Hoje eu não vou chorar

09:27


Hoje eu não vou chorar. Hoje eu vou simplesmente pegar esse papel, essa caneta e tentar organizar todo esse emaranhado de sentimentos que existem dentro de mim. Sentimentos que saltitam, que se balançam, que se jogam de cabeça em corações alheios e, vez ou outra, acabam se machucando. Talvez eu organize isso tudo por ordem alfabética, ordem cronológica, do maior pro menor... Ou talvez eu só guarde eles na gaveta novamente, até o meu criado-mudo ficar lotado novamente e eu precisar reiniciar esse ciclo que, pelo visto, não vai acabar nunca.
As coisas tem sido bem difíceis por aqui. E eu não falo a vida em específico, mas tudo que engloba amadurecer e tomar decisões que antes não eram tão rotineiras assim. Crescer é um saco, isso todo mundo sabe. Mas o que não vem no contrato da vida adulta é que ninguém vai se responsabilizar pelas decepções, pelas expectativas, pelos erros, pelas perdas. Ninguém, além de você. Antes era fácil, entende? Colocar a culpa no coleguinha que te mordeu "por motivo nenhum". Mas agora é tudo diferente. A vida cobra, e às vezes você não tem como pagar.
E com isso, eu acabei percebendo que eu me preocupo com coisas que a gente nem sempre tem controle sobre elas. Não só eu, mas talvez metade do mundo todo. Às vezes falta dinheiro, eu tô desempregada, tem uma porrada de trabalho para entregar, não vou terminar isso à tempo, ah meu deus não vai dar certo... O tempo vai continuar passando do mesmo jeito, 60 minutos por hora, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Pra quê preencher sua cabeça com coisas que não vão acabar nunca? Cole essas coisas num mural, e vá movimentando todo o resto que dá prazer. As coisas mudam. A vida muda. O tempo muda. E o que você pode fazer?
Nesse momento, eu estou bêbada e rindo de nervoso pois tenho tantos sonhos para realizar mas não faço ideia de como vou fazer isso. Mas tudo bem. Tudo bem porque sei que hora ou outra eu vou entender que não tenho controle do futuro. E por mais que eu ainda não tenha chegado nesse nível de maturidade em que eu entenda que eu sou só uma mísera alma penada  de artista em busca de jobs eternos nesse mundo, eu tenho plena consciência de que esse dia vai chegar. Mas pra quê se preocupar com isso agora? O amanhã é tão incerto quanto o ontem, mas apenas o presente nos traz as respostas que precisamos.
Enfim, sei que tenho sido uma escritora meio falha nesse tempo em que viajo nas entranhas do meu corpo. Não tenho escrito tanto, não tenho sentido tanto. Mas todo mundo precisa desse tempo indiferente para pensar o que quer da vida. E tudo bem, eu ainda não sei, mas e daí? Eu tenho muito o que viver até saber ao certo o que quero fazer comigo mesma, pra onde quero ir e principalmente onde quero ficar. E pra ser sincera, eu me sinto ótima me sentindo perdida. Incluímos as lágrimas, as raivas, os vazios, as indecisões, é óbvio. Mas também incluímos o resto de liberdade que ainda me resta, até que a idade devore minha carne e me arraste para a realidade.
Infelizmente, a vida não é um filme para adolescentes. E sei que pode doer ouvir disso, mas filmes para adultos não são tão ruins assim. Tem sexo, e drogas, e puteiros... Pensando melhor, são uma bosta. Portanto, fique nos 16 o tempo que conseguir. E só saía quando for extremamente necessário.
Merda. Acabei chorando.

Leia ouvindo: Não sei o que fazer comigo - Vespas Mandarinas 

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1 comentários

  1. Você escreve muito bem. Ótimos pensamentos! Curta muito essa sua fase. É ótimo o caminho de estar perdida mas ainda melhor quando se encontra.

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