Querida Bruna Vieira

06:49



Querida Bruna Vieira,

Hoje é um daqueles dias em que eu acordo e não quero ver ninguém, conversar com ninguém, pensar em ninguém. Tenho certeza que você me entende. Mas fique calma, esse texto não é sobre a minha vida de menina mau humorada. Na realidade, é justamente sobre como você transformou a minha cara fechada em um sorrisinho no canto esquerdo da boca, e toda aquela nuvem negra que pairava pela minha cabeça em um Sol radiante de esperança. Mas isso não foi de ontem pra hoje, acredite.

Acontece que hoje de manhã eu vi um vídeo seu que é exatamente igual aos outros, mas completamente diferente - se é que isso faz sentido. E de repente, como se eu estivesse sob um precipício prestes à me jogar, eu vi a minha vida inteira pelos meus olhos. E ri. Ri pois, por mais estranho que pareça, você faz parte de quem eu sou por mais tempo do que eu imaginava. Acompanhei todas as suas mudanças, todos os seus sonhos realizados e isso me deu muita força para chegar onde eu estou hoje - não que eu esteja em uma lugar muito gratificante, mas o que eu quero dizer é que eu sobrevivi.

Eu era uma criança. Lembro que trabalhei pra minha mãe durante um ano inteirinho para conseguir comprar o meu primeiro computador. Acho que a fábrica de realizações de sonhos começou aí e se inaugurou quando o nome "Bruna Vieira" cruzou meu caminho pela primeira. Sabe quando você está meio perdida e não consegue se identificar com ninguém? Como se fosse a ovelha negra do mundo inteiro. Naquele momento, essa sensação se despediu de mim e eu descobri que eu não sou uma alma penada em um corpo que só gosta de coisa esquisita.

Bom. Hoje eu tenho 18 anos. E com a maturidade que eu adquiri depois de muito quebrar a cara - e ler um texto/livro seu para derramar as lágrimas e continuar - eu percebi que todos os sonhos que cultivei até agora foi graças à você. Fica difícil descrever a sensação de ser uma amiga tão próxima de alguém que não te conhece com as palavras que vieram do Latim, mas acho que eu não preciso me explicar. De alguma maneira, eu sei que você entende.



Estou te escrevendo isso pois 2018 é um ano decisivo pra mim. Toda a arquitetura de sonhos que eu planejei enquanto eu via seus vídeos de intercâmbio ou passeando por São Paulo vão sair do papel e, além de ansiosa, uma gratidão enorme tomou conta de mim e eu decidi fazer a coisa que eu sei fazer de melhor para expressar isso: escrever. Na realidade, eu nunca escrevi para alguém. Então desculpe, Bruna, mas esse texto não é pra você. É apenas uma maneira que eu encontrei de organizar o emaranhado de confusão que habita na minha mente.

Eu ainda estou tentando e ainda estou crescendo e sei que muitas coisas vêm e vão nesse tempo. E como eu não sei o que vai acontecer amanhã, eu gostaria muito que você soubesse da sementinha que você plantou em mim. Graças à você, eu sou uma pessoa muito mais sonhadora e empenhada para conseguir o que eu quero. Esse blog, o meu livro, eu ter escrito pra Capricho e todos os outros sonhos que estou pra conquistar sempre foram alimentados com a certeza de que aquela garotinha de 9 anos de idade que passou muita raiva para conseguir realizar seu primeiro sonho teria muito orgulho de mim.

Espero um dia poder te falar tudo isso olhando nos seus olhos e respirando fundo para não chorar. Mas enquanto esse dia não chega, acredito que esse blog seja o caminho mais próximo que eu tenho até você. Saiba que eu estou aqui, do outro lado do mundo, torcendo para que você realize cada vez mais seus sonhos e inspire outras pessoas que, assim como eu, precisaram de um batom vermelho e um delineado para seguir em frente.

Você é incrível.

Leia ouvindo: Fidelity - Regina Spektor


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