Texto de despedida

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Leia ouvindo: Last hope - Paramore

Dentre minhas limitadas qualidades, eu posso afirmar que sou uma pessoa de compromisso. O que, na maioria das vezes, me causa um estresse desnecessário porque hoje em dia ninguém faz questão de não ser egoísta e, consequentemente, ser gentil. Por isso, meu coração está partido. O ano de 2018 foi, de uma maneira resumida e sincera, um caos, talvez, mas um caos bonito de se ver. É tipo aquela cena em que está todo mundo se batendo e no fundo está tocando uma música clássica pois o caos também precisa ser apreciado e vivido. Entretanto, esse caos não me foi tão favorável assim pois, entre outras coisas, eu estava ocupada demais tentando não morrer. 2018 foi um ano que eu fiz muito esforço para me manter viva.

Mas calma. Esse texto de despedida não deveria ter teor melancólico porque, a boa notícia é que tudo melhorou - ou está tendenciando a melhorar. O que eu não terminei de falar no parágrafo anterior é o porquê de o meu coração estar partido. Ora, eu não tive compromisso algum comigo mesma. Nas poucas vezes que eu escrevi era um último suspiro de desespero, um sentimento intensificado de beatitude ou um grito de ajuda. Às vezes, os três juntos, talvez. Porém eu não tive tanto compromisso com as palavras igual eu gostaria de ter tido. Isso me deixa bastante cabisbaixa mas, ao mesmo tempo, me deixa animada para o próximo ano que é uma oportunidade de fazer melhor.

Não me julgo, de qualquer maneira. O caos instaurado me deixou na inércia e acabou que eu só vivi aquilo que escolhi viver. Tantos sonhos desmoronando ao mesmo tempo, tantos planos mudando de última hora e um coração nada preparado para abruptações, mas que teve que lidar com isso de um jeito ou de outro. O meu "outro", no caso, foi fingir que nada estava acontecendo - o que é bastante contraditório pois eu sou a pessoa que mais levanta a bandeira do auto conhecimento (depois da minha mãe, talvez, beijo Dona Angélica). Isso, portanto, trouxe consequências tais quais momentos intensos de paz e surto.

Paz. E surto. A paz, quando bem sentida, era preenchida pela beatitude anteriormente mencionada e eu, que não estava tão preocupada em registrar o momento, deixava passar e ficava apenas com a sensação. Sem palavras. O surto, por sua vez, era sofrido em silêncio pois as palavras apenas aflorariam a dor pré existente. Sem palavras também. Resultado - apenas consegui escrever últimas gotas de copos de água, poucos fluxos de consciência e muitos artigos de opinião que nunca postei aqui pois o medo esse ano também foi inerente. Paz, surto e medo. Desequilíbrio total.


Numa retrospectiva rápida eu: passei meu primeiro carnaval intenso, terminei meu namoro, descobri o que é amor próprio - e esqueci também -, fiz novos amigos, estudei até não aguentar ouvir palavras difíceis, me guardei dentro de uma gaveta, voei sem asas, voltei com meu namorado e terminei com ele no dia do meu aniversário - fiz uma festa de aniversário e me apaixonei uma semana depois, entrei num relacionamento nada sério - o que foi a experiência menos Bárbara Morais que Bárbara Morais já teve -, fiz quinhentos vestibulares e surtei por causa de todos. Passei em alguns, obrigada pelos parabéns, mas outros eu ainda estou esperando o milagre. Briguei com meus amigos, o que me fez perceber que eu também machuco as pessoas - e que eu realmente tenho amigos. Mudei o curso, a faculdade, voltei pra estaca zero e me questiono todo dia se essa é a escolha certa. Comecei a namorar. De novo. Com aquele meu relacionamento nada sério. E isso tudo foi ontem.

E hoje, estando sozinha nessas férias que não são férias pois tudo o que eu preciso fazer é estudar o que amo, me peguei refletindo quais são minhas metas para 2019. E minha meta é: ter mais compromisso. Compromisso não só com a certeza, pois isso é fácil. Mas, principalmente, compromisso com as coisas que ficam nas nuvens e que eu não tenho controle. E compromisso quer dizer deixa-las acontecer de maneira leve pois metas são, no fim das contas, especulações nada favoráveis do nosso futuro. Quero ter compromisso com meus caos, meu acaso, com minhas beleza e, sobretudo, com as folhas em branco que me aguardam - várias metáforas num parágrafo só, né?

Portanto, meu caro leitor, agora que você entende minha oscilação entre paz e surto, você percebe que meu caos não era eufemismo. Dessa forma, eu sou obrigada a me despedir da Bárbara que iniciou o ano de 2018 em São Paulo, com a certeza de que aquele seria seu destino e que as coisas a partir dali dariam certo - porra, deu tudo errado. Mas como dito anteriormente, de uma forma linda. Esse texto que, por sua vez, é um texto de despedida, significa o abandono conivente e quase maternal de alguém que não sabia muito bem o que fazer. Bom, eu ainda não sei, mas o que difere é que agora eu pelo menos vou tentar. E tentando eu consigo alguma coisa. Anos ímpares são meus anos da sorte.

PS: Eu não esperaria crônicas iguais as que vocês estão acostumados a ler. Vou mudar umas coisinhas.

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