Feliz ano novo

14:54




Leia ouvindo: Closing Time - Semisonic

Há uns dois dias eu fiz 18 anos. Entretanto, com a correria de festa, correção de provas e o término de um namoro bem no dia do meu aniversário, eu acabei esquecendo de escrever sobre isso. Sobre mim. Sobre como, há 18 anos atrás, nascia a pessoa mais importante da minha vida: eu. E não me julguem pelo egocentrismo exacerbado, pois apesar de ser uma canceriana digna e descrita fielmente, eu nasci na transição entre câncer e leão, então, por isso, não se assustem quando eu ficar vaidosa e narcisista demais - eu sou assim mesmo. Comecei achando que a entrada desse novo ano viria repleta de conturbações e sinais de que acabei de chegar na pior idade da minha vida. Por que, meu jesuszinho, eu tive que quebrar meu próprio coração e, consequentemente, misturar vinho com chopp no dia 21 mais importante do ano? Pois bem. Foi nessa superação rápida de menos de uma hora que eu entendi sobre o que seria esses novos dois dígitos que me perseguirão pelos próximos 365 dias: não pensar demais e não levar a vida tão a sério.

Durante o ano todo eu decidi que iria escrever um post sobre as 18 coisas que aprendi com 18 anos. Porém, a semana foi tão pesada que não consegui refletir sobre isso enquanto pego sol na minha varanda, deitada na rede, apreciando as montanhas de Nova Lima - vou sentir muita falta dessa vista, pensei. Só consegui, por sorte, ler por puro desprazer e, ah, não me lembro muito bem. A questão é que, a coisa mais importante que eu aprendi é que, em determinado momento, crescer deixa de ser um evento e passa a ser inerente ao ser. Ou seja, quando você vê, oh! algo não te incomoda tanto quanto antes. E assim foi, aos 18 anos, sendo que desses, pelo menos 12 eu passei na terapia conversando sobre a ausência da figura paterna na minha vida e como isso me impedia de ter um relacionamento saudável com qualquer homem que aparecesse. E quer saber? Foda-se.



Enfim, acabei me esquecendo de falar sobre mim e sobre o que eu espero desse novo ano. A real é que eu me acostumei tanto a escrever sobre aniversários, desde que eu criei esse site incrível que, entre rancos e barrancos eu chamo de "blog", que fico até com medo de estar repetindo sempre o mesmo clichê. Pra você, querido leitor, que chegou na minha vida agora, saiba que eu falo a mesma coisa todos os anos que eu faço um ano a mais - ou um ano a menos. Falo que cresci muito de um ano pra cá, que a Bárbara de 2014 teria orgulho de quem eu sou. Mas, assim como eu aprendi com a Mariana Lima em "Cérebro Coração": o intuito aqui é não entender nada. Se desde sempre eu me intitulei como arte divina, que Deus ou Anubis ou seja lá quem for que me colocou no mundo pra fazer bagunça e gritaria, então, me permita que essa nova idade seja completa de interrogações e berros e inconsequências que só a juventude - que, meio precocemente, eu tentei me distanciar - pode me proporcionar.

Eu sou estranhamente grata por ser quem eu sou e sei que fazer 18 anos não significa muita coisa nos dias de hoje. Mas eu me lembro de ter 12 anos e plasmar o futuro, pensando em onde eu estaria daqui seis anos, com quem, o que estaria fazendo. E cara... deu tudo errado! Quero dizer, para a Bárbara de 12 anos, talvez, não seria tão gratificante passar o aniversário da maioridade dando aula de arte antiga para adolescentes - de incríveis 18 anos. Mas o que importa é que a Bárbara de 18 anos ama a Bárbara de 18 anos e a de 12 e a de 15 - que se perdeu um pouco no caminho e tudo bem - e vai amar ainda mais a de 19 que não faz ideia aonde vai estar.

Essa história, apesar de curta, conta pra mim mesma todas as vezes que eu tive que lutar para ser muito melhor do que eu acredito que posso ser. Minha psicóloga fala da importância de reconhecermos nossos feitos e termos orgulho da nossa coragem e, hoje, apenas hoje, 18 anos depois, eu consigo olhar pra trás e reconhecer a mulher incrível que está ali, no espelho, lavando o rosto e passando protetor solar todos os dias de manhã. Não sei se me amo, não sei se um dia vou amar. Mas sei que eu estou aprendendo, aos poucos, a me apaixonar por cada parte minha que ninguém foi capaz de amar.


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