Há um ano

09:20



Ei. Hoje a gente faria um ano. Tentei me convencer e repetir pra mim mesma que eu não tenho nada pra te falar. Que eu tô bem. Que eu vou ficar bem. E, de fato, tudo o que eu falar aqui já foi dito em algum poema ou algum texto que eu te escrevi nos últimos dias. Sinceramente, não quero que você os leia. Não quero que você pense em mim como eu estou pensando em você. Na verdade eu quero, mas não dessa forma. Não dessa forma distorcida e suja que acabou manchando todo o nosso resto de história - que você faz certo em tentar apagar. Mas eu não consigo esquecer apenas um pedaço seu. Eu fico esperando, o dia inteiro, receber uma mensagem sua que diga qualquer coisa. Fico imaginando o que eu estarei fazendo no momento em que você voltar. Se você vai voltar. Fico idealizando o nosso futuro daqui pra frente e todas as outras coisas que eu preciso organizar antes de pensar em "nós", propriamente dito.

Eu ainda não consegui escrever uma história na qual você não faça parte e estou meio receosa em fazer isso mas, afinal, essa é apenas a segunda semana. E, não sei se é mérito meu ou apenas consequência do tempo, mas eu estou relativamente excelente para quem terminou um namoro de 1 ano há uma semana. Já consigo beijar outras pessoas, consigo não pensar em você durante vários momentos do dia, consigo falar seu nome sem chorar e até brinco com minhas amigas, chamando-as de "tchuchu". A vida segue e tem seguido muito bem por aqui. Algumas vezes as lembranças chegam, balançam o que estava instável e deixa ali, plantado, um certo medo. Medo esse que, eu descobri, é 100% inútil. Tão inútil que eu escolho não dar a ele o poder de me bagunçar. Não tenho controle do futuro, entende?. Independente do medo que eu sentir, as coisas vão acontecer, mesmo que eu não queira. Do jeitinho que eu não quero. Então, pra que sentir medo? Controlar as emoções tem sido algo crucial que eu aprendi bastante nesses dias. Além de conseguir dar um "basta" em tudo que não me deixava ser feliz, finalmente conversei com meu coração e disse a ele que é tudo uma questão de virar a chave. Viu?

Um texto sobre você sempre acaba virando um texto sobre mim. Talvez eu queira te convencer de que eu já estou pronta pra você voltar. Talvez eu só queira ter certeza  de que você ainda se importa comigo. É inevitável me perguntar se você ainda pensa em mim, mesmo eu sabendo que sim. Mesmo sabendo que você ouve meu sotaque todos os dias e que isso te quebra. Mesmo sabendo que distância não significa falta de amor - e a gente bem sabe disso. É muito coisa que eu preciso entender e enfrentar e, a única coisa que eu sei, é que eu não sei de nada. Vivi a vida em busca de sinais porque sempre me pareceu assustador demais não saber o futuro. Sempre li a ultima pagina dos livros - aí está um fato que você não sabia sobre mim. Sempre pedi pra contarem a continuação de tal filme para que eu não ficasse aflita durante a cena de luta. Mas com quem eu converso pra me contar o que será de nós daqui 2 meses? Qual livro eu devo ler pra saber o final dessa historia?

Desde que tu foi embora as coisas ficaram um pouco mais claras na minha vida. A bagunça se instalou, mas agora eu sei o que arrumar. Por onde começar. Minha relação com o futuro, com Deus e com tudo que é abstrato sempre foi muito complicada - talvez, nem a minha relação com a arte seja de toda tão harmoniosa. Não consigo confiar nas incertezas. Minha desconfiança sempre partiu de dentro e eu acabei colocando tudo isso em você. Só não te peço desculpas porque a culpa não é minha. Eu fiz o que eu dei conta, sempre fiz o que estava a meu alcance. Mas eu te agradeço imensamente por ter sido a menor distância entre mim e eu mesma. Eu ainda trabalho profundamente para diluir os sinais no meu cotidiano - ou tudo o que parece um sinal - já que a vida é uma montanha-russa sem cinto de segurança (não sei se isso fez sentido). Afirmar qualquer coisa antes da hora é chegar no final sem, ao menos, ter linha de chegada.


Vivendo um dia após o outro eu vou absorvendo essa dorzinha de dente chata que aparece durante a manhã mas que eu escolho deixar ir embora. Como eu disse, eu só quero que o tempo passe. Essa semana nunca demorou tanto pra passar e eu tenho certeza que passou voando pra você. Você é assim: tão calmo e tranquilo, que corre para pegar o ônibus, sem medo de perde-lo. Eu sei, eu tô começando a entender isso. Aprendi em outros relacionamentos que a melhor maneira de conhecer outra pessoa é ficando longe dela - é mais fácil a teoria do que a prática. E então, de todos os finais alternativos que existem entre nós dois, eu sei que nenhum deles depende de mim. Ou de você. Ou de qualquer memória que faça o jogo virar aos 45 do segundo tempo - o que inclui uma cama de solteiro, um dia de chuva e qualquer hamburgueria da cidade de São Paulo. Mas sim, de uma certeza muito maior que chama-se: vida. Independente do final, eu sei que as coisas vão dar certo e isso tranquiliza muito meu coração leviano e levíssimo. Não sei onde você está, mas espero que tudo o que eu estou sentindo agora chegue até você, de alguma forma. Toda essa força, essa saudade e essa vontade de ir em busca do amor próprio, doa a quem doer. Descobri muito sobre mim. Descobri muito sobre a vida. E quero continuar assim, com ou sem você.

De qualquer maneira, feliz aniversário. Feliz aniversário à nossa tentativa, à nossa luta, ao nosso amor - que é infinito e foi infinito enquanto durou. Espero de coração te reencontrar algum dia na floresta de concreto e aço que eu poderei chamar de "casa" daqui alguns meses. Meu orgulho odeia admitir mas eu sinto a sua falta todos os dias, em todos os olhos azuis que cruzam meu caminho. Esse texto não é sobre sentimentos, mas sobre o "crescer individualmente" que a gente sempre disse e sabia que ia chegar. Mas saiba que para você, minha porta esta sempre aberta, seja para se hospedar, seja apenas para tomar um café. Pode voltar quando quiser, será uma prazer te receber (eu realmente gostei muito de usar essa metáfora da casa).

Te amei infinitamente. Te amei mais do que eu já fui capaz de amar outra pessoa e ainda tenho muito amor guardado aqui pra quando você quiser receber. Só quero terminar dizendo que vida não é tão ruim quanto parece e desejo muito que você aprenda isso da mesma forma que eu aprendi. Por mais que, a priori, a confusão esteja instalada na sua mente e no seu coração, tome seu tempo. Nenhuma borboleta nasce pronta pra voar e eu tenho certeza que seu futuro é o mais próximo possível do céu.

Ainda tenho tantas coisas para escrever sobre tudo isso... Mas como você nunca vai ler esse texto, eu vou só empurrando as palavras pro canto da cama. Empurrando as memórias pra debaixo do tapete. Empurrando a esperança pra dentro da gaveta. Até o dia em que eu acordar e as coisas estiverem ajeitadas, tudo do jeitinho que tem que ser. Abro a cortina, vejo que o dia está cinza e volto para cama. O que acontece a partir daí, é cena de um capítulo que eu ainda não escrevi.

Eu não sei de nada. E sinceramente, eu não quero saber.

Leia ouvindo: Honest - The Neighbourhood

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