O furacão

14:56



Dizem que você não tem noção do tamanho do furacão se está dentro dele. Eu já ouvi essa frase em diversos textos e contextos, mas eu nunca havia absorvido a poesia dessa oração. A gente nunca entende até a precisar entender, é o que eu sempre digo. E então, em uma dessas crises existenciais constantes e incessantes que me perturbam semanalmente, eu analisei a vida de cada pessoa que me cerca. Claro, as redes sociais e a convivência contribuiu bastante. Fui chamada de negativa, hipócrita e um monte de outros adjetivos pejorativos que, graças à Deus, não se alojam mais nos meus pensamentos como antes.

Mas,mesmo assim, eu fiquei com raiva. Não com raiva das ofensas, nada disso, eu até concordo com algumas delas. Mas raiva de ver o mundo girando para todo mundo que eu conheço, e o meu continuar parado (bom, pelo menos é o que me parece). Me falta ânimo, me falta dinheiro, me falta uma porrada de coisa que, normalmente, deveria ser constante na vida de qualquer um. Bem, eu não sou qualquer uma.

 E eu gosto de admitir que eu sinto raiva por pensar que a vida das pessoas são melhores que a minha pois, afinal de contas, não tem nada de errado nisso. É horrível, eu sei, mas é natural. Estamos acostumados a ter tudo tão rápido que esquecemos que um dia tem 24 horas. Cada um tem seu tempo, tem seu jeito, tem seu próprio furacão interno. E eu tenho a teoria de que esse furacão é uma constante pessoal, onde cada pessoa no mundo tem seus problemas proporcionais à sua maneira de sentir. E tudo bem.

Mas então, vamos analisar melhor esse furacão.

É muito vento, muita confusão concentrada em um espaço muito pequeno e eu estou começando a me sufocar. Será que eu já posso te contar que o furacão é uma metáfora para nossos problemas? Ou você já percebeu isso? Bom... A verdade é que vivemos alimentados de dúvida sobre como vamos resolver isso tudo, ou como vamos sair desse emaranhado de ventania. Eu descobri a resposta, mas não posso afirmar que sei fazer isso ainda.

É tudo uma questão de ponto de vista. Depois de repetir essa frase na minha cabeça tantas vezes, eu pude entender porquê coisas clichês fazem tanto sucesso: porque fazem sentido. Tudo bem, nós não podemos fugir do furacão, ele sempre estará ali pronto para te arrastar, te devorar, te engolir. Mas se você se afastar um pouquinho, só um pouquinho, e visualizar de uma maneira mais oblíqua e mais inteira, você perceberá que tudo isso não passa de uma tempestade de fim de tarde no domingo. Feche as janelas, se encolha na coberta. Quando acordar, tudo parecerá um pouco melhor.

A nossa ansiedade de querer tudo pronto, naquele momento, às vezes nos prejudica a realizar algo com a real essência e eficácia. E quando, na verdade, a direção importa mais que a velocidade. Tudo bem não saber o que fazer e tudo bem não saber onde está. Mas viva isso, não queira sair do lugar até que entenda muito bem o que está acontecendo. Só caminhe quando tiver os sapatos certos para isso.

O furacão nunca vai embora, acho importante pontuar isso. Ele sempre vai assobiar na sua porta, te chamando e te irritando nos momentos mais inoportunos. Quando você tá lotado de prova. Quando falta grana. Quando seu psicológico tá todo fodido. Eu sei, é uma merda, mas a vida é assim. O que muda é que, às vezes, você aprende a gostar do vento e aceita tudo o que ele tem pra bagunçar. Se precisar organizar tudo de novo, tudo bem. Mas dois vetores contrários não fazem um corpo entrar em movimento.

Respire.
Coloque um casaco.
Abra a janela.
Consegue ver o que está lá fora agora?

Leia ouvindo: Easy - The Commodores 

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