Viciada no caos

13:21


Algum dia desses, durante a minha navegação mais do que diária pela internet, eu li um trem. Sabe aqueles trem que são uma frase simples num fundo branco sem graça que, raramente, te fazem pensar? Pois bem. Esse trem me fez pensar. Como se fosse uma ingênua placa de sinalização, dizia: "Não existe gênio nenhum. Treine sua arte." Uma coisa levou à outra e eu me encontrei completamente apagada dentro da minha própria arte. Os motivos são mais do que pessoais. São interpessoais. De dentro pra fora. Mas isso não importa. O que importa é que eu decidi, então, criar um rotina de escrita que eu, provavelmente, vou abandonar daqui algumas semanas. Mas pelo menos vou poder dizer que tentei me livrar do TOC de escrever apenas com caneta preta e de iniciar metas novas em datas especiais. 

Hoje é o primeiro dia. Não que isso aqui vá se tornar um diário - e não que já não seja -, mas algo dentro de mim precisa conversar comigo mesma e ser organizado. Nada melhor que a literatura - que, de acordo com Pessoa, é a forma mais elegante de se desvirtuar da realidade - para exercer essa função. E, como eu já havia dito em textos anteriores, eu tenho um medo absurdo de ser uma péssima autora. Mas não aqui. Aqui sou apenas eu com algumas palavras que aprendi no livro de língua portuguesa. Li. Gostei. Achei a sonoridade  bonita e só depois fui buscar o significado. E elas, quase sempre, me gritam exclamações que eu me surdeei a ouvir (essa palavra eu não aprendi em lugar algum).



Tudo começou quando eu peguei um ônibus de 8 horas para São Paulo. Quando você passa 8 horas na sua própria companhia - o que, talvez, seja a segunda coisa que eu mais odeia no mundo, já que a primeira é milho verde - você percebe o quanto a solidão é brilhante. Existem problemas e barulhos em cada centímetro do seu corpo, mas existem soluções e silêncios para cada um deles. A minha cabeça entrou, nessas 8 horas, em um sistema fordista de produção. Aqui produzem ansiedade. Aqui produzem pânico. E aqui produzem vontade de vomitar. E no final, o coração discorda com o cérebro e os dois começam a funcionar autonomamente; separadamente. Oh, merda. É assim que as coisas começam a desandar.

Sobrevivi às 8 horas, mas foi em São Paulo que eu desabei. Talvez por não saber controlar minha paixão ou, talvez, por estar morrendo de fome. Ou, o mais provável, por estar realizando um sonho. E a questão que sempre fica é: o que fazemos depois de realizar um sonho? O sonho acaba, claro. Outros surgem, consequentemente. Mas aquele em especial, virou pó. E agora? Eu espero pelo quê? Acho que isso tudo só me fez perceber que a vida é uma eterna prisão, mesmo que sejamos prisioneiros dos nossos sonhos. E bom, meu problema com a liberdade é bem antigo e, como é óbvio, as barreiras nunca acabam. É tudo mais profundo.

Desisto? Aprendi que não existe fim, não existe linha de chegada. Mas já que a vida é tão vazia, posso decidir onde esvaziar esse pleonasmo todo. Vou viver em São Paulo, onde, até então, o caos me parece bem mais interessante do que a paz. Ninguém gosta de monotonia constante.

You Might Also Like

0 comentários