de você mesmo. Você não vai a lugar algum.
E eu te garanto, de pé juntinho e de dedinho, que vai ficar tudo bem. As coisas não precisam dar errado o tempo todo.

Leia ouvindo: FourFive seconds - Paul McCartney, Kanye West, Rihanna 


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