Texto de avião

14:08


F&O Fabforgottennobility



Leia ouvindo: Eu amo você - Tim Maia 

Não sou quem eu gostaria que fosse. Essa frase foi difícil de escrever não apenas pela estrutura sintática confusa e, talvez, até errada. Mas também porque não sou calvinista e não acredito em destino (mas sei que ele existe aqui e ali). Enquanto o Sol bate e descasca minha pele, sei que a vida é feita de escamas e a cada reza viro outra - algumas vezes gosto de mim e em outras não me aturo. Quem eu sou hoje? me perguntei ontem. Amanhã me perguntarei de novo e a resposta será nova, naturalmente. Eu, que sou eu, tento deixar o tempo passar na minha própria velocidade, mesmo sendo perdida de nascença (nasci e só depois fui ver o que fazer). Portanto, eu, que sou eu, percebo que é inevitável se sentir presa à uma linguagem que conta com 26 letras - amo a literatura, mas ela sozinha é depressiva. Talvez seja por isso que não sou boa em mais nada: pois sou triste. E ao contrário do que pensam, a solidão não faz o poeta. O poeta é feito de portas e a solidão cria janelas a serem puladas. Nem sei mais o que dizer! Me disseram, outro dia, que meus textos salvam vidas e que minha escrita é meu encanto - estão todos tão perdidos quanto eu, graças à Deus! Durante meus curtos surtos de inspiração, fico feliz que eu sou eu e eu encontrei, tão nova, os signos da própria vida. "Vida" não me remete à nada. Mas ontem, quando pensei em morrer - e hoje, que ainda penso -, logo dormi. Vai ver meu estado de natureza seja a inestação e viver seja só um estágio longínquo de experiência a ser adicionado ao currículo. Mas no fim, ninguém te pergunta se estas vivo. Acordei com a mensagem: "Amiga, viveste?" e eu não soube responder. Não respondi até agora. Sigo. Eu que lute. Abandonei, por fim - por gim - a ideia fabulosa de me jogar na janela do hotel e fiquei sozinha com meu próprio abandono. Se não existissem as linhas, talvez, eu seria mais feliz. As linhas são territórios que ultrapassam a minha própria imaginação e, se eu fosse concretista, escreveria um desenho sobre isso (mas como não sou poeta de um mundo caduco, deixo o meu desejo póstumo para Marcus Cardoso). Ouço Tim Maia demais e penso tanto em praia que duvido da liberdade, mesmo que tardia. Sou tão criança que me comparo à minha mãe e, ao mesmo tempo, aos filmes que vejo. Sou o reflexo de um espelho sobrenatural e extinto, talvez, extinto por mim mesma. Filosofo tanto que a cada interrogação morre algo novo em mim - perdi as contas de minhas desistências, inclusive, insisto em desistir de pessoas (iguais) todos domingo. É a saudade. Mas agora vai; acabou mesmo. Sou nova e até comprei um esfoliante para renovar as células pois se eu fosse esperar 7 anos para isso acontecer, morreria afogada na minha própria sujeira. Sou alguém que gosta de pontuação pois símbolos são necessários para afirmar o que a mente, sozinha, não entende. Por isso faço tantos rituais - queimo o literal do passado, realizo bruxarias, enfeitiço meu corpo com sal e água. Os pontos, portanto, marcam o que as palavras deixam soltas e eu, que sou eu, insisto em deixar a responsabilidade do fim para o próprio fim. Ele que se termine.

             Veja como fazer fotos sozinha em casa!! #fotos #inspiraçãotumblr #fotostumblr #tumblr

You Might Also Like

0 comentários