Quando os sonhos chegam

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Os sonhos vêm devagarinho. De fininho, na pontinha do pé pra não te acordar. Não é como se eles chegassem empurrando a porta, estourando foguete. Eles não querem que ninguém saiba que eles chegaram. Eles querem fazer parte de você como suas veias e artérias fazem parte do seu corpo, mas sem questionar. E é estranho pensar que os sonhos não chegam do jeito que a gente espera. A gente arruma a casa, prepara um café, coloca nossa melhor roupa e fica sentado no sofá esperando ele entrar. Mas de repente, quando você olha pra lado, o sonho está ali. Sentado, sorrindo e aguardando você perceber que, finalmente, aconteceu.

Em algum momento você vai estar no metrô, descendo na Consolação e vai se perguntar: "Como eu, que vi de uma cidade abandonada de Minas Gerais, aprendi a andar em São Paulo?". É tão sutil que parece um toque delicado de uma mãe mas pálpebras de seu filho mais novo. Um beijo apaixonado na testa. Um sorriso de um estranho, sei lá... Não sei explicar. Só sei que hora ou outra acontece e você olha pro céu e agradece seja lá quem for que estiver lá em cima. 


Quando os sonhos chegam, você começa a imaginar quem foi o engenheiro que construiu aquilo tão bem, tão calculado pra dar tudo tão certo. Quer dizer, certo do jeito que as coisas têm que ser, não o certo "nosso" certo. Entendeu? Mas no final tudo se acerta, você segue algumas setas e se senta na sua cafeteria favorita, em plena avenida Paulista, esperando o amor da sua vida aparecer - que existe, sim.



Sempre fui a pessoa mais pessimista que eu conheço e, com isso, a chegada dos sonhos sempre me pareceu a maior das utopias. Eu cresci, provei de alguns gostos doces da vida e depois de muito tempo eu posso afirmar que estou começando a ser feliz, por mais que felicidade seja só um momento, não um estado físico da matéria. Obviamente não estou resumindo minha vida inteira apenas à realizar sonhos. Espero ainda me desmanchar, me rabiscar e cair o quanto for necessário para, um dia, contar pro mundo que eu sobrevivi.

É tudo muito mais complexo do que parece e a gente só aprende isso quando percebe que você tem 18 anos e não sabe fazer arroz. Vai tirar carteira de motorista daqui alguns meses e ainda tem Gatinhas e Gatões na sua lista da Netflix. Bate o desespero. Por que eu? Por que comigo? Mas você aprende que os sonhos não escolhem a idade que vão chegar. Eles vão chegar e, acredite, você vai estar preparado para recebe-los. 

Por mais que eu não me sinta pronta para seguir em frente, eu vou continuar caminhando sem olhar pra trás. Chega um momento em que você se torna apenas um figurante na sua própria vida e é aí que você percebe que precisa mudar um pouquinho o roteiro.Tudo bem mudar algumas coisas de lugar, tudo bem não estar satisfeito com onde você está. Mas calma. Tudo passa, tudo melhora. A vida não é uma máquina de realizar sonhos, como diria Augustus Waters. Mas pode ser, se você quiser. 

"The biggest adventure you can take is to live the life of your dreams"

Leia ouvindo:  Out on my own - Gabrielle Aplin



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