Bakunin, me perdoa

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Leia ouvindo: I Lived - OneRepublic

Cheguei em uma parte do livro em que não consigo ler porque penso demais em você. Aconteceu isso com outra obra, que a autora leva o nome da sua mãe, que leva sua cidade como cenário - que tem o século passado como contexto, assim como a nossa história em outras vidas. Não consigo controlar o filme que passa na minha cabeça de todos os litros de sangue que derramei para me reerguer de uma forma que nunca fui capaz, mas fui obrigada a criar um força uterina para seguir em frente. Um ano depois, sinto que não evolui tanto quanto eu evoluiria há cinco. O crescimento não é linear, eu digo para mim mesma na esperança de não violar o meu seio aberto que ainda está ferido com a sua partida prematura ou tardia demais, não sei. Com a sua expulsão, me vieram outras questões que, um ano depois, ainda não sou capaz de compreender: eu. 

Existem muitas coisas que eu gostaria de estar sentindo mas eu me recuso a te fertilizar numa terra com o adubo de outra pessoa. Não. Existem amores que partem e que semeiam tanto quanto ervas daninhas, mas você floresceu demais e espalhou seu perfume até onde deveria ser inóspito. É lindo mas é dolorido pois, vai ver, quem sabe, eu sou só espinhos. E se for? Continuo espetando meus arredores como se fossem meus inimigos, mas eles só querem fazer parte. Parte de mim,parte da vida. Querem me conhecer, me tocar, seu a gota do meu suor. Não, não vou deixar ninguém entrar até eu não te enxergar em poemas, em filmes. Até eu fechar o olho e não enxergar o oceano de possibilidades que você carrega. Até eu acordar sem ter sonhado com sua traição. Não existe liberdade agora que você me invadiu, não existe escolha agora que eu conheço a vida com você do meu lado. Não existe mais "eu" agora que você me convenceu que sou especial demais para você. Não. 

Me olho no espelho e falo não, não, não eu não quero e eu não vou. Não vou voltar atrás e pedir para você bater cartão na minha vida falando da sua - e a minha? Não vou te mandar mensagem pedindo conselhos, pedindo ajuda ou exigindo esclarecimentos de um futuro que não nos pertenceu - você escolheu vive-lo sem mim. E eu me pergunto se um dia amarei outro alguém, e pior, me pergunto se alguém vai me amar como você. Como sou idiota, é claro que não. O próximo me amará muito melhormente pois eu me amarei ainda mais. De retrocesso em retrocesso e poemas que mando pois o coração é maior que as mãos, me digo que não precisaria ter te conhecido para entender o meu tamanho. Eu sou enorme! Fico assustada quando olho para cima e percebo que, meu deus, onde fui parar? Agora que estou sozinha eu não me sinto solitária - passei a ter a solidão como opção e não como castigo. E ah! Esta é a melhor coisa que eu poderia ter aprendido. 

Sem você, sinto falta de relacionar a arte a alguém que me preencha - sinto falta dos romances verbais e até das lágrimas inevitáveis quando eu chegava em Belo Horizonte. Você me fez odiar minha cidade. Você me fez odiar a minha vida. Você me fez te amar tanto que eu esqueci quantos anos tinha - graças a deus, eu sou anarquista e não me reduzo, não me modifico, mas foi por pouco. Por pouco não me rendi a sua tirania e me tornei fruto de um assalto identitário. Espero que um dia a gente volte a se amar sem o romantismo, pois este mata e me matou algumas vezes - meu sangue é os livros que brotam da terra fertilizada, aquela que não permitirei secar. A vida é uma criança e assim como o dicionário, formarei períodos infinitos até ressignificar a semântica inteira. 


Seja bem vindo, mas revolucione com cuidado pois eu estou mais forte do que nunca e sentindo o dobro, o dobro do dobro e dobro o tempo, se necessário, para estar aqui quando eu entender que, minha filha, você é foda - digo em primeiro pessoa pois a pessoa que está comigo desde sempre, veja bem, sou eu. Seguro o choro, tremo as mãos e grito na estrada pois o silêncio é a pior das doenças, a submissão é a pior das torturas. Ainda bem que você me deixou ir antes que me violasse, o que é bem mais fácil do que olhar para trás e arquitetar uma vida singular. Tola do jeito que era, acharia que sua proteção seria romantismo. E como disse, este mata. Morta, volto e reconstruo o que deixei cair enquanto te amava. Ainda te amo, quero dizer, não como antes e nem pretendo te visualizar no meu próximo livro. Apenas queria te dizer que sonhei com você essa noite e você estava lindo. Lê um poema que chama um novo amor é um presente da Rupi Kaur. 

Apesar das contradições, o que lhe escrevo é muito mais claro do que parece. Sua habilidade escassa de interpretação de texto, sempre muito primitiva, talvez, entenda que minhas palavras sejam uma ameaça. E talvez seja. Quando escrevo, não sou eu que escrevo. É alguém que mora dentro de mim e não tem voz alta o bastante durante o dia a dia - o crédito é todo dela, seja lá quem ela for. Entretanto, sei que você me entende quando falo que te amo mas não te quero perto - você me causa arrepios e todo mundo sabe o que acontece quando o cacto mostra seus espinhos. Hoje, me encontro excluída e retraída, como um tatu bolinha, esperando os golpes da vida para que eles não doam tanto quando chegarem. Me convença de que você não vai me assassinar novamente. Me convença que seu teatro fechou.

Infelizmente, as cicatrizes que você deixou são profundas e refletem a intensidade e o tempo que passamos juntos - tudo era em CAIXA ALTA: EU TE AMO, EU TE ODEIO, EU NÃO TE AGUENTO MAIS E POR FAVOR NÃO VAI EMBORA. Quando era gramaticalmente correto, eu estranhava - uai, o que é isso aqui que está dando tão certo? A calmaria me assusta, mas sei que o saudável é meio chato mesmo. Agora, mal consigo me encarar no espelho e não pensar no que você iria pensar se visse meu rosto tão redondo e meu vício tão aguçado em corrida. Será que alguém um dia vai amar minhas curvas do mesmo jeito que você as cultuava? Será que alguém um dia vai me tocar tão delicadamente igual você fazia? Tantos serás para resolver antes dos trinta... 

Você não me desejou um feliz aniversário e isso me partiu ao meio, mas tentei entender que você sabia que, no fundo, eu prefiro que você fingisse que esqueceu. Dói saber que você me conhece tão bem, mas só é meio egoísta. E enquanto eu organizo meus desastres naturais e tento alinhar minhas opções, espero que saiba que eu ainda penso em você, e o pior, ainda escrevo sobre você. Tenho chorado menos desde que a gente se desmanchou e, sem romantismo, estou muito mais feliz, sim - mas infelizmente, eu ainda sou a maior romântica que eu conheço. Vou te mandar um livro pelo correio, mas é para o seu irmão. Manda notícias. 



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