Eu preciso de um tempo

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Eu preciso de um tempo. Tentei mentir pra mim mesma, iniciar a frase no negativo, mas infelizmente, essa é a verdade. Eu preciso de um tempo. Meu coração está exausto, minha mente começou a me comer e, de repente, eu comecei a me desesperar com coisas tão pequenas que acabam se tornando monstros enormes. Monstros que esperam eu dormir para atormentarem meus sonhos. Eu preciso de um tempo. Preciso descansar, preciso ficar sozinha, preciso colocar as coisas em ordem para, quem sabe, depois, bagunça-las novamente. Até porque, eu gosto da bagunça, sim. Eu gosto da confusão. Mas chega uma hora em que eu não sei mais nem onde eu estou. Eu ando e, por onde eu ando, só vejo caos. E é aí que eu sei que as coisas precisam recomeçar.

Sempre que chega outubro eu percebo que o ano, praticamente, acabou. E com isso, a carga de coisas que eu deixei pra pensar depois chega e eu não sei lidar com tantas cobranças e exigências que aparecem. Onde eu estava quando esse namoro começou a ficar "pesado" demais? Onde eu estava quando minha vontade de levantar da cama foi embora junto com minha vontade de comer? Onde eu estava quando eu precisei de mim mesma? Eu simplesmente desapareci. De repente, eu virei uma mancha de memória ambulante que assina a lista de chamada, arruma a cama e gasta a água da casa porque passa tempo demais chorando no banho.

Quem me dera se meu coração fosse tão sensível a ponto de eu saber e entender o porquê de eu chorar tanto. Ou o porquê de eu desejar, tão frequentemente, que um tsunami, milagrosamente, chegue em Belo Horizonte. Mas por enquanto, eu não quero saber o porquê das coisas. Pra ser bem sincera, eu não quero nada. Não quero recomeçar. Não quero por um ponto final. Não quero mudar, mas também não quero ser quem eu sempre fui. Não quero, se quer, existir. O meu maior mistério é descobrir o porquê ainda estou aqui. Mas não quero saber o porquê disso também.

É clichê dizer que estou cansada, mas é verdade. Não foi um ano difícil ou um ano de muitas emoções, mas eu não preciso de uma desculpa para precisar de um tempo. Mas esse tempo. O quem tem esse tempo? Não é um tempo pra mim mesma. Não é um tempo longe de quem me machuca - ou até de quem me faz bem demais. Não é um tempo para descansar. É só um tempo sem precisar me preocupar em ficar viva. Viver dá um trabalho absurdo e eu não posso nem pedir demissão mais, porque, afinal de contas, eles dizem que eu sou muito nova e que eu tenho tantos sonhos. Deve ser verdade. E por ser verdade, eu sou obrigada a me arrastar por quilômetros para, apenas, cumprir obrigações que nem fazem sentido mais, mas que eu continuo cumprindo na esperança de que uma dia essa onda de rebeldia vá embora e eu volte a querer ser alguém na vida.

Eu não quero, mas talvez eu precise ficar distante de todas as palavras mau-ditas e que se anseiam por serem pronunciadas de alguma maneira. Prevejo que, em algum momento, essa tempestade de vírgulas e parágrafos irá se tornar uma guerra sem fim. E, enfim, eu vou poder aceitar que eu sou um ser humano tão humano quanto qualquer outro. Até então, eu sou só uma alma penada vagando por aí esperado o momento certo de voltar para algum corpo e retomar à tentativa de fazer algo que preste. É, eu realmente estou bem sozinha.

Preciso me desintoxicar do ódio, do rancor e da necessidade que eu tenho de machucar quem me machuca.Não sou uma péssima pessoa por isso, apenas reconheço minhas limitações. Conheço meu próprio inferno e sei das minhas condições quando eu perco acontece -coisa que, convenhamos, vem acontecendo por quase dois meses inteiros. Preciso ficar 100% fora de mim mesma porque, talvez, eu seja meu maior veneno. E de tanta certeza que eu tenho disso, eu prefiro não só me isolar de quem não me entende, mas me isolar da minha própria mente, na qual, eu finalmente aprendi, não posso mais confiar.

Leia ouvindo: Perfect - Smashing Pumpkins 

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